Nove Noites de Bernardo Carvalho
Há algo terrível dentro de um relacionamento quando ele se torna comum...
Quando um relacionamento se torna comum, os defeitos são visto com mais facilidade
Quando um relacionamento se torna comum, os objetivos exigem um esforço maior do que se pensava
Quando um relacionamento se torna comum, o silêncio se faz presente e muitas vezes pode ser ensurdecedor
Quando um relacionamento se torna comum, você precisa encarar os teus próprios defeitos
Quando um relacionamento se torna comum, o passado é revisitado várias vezes
Quando um relacionamento se torna comum, o relógio tem um ritmo normal novamente
Quando um relacionamento se torna comum, o simples aparece
Simples, e o simples nem sempre é belo, mas é sempre instigante mesmo quando entediante, revigorante mesmo quando confrontador
E nada menos paradoxal do isso
~ Josefa Manuel
O universo não fala em palavras, mas em silêncios que nos convidam a escutar o infinito dentro de nós.
Seria a convicção um reflexo do que desejamos acreditar? Ou, quem sabe, aquela voz que o invade todas as noites, ao recostar a cabeça no travesseiro, tenha algo realmente importante a dizer. Alguns acreditam em um sexto sentido; outros, que possuem o dom da adivinhação. Eu espero estar errado sobre tudo.
Quase todos os dias penso no trapezista, caminhando por sua vida, que nada mais é do que um fio fino e delicado. Um movimento em falso, uma promessa na qual possa acreditar, até mesmo um olhar pode lançá-lo ao abismo, onde a existência colide com a realidade.
Nem todos enxergam o fio.
Para muitos, o trapezista parece apenas seguir em frente, firme, quase seguro. Há quem admire sua coragem, sem perceber que não há escolha apenas a impossibilidade de parar.
E, ainda assim, ele segue.
Não porque acredita que chegará ao outro lado, mas porque aprendeu, cedo demais, que olhar para baixo é o verdadeiro começo da queda.
