O Homem que Nao se Contenta com pouco
O ser humano não é acostumado a mudanças, seja ela por medo, seja ela por costume, as vezes arriscar pode fazer toda a diferença.
O que nos move a pensar, julgar, questionar e reclamar muitas vezes não é a razão pura, mas o medo. Esse medo, silencioso e persistente, retém o gesto simples de estender a mão. Ele nos impede de ajudar, sobretudo quando o outro despreza aquilo que não compreende, quando rejeita o que é diferente.
O diferente, no entanto, não é ameaça: é construção. Ele edifica mundos novos, ainda que camuflados pela resistência de quem não ousa enxergar. O medo, ao escolher a cegueira, não encontra o valor do verdadeiro eu.
O verdadeiro eu não se esconde em máscaras, não se limita a julgamentos superficiais, não se perde em reclamações vazias. Ele floresce na coragem de acolher o que é diverso, na força de reconhecer que cada ser humano carrega uma centelha única.
Estender a mão é mais do que um ato de bondade: é um gesto de libertação. Libertação do medo, da indiferença, da prisão das aparências. É nesse encontro que o eu autêntico se revela, despido de preconceitos, aberto ao aprendizado e à transformação.
Assim, o que nos move não deveria ser o medo, mas a coragem. A coragem de ver além das diferenças, de construir pontes onde antes havia muros, de encontrar no outro o reflexo que nos devolve ao nosso próprio valor.
Muitas vezes, o que mais nos incomoda nos outros é exatamente aquilo que não aceitamos em nós mesmos.
“Uns buscam explicação para o que veem; eu só indago-me se não é possível realizar as coisas mais abstratas que imaginei.”
Chega um momento em que a distância já não dói, ela esclarece. Olhamos para trás e entendemos que nem tudo o que não aconteceu foi perda. Houve planos interrompidos, conversas que não avançaram e histórias que não seguiram adiante não por falta de amor, mas por falta de sentido. Com o tempo, aprendemos algo difícil de aceitar: algumas relações não acabam para nos ferir, acabam para nos preservar. E quando a maturidade finalmente chega, conseguimos chamar de livramento aquilo que um dia chamamos de destino.
Merecemos alguém que nos enxergue como algo importante demais para perder... Só me diga que você não gosta, que você não me quer...
Sou piauiense de nascimento, mas herege por vocação climática: gosto do frio, não sou calorenta, e isso me coloca numa categoria à parte, quase teológica, entre os meus conterrâneos.
Hoje eu entendo o que antes não entendia:
Como era possível não haver espaço pra nada, dentro de pessoas vazias.
Não confunda solidão com solitude,
Não tente roubar o que é meu altar.
Eu amo o silêncio é pra mim uma virtude,
E a paz de, em mim, sempre habitar.
A obsolescência laboral nasce exatamente nesse paradoxo — onde a organização pede o que não autoriza.
“A vida é como um eco poético: se não gosta do que ouves, perceba o que estás emitindo e ressignifique-se.”
©JoaoCarreiraPoeta.
“Somos feitos de instantes que não voltam, mas fenecem eternos na memória que escolhe recordar com parcimônia.”
©JoaoCarreiraPoeta.
Campinas, 29/11/2025.
Quando um não quer, dois não briga: é prelúdio de paz. Fonemas solfejam serenidade, morfemas reverberam harmonia. Entre matizes da dicotomia, o enleio voeja, farfalha esperança, gruguleja ternura, e o silêncio floresce infinito.
©JoaoCarreiraPoeta.
Campinas, 01/12/2025.
