O Amor tem que ser Alimentado
A paz chegou no instante em que deixei de justificar minha dor, e aprendi que nem tudo precisa ser entendido para ser superado.
A vida me ensinou que nem toda dor precisa ser vista, algumas apenas pedem o silêncio e a presença de Deus.
As quedas me ensinaram a cair de joelhos e orar. Cair de joelhos é aprender que o chão pode ser oração, é onde a humildade encontra força.
Às vezes, a alma cansada só quer existir sem ser cobrada. Existir sem cobrança é recuperar o direito de ser inteiro antes da demanda alheia.
A solidão me apresentou a mim mesmo e eu fiquei. A solidão pode ser espelho, quem ali nos visita pode ser o próprio eu que ainda havia de nascer.
A fé não me poupou das feridas, mas me impediu de sangrar sozinho. Mesmo ferido, ser acompanhado faz com que o sangue não conte a história sozinho, há mãos que seguram.
Enquanto alguns fabricam deuses que precisam ser levados, o meu Deus é o Criador e é Ele quem me leva nos braços.
Foi preciso espaço para a minha reconstrução, nos remendos, aprendi a humildade do ser. Acabei moldado em meu próprio formato, inteiro.
Muitos corações fogem do Senhor porque temem ser vistos. Mas a luz sempre encontra brechas, e o perdão é o abrigo que não julga. Voltar não é fraqueza, é lembrar quem você sempre foi.
Fui dor, fui cura e sigo aprendizado, a vida mantém a lição sempre à mão, aceitar ser processo é viver em evolução, aprendo a cada passo, sem pressa.
Se cair, não ache que é o fim, vai ser o seu novo começo. Deixe o silêncio curar, não te sepultar. Faça da ferida uma bússola, ela aponta a direção. Remende-se com cuidado, os pequenos reparos que nos sustentam. Permita que a dor te ensine, sem transformá-la em sentença. Suba devagar, o passo firme vence o medo. Confie no tempo e no ritmo que te fazem seguir. No fim, a queda vira voo, siga acreditando.
Em meio a cenários sombrios, você não precisa esperar pela luz. Escolha ser a faísca que, por si só, reacende a esperança alheia.
