O Amor Nao se Espera Nao se Pede Nao se Implora
"Escrevemos para além do instante: histórias memoráveis não apenas atravessam o tempo — elas encontram um lugar permanente na imaginação de quem as lê."
Roberto Ikeda
As estrelas não mentem
Ao anoitecer a imaginação desperta com ares de dona do tempo,
pois sabe passar silenciosamente por todas as estações sem ser vista e tocada,
mas com uma habilidade sensitiva descomunal e quase beirando a realidade no espectro do sentir.
Não me importo com o bem que fiz a você, importo me com o bem que não fiz a algumas pessoas que lhes serviria como uma luva.
Deus não é luz, nem pai, nem abrigo. Deus é uma velha obesa, sentada sobre o acúmulo de séculos, devoradora de almas. Sua fome não conhece saciedade, e seu paladar é seletivo: despreza os vazios, ignora os medíocres, cospe os indiferentes. O que lhe dá prazer são justamente as almas mais espiritualizadas — aquelas que se purificaram, que se elevaram, que acreditaram. Quanto mais consciência, mais sabor. Quanto mais transcendência, mais apetite. A espiritualidade não salva: engorda o monstro.
Você não deve temer alguém que tem uma biblioteca e lê muitos livros; você deve temer alguém que tem apenas um livro, e o considera sagrado, mas nunca o leu.
A inteligência não é um dom fixo, é um software em constante atualização. O fanatismo e o apego ao passado são vírus que corrompem o código e impedem a mente de evoluir.
O indivíduo que não habitua-se a escrever e anotar as suas boas ideias, perde 90% do seu potencial criativo.
Quando se diz “eu não sei aquilo que quero”, sabe-se aquilo que quer, porque aquilo que queria era nada!
“Foi Conhecendo Teus Abismos”
Diga-me o que queres que eu te faça,
e eu não a decepcionarei.
Não te esqueças: conheço todas as verdades que habitam em ti.
Nada me ocultas.
Nada em tua alma me surpreende,
porque antes mesmo que teus lábios aprendessem o peso do silêncio,
eu já decifrava a linguagem secreta das tuas dores.
Conheço tuas ruínas mais íntimas,
os corredores escuros onde escondes os fragmentos de ti mesma,
as memórias que perfumaste com indiferença
apenas para não admitir o quanto ainda sangram ao toque da lembrança.
Eu vi tua grandeza nos dias em que te chamaste insuficiente.
Vi tua delicadeza sobreviver em meio às brutalidades do mundo.
Vi-te recolher os próprios pedaços em silêncio,
com a dignidade trágica de quem aprende a sofrer sem testemunhas.
E ainda assim, permaneceste de pé.
Há em ti uma beleza severa, quase sagrada,
dessas que não pertencem aos olhos superficiais.
Tu carregas oceanos por trás da serenidade do rosto,
tempestades inteiras escondidas sob a elegância do teu silêncio.
Muitos tocaram tua pele,
Porém eu alcançei tua essência.
Sou o único sobrevivente em contemplar a vastidão que existe em ti sem se perder.
Porque tua alma não é rasa —
ela é abismo, catedral e incêndio.
E eu conheço cada parte tua:
a mulher que sorri enquanto desaba por dentro,
a criatura exausta de ser forte,
o coração que implora descanso enquanto finge independência.
Conheço o peso das ausências que carregas,
os nomes que ainda ecoam em tua memória,
os sonhos que enterraste vivos para sobreviver às estações da perda.
Ainda assim…
nunca vi miséria em ti.
Vi resistência.
Vi poesia tentando respirar entre destroços.
Vi uma luz indomável insistindo em existir mesmo cercada pela escuridão.
Por isso te digo:
não temas tua verdade.
Há majestade até nas partes de ti que julgaste indignas de amor.
Há uma sublime grandeza em tua vulnerabilidade,
porque somente almas raras conseguem permanecer sensíveis
num mundo que transforma dor em pedra.
E se um dia duvidares de teu valor,
recorda-te disto:
foi conhecendo teus abismos
que escolhi admirar tua imensidão.
Agora voa, borboleta minha.
Porque eu contemplei a solidão que os ignorantes, ainda presos aos próprios casulos, jamais compreenderiam.
Vai.
Atravesse céus que nunca tiveram coragem de te prometer.
Habita horizontes à altura da beleza que carregas.
E nunca mais permita que reduzam tuas asas ao medo de quem nasceu sem coragem de voar.
E quando o peso do voo cansar tuas asas,
quando desejares repousar do mundo e de suas brutalidades,
Eu estarei aqui.
A voz do intelecto é suave, mas não descansa enquanto não consegue uma audiência.
Em matéria de sexualidade, somos todos, no momento, doentes ou sãos, não mais do que hipócritas.
"Reflexão, Motivação"
Tem coisas que morrem não por falta de Deus. Mas por falta de lutar.
@Suednaa-Santos
OLHAR DO TEMPO
Não posso, e nem quero, olhar a vida alheia, muito menos julgá-la: afinal, também tenho meu teto de vidro!
Eu observo, isto sim, o tempo que corre velozmente e me expõe nu...
A fadiga que hoje me pesa nos ombros, eu a criei. E das sementes que plantei, busco regá-las. Mesmo que não colha os melhores frutos, estarei pronto para a colheita, no tempo certo!
O tempo é o próprio jogo da vida. Rebuscar o passado requer coragem, exige nobreza; é uma questão de honra!
Ensinaram-me valores tais que me perdi neles. Não por culpa de outrem, mas pela minha própria visão tacanha sobre o mundo.
