O Dom de cada Pessoa

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Não se reconhece tanto a ignorância dos homens no que confessam ignorar, como no que blasonam de saber melhor.

Nobre e ilustrada é a ambição que tem por objeto a sabedoria e a virtude.

A ignorância vencível no homem é limitada, a invencível infinita.

Sucede aos homens como às substâncias materiais, as mais leves e menos densas ocupam sempre os lugares superiores.

Leve escorre e agita.
A areia. Enfim, na bateia
fica uma pepita.

A sabedoria é sintética; ela expressa-se por máximas, sentenças e aforismos.

Os privilégios devem ser para o Senado, competindo aos senadores o simples respeito.

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

Ambos se enganam, o velho quando louva somente o passado, o moço quando só admira o presente.

Aqueles que se aplicam muito minuciosamente a coisas pequenas, frequentemente tornam-se incapazes de coisas grandes.

A vida reluz nos olhos, a razão nas palavras e ações dos homens.

Não há coisa tão fácil como dar conselho, nem mais difícil do que sabê-lo dar.

O avarento, por um mau cálculo, sofre de presente os males que receia no futuro.

Suportamos tudo isso, por amor dos eleitos.

A preguiça enfada e quebranta mais que o trabalho regular.

Hábito e rotina têm um inacreditável poder para desperdiçar e destruir.

Tem pessoas que tem o dom e o talento, de nos falar coisas lindas, românticas e se mostrarem através de suas palavras, supostamente, um conhecimento sentimental que nos faz acreditar que encontramos a pessoa certa. E nós caímos nessa armadilha,
ao nos envolvermos com certas pessoas, em um relacionamento amoroso, aí podemos ver que palavras não justificam nada. Muitas vezes pequenas atitudes nos marcam mais do que poemas, frases, galanteios etc...o que realmente queremos é, carinho, amor, companheirismo, cumplicidade, sinceridade, fidelidade e respeito.
Mas as estatísticas comprovam que no início de uma relação, as pessoas fazem o impossível para conquistar, depois se acham no dever de proprietário(a) e com atitudes possessivas e ciumentas, causam um grande tormento à vida da gente, por isso eu estou aqui desabafando na minha condição de experiente no ramo do amor.
Eu quero o mais importante na minha vida agora, é a amizade de vocês minhas queridas mulheres, e se cuidem para não caírem na mão de um babaca, e comprometer essa nossa amizade tão linda e profundamente verdadeira, onde você jamais se machucará, um beijão meus amores.....

A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes ouço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

Fernando Pessoa
PESSOA, F. “Poemas Inconjuntos" in Poemas de Alberto Caeiro. Lisboa: Ática. 1946 (10ª ed. 1993). p.83
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Cada dia me traz com que esperar
O que dia nenhum poderá dar.
Cada dia me cansa da esperança...
Mas viver é esperar e se cansar.

O prometido nunca será dado
Porque no prometer cumpriu-se o fado.
O que se espera, se a esperança é gosto,
Gastou-se no esperá-lo, e está acabado.

Cada um de nós é um grão de pó que o vento da vida levanta, e depois deixa cair.

Fernando Pessoa

Nota: Trecho do "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa (heterônimo Bernardo Soares).