O Amor foi bom Enquanto Durou
ELA FINGIA
Ela fingia entender tudo o que eu dizia.
Ela fingia saber o que não sabia,
enquanto eu tentava explicar,
enquanto eu tentava explicar
o caos deste mundo,
a falta de amor,
a busca da paz,
o inferno e a dor.
Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia, de Pessoa ou Drummond.
Ela tampouco sabia de democracia,
ou de anarquia de Foucault a Proudhon.
Mas ela sempre aceitou minha fantasia.
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia:
de me achar tão sabido
e o sentido da vida não ter entendido,
que, segundo ela, era viver
bem distraído,
que, segundo ela, era esquecer
o mal sofrido.
A verdadeira sabedoria não reside no acúmulo de palavras, mas no filtro da alma: enquanto o tolo usa a fala para preencher o vazio, o sábio usa a pausa para transbordar o essencial.
Enquanto para uns, o que dói é a finitude da vida, para outros, o que alivia é a finitude das dores.
Para uns, a morte é a grande inimiga — a interrupção brusca dos planos, dos afetos, dos sonhos ainda inacabados — para outros, ela surge como um descanso prometido, quase um silêncio misericordioso depois de longos e exaustivos gritos.
Há quem tema a finitude da vida porque ama intensamente o que tem, o que construiu, o que viveu e o que ainda espera viver.
Para esses, cada despedida é um rasgo, cada adeus é uma mutilação do possível.
A morte representa a perda de tudo: das mãos que se tocam, das conversas inacabadas, dos abraços que ainda poderiam ser dados.
É o fim das oportunidades de amar mais uma vez.
Mas há também quem, exausto de carregar dores que não cessam, encontre na ideia da finitude um alívio secreto.
Não porque despreze a vida, mas porque já não suporta a forma como ela se apresenta.
Para esses, a morte não é vista como roubo, mas como cessação.
Não é a perda de tudo — é o fim de tudo o que dói.
É o apagar de uma chama que já não aquece, apenas queima.
E aí reside o grande paradoxo da existência: a mesma morte que para uns é tragédia absoluta, para outros é libertação imaginada.
Ela é, simultaneamente, ausência e descanso; ruptura e cessação; perda e alívio.
Talvez isso revele menos sobre a morte e mais sobre a forma como estamos vivendo.
Porque, quando a vida é experiência de sentido, a finitude assusta.
Mas quando a vida se torna apenas resistência, a finitude seduz.
No fundo, não é a morte que muda de significado — é o peso que carregamos enquanto respiramos que redefine o que ela representa.
E talvez a tarefa mais urgente e necessária não seja discutir a morte, mas aprender a tornar a vida menos insuportável para quem já não a reconhece como lar.
Enquanto uns precisam de um tropeção para cair nos braços do Pai, outros para tentar quitar o aluguel das cabeças dos asseclas.
Há os que só descobrem a própria fragilidade quando o chão falta sob os pés.
O tropeço, para esses, não é punição: é convite.
Na queda, cessam as ilusões de autossuficiência, e o abraço do Pai deixa de ser discurso para se tornar refúgio.
A adversidade, então, cumpre seu papel mais nobre — revelar limites, ensinar silêncios e reordenar as prioridades.
Mas há os que fazem do tropeço um espetáculo, arrastando para o centro do palco um dos mais nojentos dos comportamentos — o vitimismo.
Não caem para aprender, caem para acusar e se vitimizar.
Transformam a adversidade em vitrine e o sofrimento em moeda, tentando pagar o aluguel das cabeças dos asseclas com versões convenientes da própria dor.
O vitimismo vira estratégia, não confissão; ruído e não arrependimento.
Em vez de atravessar a noite, preferem manter acesa a fogueira da queixa.
A diferença não está na queda, mas no destino dado a ela.
Uns permitem que a dor os humanize; outros a instrumentalizam.
Uns se levantam esvaziados de si e cheios de fé; outros se erguem inflados de razão e pobres de verdade.
