Nove Noites de Bernardo Carvalho
Continue sendo sensível a Deus. Continue sendo inspiradora. Continue sendo luz.
Porque Eu tenho visto.
E estou usando tudo — até as ausências — pra cumprir o que Eu mesmo liberei sobre sua vida.
Filha, entenda! Você não perdeu amizades. Você ganhou clareza.
E no tempo certo, Eu trarei aliança.
Não por conveniência, mas por propósito.
Não tema os vazios. Eu estou preenchendo.
Não tema a solidão. Eu estou refinando.
Não tema o silêncio. Eu estou revelando.
Descansa em Mim.
Deita tua alma cansada no Meu colo.
Chora. Se permite ser frágil.
Porque aqui, Eu te sustento.
Aqui, Eu te encho.
Aqui, Eu te curo.
Ass: Jesus.
Filha, Eu não te escolhi porque você era forte — Eu te faço forte porque te escolhi.
E sei que às vezes você cansa de ser “forte”, de ser “referência”, de ser “exemplo”.
Eu vejo quando você chora baixinho pra não acordar a casa, quando seus olhos buscam alguém que diga: “vem aqui, descansa também.”
Então vem! Eu Sou teu colo!
Você não foi rejeitada. Foi separada.
E essa separação, embora dolorosa, está te alinhando ainda mais com o Meu propósito.
Você se pergunta “por que me abandonaram?” Mas Deus te diz: algumas pessoas não te abandonaram, Eu as tirei.
Porque estou levando você a lugares onde nem todo coração está pronto pra ir.
Porque o novo que estou gerando em você exige leveza, e tem laços que, se não forem desfeitos, viram nós.
Eu vi quando você estendeu as mãos para tantos.
Vi quando você orou, torceu, celebrou, aconselhou e se doou até onde nem percebiam.
Eu vi quando você abriu o coração, o lar, o púlpito… E vi também quando, naquele momento em que você mais precisava, não estavam mais lá.
Mas não pense que Eu não estava.
Eu nunca saí do seu lado.
E mesmo quando o silêncio gritou mais alto que os abraços, o Meu Espírito ainda sussurrava ao seu coração: “Você não está sozinha, e nunca estará!”
Nem todo mundo que caminha com a gente por um tempo foi chamado por Deus para permanecer até o final.
Alguns foram enviados para um trecho específico da jornada. Quando esse trecho cumpre seu propósito (mesmo que você ainda deseje a presença deles), Deus — em Sua soberania — permite que partam, não porque você errou, não porque você não era suficiente, mas porque o novo que Ele está gerando em você exige espaços, silêncios e novidade de vida.
E talvez… nesse momento, Deus esteja ensinando você a depender mais Dele do que da validação de pessoas que ainda não estavam prontas para acompanhar a mulher, mãe e líder que você está se tornando.
Você é profunda. Você carrega graça.
E o que parece solidão hoje, pode ser apenas o eco de um novo chamado — mais puro, mais alinhado, mais cheio da presença de Deus.
Mina da praia
Mina da praia, mina de amor
Vais chorar por mim?
Mina que conheci ali,
Já sente o que senti?
Tão claro quanto preto e branco,
O nosso amor se encontrou,
Entre linhas, entre artes,
Nossas emoções se formam,
Meta ventus, lista e mar...
Meu amor, vou sempre te amar.
Mina que conheci na praia,
Copacabana, Santos, bar,
Mina que nunca mais vi,
Espero que esse amor
Não venha a se acabar.
E ao escurecer do dia,
Estrelinhas vão me dizer
Que entre mar e almirante estarão
Somente por você...
Senhor do Astro
Sempre que o sol
Vier tentar apagar
As minhas lembranças
Da noite
Quando eu esquecer,
Peço que me faça recordar
Das coisas boas e amargas
Que desconheço
Realize de uma vez
Aquilo que idealizei
E torne-me menos dor
Mas sonhe, sonhe por mim
Quando notar, tenha apenas a mim
Quando a luz sumir, escape do laço
Vier iluminar, e me perder de novo
Na flor da pele, senhor do astro
Meu Mundo
Se meu mundo fosse você
Talvez minha solidão aumentaria,
Talvez não.
Se meu mundo fosse você,
Eu dormiria tarde,
Talvez não.
Se meu mundo fosse você,
Eu ficaria triste,
Talvez não.
Se só você fosse meu mundo,
Eu ficaria imundo,
Ou talvez não.
Se você fosse meu mundo,
Eu esqueceria quem sou
Só pra adivinhar quem és,
Só pra ter o mínimo de noção.
Pra te amar, mesmo na solidão,
Deixaria minha identidade
E viveria com felicidade,
Tendo você como meu mundo.
Composição
Não importa a dor,
Quando passa,
Não sentimos mais nada,
A não ser tudo.
Quando olhamos para trás,
Vivemos há anos atrás.
Não somos os mesmos.
Não chores mais, irmão,
Que a solidão deixou passar.
Agora, não sigas a estrada.
Veja o clarão no céu azul,
Veja o sorriso de uma criança,
E veja o anoitecer na terra
Que eu mesmo criei.
E veja o anoitecer na terra
Que eu mesmo criei.
Não sou poeta
Escrevo
só o que sinto
e devaneio.
Se é o suficiente?
Não sei.
Não sei
Sei apenas
que a poesia
nada me
cobra.
Não, não sou poeta.
Eliete Carvalho
Leveza
Quero a leveza
dos olhos e da alma —
sem precisar
me despir.
Apenas escuta:
meu verso é grito
em silêncio.
Volto pra casa dos meus pais
Sem dor e nada mais
Mas volto sem ninguém
Meus filhos, não ligam pra mim
O mundo é só vícios
Porcarias e banais
Não tem nada, nada de mais
Viver pra tirar a própria paz
Tanto tempo, vou morar?
Moro com meus avós
Moro com meus tios e tias
Moro na rua escura
Eu só quero morar na lua
Ou na casa sua
Sua mãe me aceita?
Ou tenho que melhorar
Meus olhos estão secos
De tanto de olhar
Minha língua adormecida
De tanto te chamar
Para amar as pessoas
Tem que lembrar quem é
Para amar, é sonhar
Quando lembrar que está afim
Peço desculpas, claro que sim
Não mudei nada
Que mude em mim
Não quero morrer sozinho
