Nove Noites de Bernardo Carvalho
Como diria um amigo e mentor espiritual, o amor é uma decisão, onde se escolhe permanecer e encarar todos os obstáculos. Principalmente aqueles quase impossíveis para uma mulher, como entrar no banheiro e se deparar com a tampa do vaso levantada.
Antes de pular na água certifique se a profundidade é segura e que o impulso veio de Deus. Nas águas do nosso coração cautela e autoanálise nunca são demais. Pois se formos imaturos corremos o grande risco de mergulharmos fundo em águas desconhecidas e, assim, acabarmos nos afogando.
Deus é tão bom que antes de restaurar os nossos corações, nos disciplina com a dor para nunca mais nos desviarmos do caminho.
Às vezes, ganhar uma discussão pode nos custar o término de um relacionamento. Por essas e outras sigo o grande ditado da minha mãe: Entre ser feliz e ter razão, eu prefiro ser feliz.
Amar não é para adolescentes que querem apenas usufruir dos benefícios de um relacionamento, mas sim uma decisão para adultos que possuem a capacidade para assumir as responsabilidades diante dos sentimentos dos outros.
Perdoe quem te machucou e não olhe a quem ou o que passou. Resgate a paz do seu sono e a esperança em seus dias. Se reerga e não se perca. Perdoar é o passo que antecede o seu reencontro consigo, é o que vai te fazer começar tudo de novo.
Só achava que o tempo
parava na velocidade
da luz ou em um buraco
negro. Mas no seu abraço o
tempo para também e é
muito bom.
Antecedente da cicatrização
Como quando a orelha inflama porque o brinco estava um pouco sujo; ou quando colamos o curativo adesivo que fixa na pele de modo a puxar todos os pelos na hora de sair.
Mesmo sabendo que no fim iria doer, provoquei. Botei o brinco pra inflamar, colei o curativo pra fazer doer. Queria viver aquilo, nem se fosse por míseros segundos, minutos, horas, dias. Nem sei mais quanto tempo passei imersa naquela banheira de espumas.
Corria cada vez mais só pra vê-la. Queria era socorro, socorro da própria situação. Socorro de mim mesma. Mas por mais rápido que eu o fizesse, não a alcançava. Dormia sem conseguir descansar. Não sabia como evitar, como não sentir. Era, humanamente, impossível fechar o peito para aquela que, outrora, me visitava com flores e com pele macia a me acariciar.
Deitada sobre seu peito sentia que a perdia. Procurava sua mão. Meus dedos se entrelaçavam nos dela, mas os dela no meu. Ficava ali parada até o momento em que escorria pelo meu corpo. Indo embora sem dizer adeus.
Enquanto eu souber que a ferida não será fechada por completo, vou levando. Empurrando com o resto de forças que sobrara do restante da minha alma, que jorrava água escura, afim de fugir do precipício que eu mesma criara.
Passam com toda
as atitudes com que se define a consciência, e não têm consciência
de nada, porque não têm consciência de ter consciência
