O Cometa de Carlos Drumond de Andrade

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Se você tem livre-arbítrio, então você é Deus, e o Lúcifer venceu mais uma vez! Não há profeta verdadeiro, se o futuro é você que constrói.

As trevas da burrice e do fanatismo cegam os mais saudáveis olhares! Quando a politicagem toma conta, ninguém escapa da nódoa.

Bom dia, ano-novo abençoado!
Senhor, abençoa nosso dia e o ano que se inicia, para que nossas vidas sejam sempre repletas de saúde, paz, felicidade, segurança, amor e alegria.

Sou assim porque o muro caiu comigo em cima, arranhões foram inevitáveis e a reconstrução dele será por demais dispendiosa. Melhor do que ser covarde é ser hipócrita!

Os suicidas Romeu e Julieta são a maior expressão da ignorância sobre o amor e a felicidade. Iludidos que ficariam juntos eternamente, esqueceram-se que "no céu não se casam e nem se dão em casamento. Agora imaginem-se no inferno legalmente casados!!!

"Chama"

Hoje eu quero tudo.
Quero despertar todos os sentidos como quem destrói um formigueiro.

Quero queixos, pescoços e nucas.
quero halito quente e uma força maluca.
quero linguas, toques, dentes.
Respitos frofundos e gemidos frequentes.
Quero unhas cravadas nas costas, mordidas na orelja como a gente gosta.
Quero joelhos, coxas virinha.
quero amassos e descompassos.
quero chupões e arranhões.

depois do deleite.
quero que você se deite e sonhe ao meu lado antes de dormir.

Senhor, proteja-nos de quem desmata ou agride o meio ambiente por qualquer outra forma.

Epitalâmio

O alto fulgor desta paixão insana
Há-de cegar nossos corações
E deserdados da esperança humana
Palmilharemos por escuridões...

Não mais te orgulharás da soberana
Beleza! e eu, minhas cálidas canções
Não mais dedilharei com mão ufana
Na harpa de luz das minhas ilusões!...

Pela realização que ora se ultima
Vai apagar-se em breve o alto fulgor
Que te inflama e ilumina o meu desejo...

Como no último verso a última rima,
Eu deporei, sem gozo e sem calor,
Meu derradeiro beijo no teu beijo!

Mário de Andrade
ANDRADE, M. Poesias completas: Volume 2, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014

Dedicatória

Cruz
Que este livro galante,
ante
Teus olhos, lembre um dia,
Quem to oferece nesta
Festa
De anos e de alegria.

Pequeno ele é e modesto.
Mesto
Quase sempre e tristonho;
Não roubará, no entanto,
Quanto
Tens de ilusão e sonho.

Aquela, que hás de agora,
Hora
Tirar (sem percebê-lo),
Das que em teus anos verdes
Perdes;
Não perderás ao lê-lo.

Lê com vagar. Repara
Para
A beleza do verso;
Vê como o vate ardente
Sente
O mundo tão diverso!...

Mas, que não te entristeças;
Nessas
Linhas, não há verdade.
Vive sempre a florida
Vida
Entre a felicidade.

Mário de Andrade
ANDRADE, M. Poesias completas: Volume 2, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014

Voa coração, ou então...Arde!

Eugénio de Andrade
Poemas de Eugénio de Andrade Seleção, estudos e notas de Arnaldo Saraiva, Editora Nova Fronteira

Nota: Trecho do poema "Epitáfio"

...Mais

Se quiseres receber aplausos após as cortinas do palco de tua vida se fecharem, não basta apenas atuar maravilhosamente bem. É necessário ter te apresentado a uma platéia maravilhosa também!

Conhecemos pessoas especiais na vida da gente todos os dias, algumas vão embora outras ficam e se tornam insubstituíveis !

No olhar dispensa palavras ............é simples e complexo..........mais diz tudo a nosso respeito!!!!!

O medroso

A assombração apagou a candeia
Depois no escuro veio com a mão
Pertinho dele
Ver se o coração ainda batia.

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971

Fim e começo

A noite caiu com licença da Câmara
Se a noite não caíse
Que seriam dos lampiões?

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971

Poema da cachoeira

É a mesma estação rente do trem
Toda de pedra furadinha
Meu pai morou alguns anos aqui
Trabalhando
Um dia liquidou
Ativo passivo
Cinco galinhas
E deram-lhe uma passagem de presente
Para que eu nascesse em São Paulo
Como não houvesse estrada de rodagem
Ele foi na de ferro
Comprando frutas pelo caminho

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971

Digestão

A couve mineira tem gosto de bife inglês
Depois do café e da pinga
O gozo de acender a palha
Enrolando o fumo
De Barbacena ou de Goiás
Cigarro cavado
Conversa sentada

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971

Não é que sou misteriosa, apenas penso muito em coisas que não estão aqui, agora.... as vezes é bom voar....

"As pessoas só reconhecerão que você é uma pessoa boa, quando você tiver a oportunidade pra fazer o mal e fizer o bem."

"Fräulein" era pras pequenas a definição daquela moça... antipática? Não. Nem antipática nem simpática: elemento. Mecanismo novo da casa. Mal imaginam por enquanto que será o ponteiro do relógio familiar.
Fräulein... nome esquisito! nunca vi! Que bonitas assombrações havia de gerar na imaginação das crianças! Era só deixar ele descansar um pouco na ramaria baralhada, mesmo inda com poucas folhas, das associações infantis, que nem semente que dorme os primeiros tempos e espera. Então espigaria em brotos fantásticos, floradas maravilhosas como nunca ninguém viu. Porém as crianças nada mais enxergariam entre as asas daquela mosca azul... Elza lhes fizera repetir muitas vezes, vezes por demais a palavra! Metodicamente a dissecara. "Fräulein" significava só isto e não outra coisa. E elas perderam todo gosto com a repetição. A mosca sucumbira, rota, nojenta, vil. E baça.

Mário de Andrade
ANDRADE, M., Amar, Verbo Intransitivo, 1927