No fim, a adversidade sempre cobra seu preço: ou nos reconcilia com o essencial, ou nos aprisiona na necessidade de plateia.
E talvez aí resida o discernimento que nos falta: nem toda lágrima nos cobra empatia, nem toda queda é lição.
Há tropeços que salvam, e há tropeços que apenas alugam consciências.
Enquanto 'meninos' seguem acusando as mulheres de “Perigo Constante no Volante”, elas seguem desbravando todas as Direções.
Elas conduzem na terra, no ar e na água.
Enquanto muitos ainda insistem em disfarçar o preconceito com piada — apontar o dedo, buzinar certezas gastas e acusar as mulheres de perigo no volante —, elas seguem fazendo do movimento um ato de coragem.
Não pedem licença ao estereótipo, nem reduzem seus sonhos à marcha ré das opiniões alheias.
Elas atravessam ruas, céus e mares porque sabem que direção não se mede pelo gênero, mas pela consciência, pelo preparo e pela liberdade de ir e vir.
Enquanto os meninos se ocupam em vigiar retrovisores imaginários, elas pilotam o próprio destino: na terra que desafia, no ar que exige precisão, na água que não perdoa imprudência.
No fim, o verdadeiro risco nunca esteve nas mãos que conduzem, mas nas mentes que insistem em frear o avanço alheio para não encarar a necessidade de se despir da masculinidade frágil, do machismo e da própria estagnação.
Enquanto os idiotas da Esquerda e da Direita se digladiam, o encardido aplaude a agressividade cobrada pela medonha distração coletiva.
Porque enquanto imbecis se digladiam na arena da vaidade, convencidos de que lutam por ideias, quando, na verdade, brigam por espelhos, o encardido sutilmente se acomoda na arquibancada polarizada.
Não precisa sujar as mãos: a agressividade já foi terceirizada, cobrada como ingresso para o espetáculo da medonha distração coletiva.
O ódio vira método, o grito vira argumento, e a escuta é tratada como traição.
Cada lado acredita combater o mal absoluto, sem perceber que, ao demonizar — e até desumanizar — o outro, alimenta exatamente aquilo que diz enfrentar.
A distração é tão eficiente que ninguém nota o assalto tão silencioso quanto medonho: enquanto os punhos se levantam, a consciência abaixa a guarda.
O encardido não cria o caos — ele só o administra.
Aplaude quando a raiva substitui o pensamento crítico, quando a identidade vira trincheira e a complexidade é condenada como fraqueza.
Seu aplauso é mudo, mas constante, porque toda vez que alguém prefere ferir a compreender, o trabalho está feito.
Talvez a verdadeira resistência não esteja em escolher um lado mais barulhento, mas em recusar a coreografia do ódio.
Em interromper o aplauso invisível com um gesto raro e subversivo: silêncio para pensar, coragem para escutar, humanidade para discordar sem destruir.
Se a distração acaba, o espetáculo perde público — e o encardido, enfim, deixa de sorrir.
Quando nada mais conseguir nos distrair — senão pensar com a nossa própria cabeça — os inquilinos de mentes não encontrarão tantas cabeças disponíveis e dispostas a retroalimentar essa polarização medonha.
Enquanto uns choram seus pais que só lhes deixaram aquilo que dinheiro nenhum pode comprar, outros, miseráveis, que não têm nada além do dinheiro — desumanizam os seus.
Enquanto muitos fogem do toque que salva, outros fingem bravura nos toques que ferem.
Novembro Azul começou num sábado, e meu amigo já sofre por ter que esperar até segunda pra se cuidar.
Acordar é tão Fácil, basta estar vivo!
E enquanto Deus te deixa acordar, é porque Ele espera que você Desperte.
Enquanto ignorarmos que o Silêncio compra Paz que Ruído algum alcança, tropeçaremos nos Infortúnios do Barulho.
Vivemos como se o mundo exigisse resposta imediata para tudo — opinião pronta, reação instantânea e presença constante.
