Nove Noites de Bernardo Carvalho
A vida tem sido surpreendente
Coisas que menos pensei que faria
Tenho feito!
A vida sempre me surpreende
tenho vivido a plenitude do presente!
A vida sempre nos surpreende tenho apenas sonhado!
A raiva nos consome quando damos asas a imaginação
O céu é o limite para a paixão
O amor é eterno se há comoção...
O meu coração em cacos...
em miúdos...
E eu sendo obrigada a fingir felicidade...
Pra outros estarem felizes...
Eu gosto tanto de estar com você
Que as vezes preciso fugir de mim mesma...
Eu gosto tanto do seu gosto
Do seu beijo
Do seu toque
Que as vezes preciso fingir que não é real...
Ainda há quem diga: “Mas se você dá dinheiro o sujeito vai beber na primeira
esquina!” Pois que beba! Tão logo o embolsou, o dinheiro é dele. Vocês querem
educar o pobre “para a cidadania” e começam por lhe negar o direito de gastar o
próprio dinheiro como bem entenda? Querem educá-lo sem primeiro respeitá-lo
como um cidadão livre que, atormentado pela miséria, tem o direito de encher a
cara tanto quanto o faria, um banqueiro falido? Querem educa-lo
impingindo-lhe a mentira humilhante de que sua pobreza é uma espécie de
menoridade, de inferioridade biológica que o incapacita para administrar os três
ou quatro reais que lhe deram de esmola? Não! Se querem educá-lo, comecem
pelo mais óbvio: sejam educados. Digam “senhor”, “senhora”, perguntem onde
mora, se o dinheiro que lhes deram basta para chegar lá, se precisa de um
sanduíche, de um remédio, de uma amizade. Façam isso todos os dias e, em três
meses, verão esse homem, essa mulher, erguer-se da condição miserável,
endireitar a espinha, lutar por um emprego, vencer.
