O Amor Nao se Espera Nao se Pede Nao se Implora
A vida não pede licença —
ela chega, ensina, marca,
às vezes com mãos suaves,
às vezes com golpes que rasgam a alma.
Cada dor carrega um segredo,
cada queda sussurra uma verdade,
mas só entende quem aceita
que aprender também dói.
Há lições que queimam por dentro,
que a gente tenta negar, fugir, esconder…
mas quando, enfim, as abraçamos,
elas deixam de ser feridas
e se tornam armas silenciosas.
Helaine machado machado
Nunca mais aceitei gaiolas,
porque aprendi que liberdade
não se pede — se conquista.
Descobriu que algumas mulheres
carregam fogo nos olhos
e tempestades no coração,
não nasceram para esperar resgate
nem viver à sombra de alguém.
Vieram ao mundo para romper correntes,
atravessar os próprios abismos
e transformar cicatrizes em coroas.
Mulheres assim não imploram amor,
não diminuem sua intensidade,
não silenciam sua verdade
para caber em mãos pequenas.
Helaine machado
A verdade precisa ser dita, melhor falada do que vivida, quem não sabe escutar, e pede por ser ouvida, na verdade não aprendeu tudo, e ainda precisa aprender o mínimo desta vida.
Triste não é quem pede reciprocidade,
triste é quem cobra aquilo que nunca soube oferecer.
Quem fala de você na sua ausência revela mais sobre si
do que imagina revelar sobre o outro.
A verdade sempre encontra um caminho,
e ninguém sustenta uma máscara por muito tempo.
Honrar quem me desonra não faz parte de mim.
Se algo que senti hoje já não merece morada no meu peito,
eu me retiro em silêncio —
e o silêncio, às vezes, é a resposta mais justa.
Não volto atrás quando a ausência vira paz.
O mundo gira, ensina, devolve.
Nem tudo que reluz é ouro,
e nem toda companhia merece permanência.
Respeito não se exige, se pratica.
Quem cresce falando do outro para diminuir,
na verdade, nunca cresce —
apenas ocupa espaço onde a consciência não mora.
O silêncio da oração não pede respostas, apenas abre portas invisíveis; e quem atravessa esse limiar descobre que o divino não está acima nem fora, mas pulsa no âmago de cada instante, como um segredo que se revela apenas a quem desaprende o mundo.
Cada sonho é uma chama que pede céu, mas arde primeiro no peito; e quem o segue descobre que não há triunfo sem ferida, nem voo que não nasça da promessa secreta da queda.
A dificuldade não pede lamento, pede leitura. Vitimizar-se é recusar o próprio papel na travessia e entregar o leme ao acaso. O ser que amadurece compreende que o obstáculo não foi colocado para humilhar, mas para revelar forças ainda não convocadas. E, ao invés de perguntar “por que comigo?”, passa a escutar a única pergunta fértil: “o que isto exige que eu me torne?”.
A amizade sincera não pede espetáculo nem jura eternidade; ela se revela no gesto discreto de permanecer quando o brilho cessa e a alma se mostra sem ornamentos. É rara porque não deseja salvar, corrigir ou competir — apenas testemunhar. E, num mundo viciado em plateia, ter alguém que veja sem invadir e fique sem possuir é uma das formas mais silenciosas de amor.
O toque das suas mãos e a densidade do seu abraço têm esse perigo doce de coisa que não pede licença. Sua voz beija minha malandragem de um jeito rude, sedutor, quase inevitável. Já não é prazer. É uma força suave me levando até você antes do pensamento chegar.
“Quem pede tempo já decidiu: o tempo não é para pensar, é para se livrar. A ilusão é sua, a decisão é dela.”
O mar é abrigo
O mar não pergunta nada.
Não exige explicações,
não pede promessas.
Eu chego cansada
e ele continua ali,
aberto, imenso,
sem se negar.
O mar acolhe até
quem chega quebrada,
com os pés feridos
e o peito cheio de nomes.
Não me diz para ficar,
não me diz para ir.
Ele apenas existe.
E às vezes isso basta:
um lugar que não foge,
que não se fecha,
que não me pede para ser outra.
Acontece.
E a vida não pede permissão.
Só segue.
Quem sente aprende a andar diferente.
Quem foge repete.
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
Entre a pressa e o encontro
Você chegou como quem não pede passagem,
com o mundo inteiro correndo dentro do peito,
acelerada, inquieta, cheia de caminhos,
mas encontrou em mim um lugar diferente.
Eu não sei explicar o que aconteceu,
nem procuro colocar nome no inesperado.
Existem encontros que não fazem barulho,
mas mudam a forma como a gente olha o outro lado.
Você tem tempestade nos passos,
mil pensamentos querendo partir ao mesmo tempo,
e eu achei bonito descobrir
que até a pressa pode encontrar abrigo.
Não quero prender teus voos,
nem diminuir a força que existe em você.
Quero apenas caminhar ao teu lado
enquanto a vida revela o que pode nascer.
Porque entre tantas pessoas, tantos rostos, tantos dias
você parou por um instante diante de mim.
E há algo raro nisso:
Duas histórias diferentes percebendo
que talvez tenham se encontrado no mesmo momento.
Algumas vezes, ele aparece. Não é anunciado, não pede licença. Surge em tardes frias, em noites sombrias, silencioso, mas com a intensidade de um grito interno. Eu o chamo de O Vazio.
Sentir O Vazio é sentir a morte por dentro — mas não aquela morte física, simples e final. É uma morte diferente, mais sutil, mais antiga, que insiste em me lembrar de algo que eu já fui, de algo que já senti em outros lugares e tempos. É como se minha existência, fragmentada e atravessada por cicatrizes antigas, estivesse sendo revisitadas por sombras que o presente não consegue alcançar.
Quando O Vazio chega, não estou no tempo. Estou fora dele. Não é uma sensação que se possa controlar, ou mesmo compreender completamente. Ele se apresenta segundo suas próprias regras, segundo sua própria vontade. E, quando vem, parece sussurrar que meus passados — não apenas o imediato, mas todos os que deixaram marcas — têm algo a me dizer.
São cicatrizes que ainda latejam. Memórias que não pertencem mais a este instante, mas continuam a pulsar no corpo da alma. Não é daqui. O Vazio me remete a algo distante, quase irreal, perdido no tempo e no espaço, mas que insiste em permanecer. É a prova de que a experiência humana não é linear, e que o que fomos, mesmo quando esquecido, ainda vive dentro de nós, às vezes em silêncio, às vezes com a força de um choque inesperado.
Talvez O Vazio seja um portal para o que ainda não compreendemos de nós mesmos. Talvez seja um aviso, um chamado ou apenas a lembrança de que a alma carrega impressões de lugares e tempos que o corpo jamais atravessará novamente.
No encontro com O Vazio, aprendemos algo essencial: que a vida não se mede apenas pelo que fazemos ou sentimos agora, mas também pelo eco das feridas antigas, pelo rastro dos nossos passados que insistem em conversar conosco.
E, quando ele parte, resta a consciência de que fomos visitados por algo maior do que a dor momentânea: fomos confrontados com a própria eternidade da memória, com o peso do que já fomos e, de certo modo, com a promessa de que ainda somos.
