O Amor tem que ser Alimentado
Podia ir ver o mar como um bom turista, mas não adianta se não temos a quem elogiar a vista. Passa-se o mesmo com as igrejas, o luar ou uma cuba libre. Nada vale a pena se não for partilhado.
Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas nao iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo. Mas me agarrei àquilo. Com os braços bem abertos. (...)
Saí correndo, com o vento batendo no rosto e um sorriso tão grande quanto o vale do Panjsher nos lábios. Sai correndo. (...)
- Por você faria isso mil vezes!
Astronauta tá sentindo falta da Terra?
Que falta que essa Terra te faz?
A gente aqui embaixo continua em guerra
Olhando aí pra lua implorando por paz
Então me diz: por que que você quer voltar?
Você não tá feliz onde você está?
Observando tudo a distância
Vendo como a Terra é pequenininha
Como é grande a nossa ignorância
E como a nossa vida é mesquinha
A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço
De tanto lutar por algum espaço
E você, com todo esse espaço na mão
Querendo voltar aqui pro chão?!
Ah não, meu irmão... qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?
Querida Lua.
Confesso ter lhe procurado aqui na Terra. Procurei sua companhia, seu brilho, sua energia. Encontrei.
Encontrei um ser em forma carnal, um ser que me faz companhia, que transmite tamanha energia, que sinto estar próximo de ti, pois até no brilho de seu olhar encontro o seu brilho.
Vocês tem muito em comum. Esta mulher tem fases como você Lua. Horas está tão comigo, que sua luz me ilumina por completo, horas me abandona tomado pela escuridão, me faz perder o chão.
Nestas horas, queria eu acreditar que foi apenas um eclipse. Mas não.
Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
Sofia colocou os óculos. Tudo à sua volta ficou vermelho. As cores claras ficaram vermelho-claras e as escuras vermelho-escuras.
- O que você está vendo?
- O mesmo de antes, só que vermelho.
- A explicação para isto é que as lentes dos óculos determinam o modo como você percebe a realidade. Tudo o que você vê é parte do mundo que está fora de você mesma; mas o modo como você enxerga tudo isto também é determinado pelas lentes dos óculos. Você não pode dizer que o mundo é vermelho, ainda que neste momento ele pareça vermelho.
E gosto, à noite, de escutar as estrelas. É como ouvir quinhentos milhões de guizos... Mas eis que acontece uma coisa extraordinária.