O barulho não é apenas externo; ele se infiltra nas frestas da nossa mente, ocupando o espaço onde antes habitava o discernimento.
E, pouco a pouco, passamos a confundir movimento com progresso, exposição com relevância, e ruído com verdade.
O silêncio, por sua vez, foi injustamente associado à omissão ou fraqueza.
Mas há uma força quase invisível nele — uma força que não disputa palco, não implora atenção e não se desgasta tentando convencer.
O silêncio observa, absorve e, sobretudo, preserva.
Ele nos protege da pressa de julgar, da ansiedade de responder e da vaidade de sempre ter algo a dizer.
É curioso perceber que muitos dos nossos maiores infortúnios nascem justamente da incapacidade de nos calar.
Palavras mal colocadas, decisões precipitadas, conflitos desnecessários — tudo alimentado pela urgência caprichosa de participar de todo e qualquer barulho.
Como se o silêncio fosse um vazio a ser preenchido, quando, na verdade, ele é um espaço fértil onde a consciência se reorganiza.
Quem aprende a negociar com o próprio silêncio descobre que nem toda batalha merece voz, nem toda provocação exige resposta e nem toda verdade precisa ser dita no calor do momento.
Há muita inteligência em saber escolher o que dizer, mas há mais sabedoria em escolher o que não dizer.
No fim, o barulho cobra caro: desgasta, confunde e fragmenta.
O silêncio, ao contrário, paga em paz — uma paz que não se compra com razão, nem se impõe com argumentos, mas se constrói na disciplina de saber quando se retirar do caos.
Talvez não seja o mundo que esteja excessivamente barulhento.
Talvez sejamos nós que ainda não aprendemos o valor de permanecer em Silêncio quando tudo ao redor insiste em Gritar.
É muito fácil vender Bravura de Leão enquanto se goza das prerrogativas e do conforto que o poder financeiro proporciona.
Há quem diga o que lhe dá na teia para vender coragem só por gozar de privilégios…
Sob a sombra dessas garantias, o rugido soa alto, firme, quase convincente — mas não passa, muitas vezes, de um eco bem ensaiado em terreno seguro.
O problema não está apenas na encenação da coragem, mas no contraste brutal quando as circunstâncias mudam.
Porque o verdadeiro teste da bravura não acontece quando se tem a caneta que assina destinos ao alcance das mãos, nem quando os riscos são amortecidos por privilégios.
Ele se revela justamente na ausência dessas muletas — quando o silêncio pesa, quando a vulnerabilidade se impõe, quando não há plateia para aplaudir.
É aí que surge o trágico calote da performance: aqueles que se acostumaram a performar força descobrem, tarde demais, que não sabem sustentar leveza.
Tentam, então, entregar a meiguice de um ursinho de pelúcia, mas sem nunca terem aprendido o que há de genuíno nela.
Porque a doçura verdadeira não nasce da falta de poder — nasce do domínio sobre ele.
No fundo, o que se expõe não é apenas a incoerência, mas uma espécie de dependência: há quem só saiba ser grande quando tudo ao redor já o coloca acima dos outros.
E quando esse cenário se desfaz, resta apenas o desconforto de encarar a própria dimensão real — sem metáforas, sem encenações, sem privilégios para sustentar a doce ilusão.
Talvez a coragem mais rara não seja a do leão que ruge protegido, mas a de quem consegue ser íntegro quando já não há nada que o proteja — nem mesmo a própria imagem.
Enquanto
a FIFA pensa com os pés, os Futebolistas
não usam nem eles
nem as cabeças.
Quando o jogo passa a ser administrado mais como produto do que como arte, algo essencial começa a se perder.
O futebol, que nasceu da improvisação, da inteligência do corpo e da astúcia da mente, lentamente vai sendo comprimido em protocolos, métricas e decisões tomadas aos pontapés longe do gramado.
Quanto mais a engrenagem institucional tenta controlar o jogo, menos espaço sobra para os jogadores pensarem dentro dele.