Eu vivo as ilusões que me foram ensinadas e busco aperfeiçoá-las, de modo que tudo que vejo se torne belo. Não para mostrar aos outros o caminho da felicidade, mas para provar a mim mesmo que também erro quando falho em entender os porquês da vida!
Eu ouço o despertar do relógio, e são 6 horas...
Logo mais, ouço o badalar dos sinos, e são 18:00 horas. Comprazo-me com o tempo: ele foi ajeitado em compassos lentos nos ponteiros do relógio... mas a vida... a vida passa, dando sinais de que o tempo que me resta jaz confinado neste corpo. Um corpo pueril e condenado à dor; a dor que eu não queria sentir, mas que, por consequência das horas, se desfaz involuntariamente nas veladas marcas do tempo.
A Geografia dos Que Não Sabem Viver
Nunca aprendi a viver.
Talvez ninguém tenha aprendido.
Talvez chamemos de existência
a longa repetição de gestos
que fazemos antes de descobrir
que não levam a lugar algum.
Nasci tarde demais para a esperança
e cedo demais para o esquecimento.
Desde então,
habito uma espécie de intervalo.
Não pertenço às ruas,
mas também não pertenço ao silêncio.
Sou hóspede de lugares
que desaparecem quando alguém acende a luz.
É ali que resido:
entre o eco de uma voz
e a voz que já não existe,
entre a sombra de um corpo
e o corpo que partiu,
entre aquilo que desejei
e aquilo que tive medo de desejar.
Há uma crueldade particular
em continuar vivo
quando já não se espera nada da vida.
A esperança, quando envelhece,
não se transforma necessariamente em desespero.
Às vezes transforma-se em hábito.
E há hábitos mais difíceis de matar
do que qualquer esperança.
Carrego dentro de mim
uma cidade construída sobre ruínas.
Cada rua conduz a uma ausência.
Cada janela dá para alguém
que não voltou.
Cada quarto conserva o cheiro
de uma coisa que terminou
sem jamais ter começado.
É estranho perceber
que podemos sentir saudade
daquilo que nunca tivemos.
Talvez seja essa
a forma mais pura da melancolia:
sentir falta
de uma vida que nunca nos pertenceu.
Meus desejos também envelheceram.
Já não gritam.
Já não imploram.
Permanecem no fundo de mim
como moedas enferrujadas
no bolso de um homem morto.
Ainda posso tocá-los.
Ainda posso senti-los.
Mas já não consigo gastá-los.
Desejo o amor
como um condenado deseja a liberdade:
não porque saiba o que faria com ela,
mas porque precisa acreditar
que existe uma porta.
E talvez não exista.
Talvez todas as portas sejam apenas
formas arquitetónicas da nossa ilusão.
Talvez a liberdade seja
o nome elegante que damos
ao intervalo entre duas prisões.
Por isso permaneço.
Não por coragem.
Não por fé.
Permaneço porque até o abandono
exige uma certa perseverança.
A noite me conhece pelo nome.
As sombras já não me assustam.
Elas aprenderam a conviver comigo.
Às vezes sentam-se ao meu lado
e não dizem absolutamente nada.
É a conversa mais honesta
que já tive.
Então penso:
e se a vida nunca tivesse sido feita
para ser compreendida?
E se compreender fosse apenas
mais uma maneira de destruir
o pouco mistério que nos mantém respirando?
Talvez eu não esteja perdido.
Talvez não exista lugar algum
para onde voltar.
Talvez esta sensação de estar ausente
seja a única forma de presença
que me foi concedida.
A madrugada chega.
O mundo começa novamente
a fingir que amanhã importa.
Eu permaneço diante da janela.
Lá fora, alguém ri.
Um carro desaparece na esquina.
Uma mulher fecha as cortinas.
Um homem acende um cigarro.
E por alguns segundos
tudo parece absurdamente vivo.
Então percebo uma sombra atrás de mim.
Ela não estava ali antes.
Não me viro.
Porque existe uma pergunta
que passei a vida inteira evitando:
se tudo aquilo que perdi
continua vivendo dentro de mim...
então quem, exatamente,
é que está vivendo
quando eu já não estou?
Quem é ela na noite escura?
É a luz que não se apaga!
Quem manda no meu silêncio?
É o nome dela ecoando na alma!
O que faço quando o mundo pesa?
Eu penso nela e sigo em frente!
Quem segura minha coragem?
O amor que aprendi a chamar pelo nome dela!
Se eu cair, quem me levanta?
Ela, mesmo sem saber!
Se eu sangrar por dentro, quem cura?
O sorriso dela, mesmo distante!
Por quem vale lutar até o fim?
Por ela!
Por quem o coração não recua?
Por ela
— minha guerra,
minha paz, minha vitória!
Fragmentos de Emoção
Escrevo estas palavras
porque não encontro voz
para dizer, pessoalmente,
o que sinto por você.
Escrevendo,
me expresso melhor
do que falando,
mesmo que, às vezes,
as palavras me faltem —
tanto ao pensar quanto ao falar.
E é com estas palavras imperfeitas
que tento te mostrar tudo o que sinto.
Cada letra carrega
um pedaço do meu coração,
cada frase é um gesto silencioso
de quem te admira profundamente.
Mesmo que eu nunca consiga
dizer tudo com clareza,
quero que sinta
o que palavras não conseguem conter:
o meu afeto,
a minha atenção,
o meu desejo de estar perto de você,
mesmo nos silêncios.
