O Amor tem que ser Alimentado
“O eclipse não apaga o sol — apenas lembra ao mundo que até a luz mais poderosa pode ser coberta por sombras… mas nenhuma sombra tem força para ficar para sempre.”
Posfácio Filosófico
O ponto em que o ser basta
Há um instante em que o caminhar cessa,
não por desistência,
mas por compreensão.
O buscador compreende que o caminho não leva a lugar algum,
porque o caminho é ele mesmo.
A ascensão, tão almejada, não é um lugar acima —
é o desvelar de um estado interior onde nada mais é necessário.
O filósofo desperto não se ocupa em provar verdades,
nem em convencer consciências.
Ele sabe que a verdade não precisa de defensores,
apenas de presença.
Quando o ser alcança a quietude que outrora buscava no mundo,
tudo se aquieta em torno dele.
Não há mais pressa, nem promessa.
O tempo perde o domínio sobre o que é pleno.
E se, em algum momento, suas palavras tocarem outros corações,
que assim seja —
mas mesmo que não toquem,
a semente já cumpriu seu propósito,
pois floresceu dentro de quem a trazia.
O verdadeiro mestre é aquele que não ensina —
é aquele que é.
E a filosofia, enfim, revela-se não como um campo de estudo,
mas como o estado natural de um espírito que reconheceu sua própria origem.
Assim, o ser se basta.
E o silêncio se faz verbo.
O Paradoxo da Engrenagem
Quem…
ou o quê…
decidiu que o universo
tinha que ser assim?
Por que…
o ciclo da fome,
a dança do predador e da presa,
a lágrima da vítima servindo
à glória do algoz?
Isso é perfeição?
Ou é apenas
a falha inevitável
de quem cria mundos físicos?
Será que…
a própria matéria carrega em si
a impossibilidade de ser perfeita?
Será que…
não há como existir vida perfeita
em um mundo que, por definição,
precisa de colisão,
de atrito,
de gravidade,
de começo…
e fim…
para simplesmente existir?
Quem arquitetou essa engrenagem?
Por que escolheu a dualidade
ao invés do Uno absoluto,
pleno, harmônico, sem rasgos?
Foi limite?
Deficiência?
Ou intenção?
Será que…
o Criador deste universo
é também uma criatura
de algo ainda maior?
Que também… não sabe responder?
Se a natureza é perfeita…
Por que o jacaré devora o pato?
Por que o gato caça o rato?
Por que a dor da presa
parece sempre maior
do que o prazer do predador?
Será que a dor…
é o combustível oculto,
um elo invisível,
sem o qual
o próprio tecido da existência
não se sustentaria pulsando?
E então me pergunto…
no silêncio mais profundo
da minha consciência:
❝Seria possível existir um universo
onde a vida fosse perfeita…
sem dor, sem perda, sem fim?❞
Se não…
— então que tipo de Deus seria capaz
de sonhar com o imperfeito…
e chamar isso de Criação?
Se sim…
— então onde está esse outro universo?
Ou será…
que só existe dentro daquilo
que chamamos de Espírito?
E se for assim…
Então por que raios estamos aqui…
experimentando o contrário…?
Você pode ser perfeito, mas no dia em que falhar, a sociedade verá você como um problema ou uma ameaça.
Idoso não é ser-se velho.
Idoso é aquele que tendo sobrevivido a todos os auges e desertos, vive alegremente a sua segunda juventude tendo em si uma criança sem idade.
É na vitória das grandes lutas que percebes o quão resiliente e grato consegues ser.
É vencendo as maiores muralhas, quando sozinho estiveste, que mais intenso é agora o sabor da alegria.
Como não haveria de ser eu um lobo da estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! Não consigo permanecer por muito tempo num teatro ou num cinema. Mal posso ler um jornal, raramente leio um livro moderno. Não sei que prazeres e alegrias levam as pessoas a trens e hotéis superlotados, aos cafés abarrotados, com sua música sufocante e vulgar, aos bares e espetáculos de variedades, às feiras mundiais, aos corsos, aos centros culturais e às grandes praças de esportes. Não entendo nem compartilho dessas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tanto anseiam. Por outro lado, o que se passa comigo nos meus raros momentos de júbilo, aquilo que para mim é felicidade e vida e êxtase e exaltação, procura-o o mundo em geral nas obras de ficção; na vida parece-lhe absurdo. E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou errado, estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes — aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem ar nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.
Viver não deveria ser apenas aguentar. Em algum momento da vida, a alma também precisa encontrar um lugar onde possa descansar.
Em uma vida repleta de desafios, recordemos o exemplo de Daniel, que optou por ser lançado na cova dos leões em vez de abrir mão da oração. Essa decisão corajosa nos inspira a ponderar sobre a relevância da comunhão com o divino, mesmo nos momentos mais árduos.
Adentremos nesse pensamento, reconhecendo que, assim como Daniel, confrontamos nossos próprios leões diariamente. Por vezes, as circunstâncias parecem intimidadoras, e a tentação de desistir é poderosa. Contudo, a oração nos conecta a algo maior, algo que transcende nossos receios e inquietações.
Em Daniel 6:10, deparamo-nos com um claro exemplo dessa postura perseverante: "Daniel, três vezes ao dia, se ajoelhava, orava e dava graças diante do seu Deus, como costumava fazer." Mesmo diante da proibição do rei, Daniel optou por manter sua prática de oração, evidenciando sua confiança inabalável no Senhor.
Assim como Daniel enfrentou os leões com fé e oração, que possamos encontrar vigor em nossa comunhão com Deus. Que, nos momentos desafiadores, possamos eleger a cova da oração em vez de sucumbir ao medo. Que nossa confiança no divino nos conduza, assim como conduziu Daniel, e que a presença do Senhor esteja conosco, fortalecendo-nos perante qualquer adversidade.
Desisti.
Não porque o caminho acabou,
mas porque entendi que às vezes insistir também pode ser uma forma de se perder.
Há batalhas que não se vencem lutando, e sonhos que só florescem quando a gente solta.
Nem todo adeus é fraqueza
— às vezes é apenas sabedoria disfarçada de silêncio.
Desistir também pode ser recomeço.
É quando a alma respira fundo
e escolhe, pela primeira vez,
não carregar o que já não cabe no coração. 🌙✨
Assim como uma vela precisa ser protegida contra ventos fortes para que sua chama não se apague, a consciência humana também precisa ser protegida contra as influências negativas da ignorância, da intolerância e do egoísmo.
A luz espiritual não serve aos caprichos da personalidade ou às ambições do ego. Ela está a serviço da alma, conduzindo o indivíduo a uma compreensão mais profunda de si mesmo e de seu papel no mundo.