Há uma ironia quase perfeita nisso: quando quem governa o futebol passa a “pensar com os pés”, transformando tudo em espetáculo coreografado, calendário saturado e regra calculada para o consumo, os protagonistas do campo acabam sendo treinados para obedecer mais do que para interpretar.
A criatividade cede lugar à execução mecânica; o gesto genial vira exceção, quando antes era linguagem.
O futebol sempre foi uma conversa entre pés e cabeça — entre instinto e inteligência.
Quando uma dessas partes é silenciada, o jogo continua existindo, mas algo de sua alma se dissipa.
A bola ainda rola — e até grita —, os estádios ainda vibram, os números ainda crescem.
Mas, pouco a pouco, o jogo deixa de ser pensado por quem joga e passa a ser apenas executado por quem mal assiste.
E talvez o sinal mais evidente disso seja quando os jogadores correm cada vez mais… enquanto o futebol parece pensar cada vez menos.
ENQUANTO ELA DORME
é noite, e perto de mim dorme a minha amada
eu, à distância de mil pensamentos,
tento ouvir seu ressonar de paz.
será que ela sonha?
será que quando acordar
se lembrará que vivo estou?
a minha amada tem os olhos azuis
da cor da esperança
suas mãos são finas,
macias como lã de algodão.
ela tem um corpo esculpido
de quase perfeição.
minha amada,
quando sorri ilumina a noite
a noite de treva e solidão.
mas, a minha amada dorme,
minha amada não sabe
que morro aqui, ao seu lado,
acordado, tentando dormir também
para lhe encontrar.
oh, se ela pudesse me ouvir,
oh, se ela pudesse vir aqui
por um instante.
minha amada não respira
o mesmo ar que eu.
de onde estou não posso chegar até ela,
a não ser em pensamento.
nossa cama parece um imenso oceano,
e eu só tenho as mãos para lhe abraçar.
tudo que eu queria nessa vida
era que ela pudesse ouvir meus pensamentos
para que ela soubesse o quanto a desejo,
oh, quem dera,
que ela um dia desses
me acordasse com um beijo.
mas a minha amada dorme,
enquanto eu escrevo poesias,
em delírios que me consomem,
mesmo distante
em noites de insônia
como uma sombra
eu ainda a vejo..
“A maior ironia do tempo é ensinar o valor da vida enquanto conduz, inevitavelmente, à consciência da morte.” — Leonardo Azevedo.
Quando uma criança diz algo banal de criança, adultos dizem- nos que enquanto outros adultos com os quais não se identificam estão a matar pessoas aos milhares, nós, inocentes, discutimos assuntos como coleções novas de roupa. Quer dizer.. por causa de discussões infantis de adultos, crianças sofrem pagando o preço mais alto possível. Tudo por causa das responsabilidades que dão adultos infantis, porque não deviam dar um comando que controla o momento do disparo de uma bomba nuclear a uma criança matura e responsável, mas sim a um adulto infantil e iresponsável como um Putim ou um Trump.
Os dias bons passam bem rápido, enquanto os dias ruins passam vagarosamente. Mas enfim tudo pelo tempo passa, mesmo que alguns deixam tristezas e outros deixam saudades. O tempo não para.
O projeto universal contemporâneo, para enquanto sociedade, melhorarmos o mundo de hoje, só existe um caminho. E ele é acolhermos e aprendermos com as diferenças. Ouvirmos mais e falarmos menos, buscarmos nos outros diferentes e divergentes, pedacinhos honrados de nossos direitos de existência e da nossa tão sonhada liberdade. Por mais que cada um pense de uma forma.
Enquanto o mundo celebra as suas lágrimas, Cristo as recolhe, e põem em seu odre para escrevê-lo no livro da vida, lágrimas preciosas com peso de glória, movidas por orações sinceras! Não desista
Reflexão Psicanalítica
“O narcisista transforma sua autoestima em cacos, enquanto observa suas emoções ruírem.”
@Suédnaa-Santos
