Nosso Amor So Aumenta
Alforria das Palavras
Depois da ordem das coisas,
as pedras só podiam rolar,
tão certas quanto o vento,
que não indaga os caminhos.
Não havia mais o inverso.
De tudo, só as palavras
escapavam à sujeição.
Flutuavam livres,
no deslimite das coisas,
nas bordas do impossível.
Iam e vinham,
urgentes em se espalhar,
como quem entende os despropósitos da vida
sem jamais se perder.
As pedras sabiam o seu lugar,
mas a palavra, alforriada,
não se aquietava,
não se atava ao chão.
As pedras,
escravas de seu destino,
rolavam para cumprir o que lhes foi dado.
Enquanto as palavras existiam,
suspensas entre o céu e a terra,
preenchendo os vãos do não dito.
Asa de um lado só
Só tenho uma asa.
Um lado mudo de pássaro.
O céu me namora,
mas eu sou do chão.
Se tivesse duas,
voava em linhas tortas,
fazia rasantes no azul
e inventava nuvens novas.
Com uma só,
fico brincando com o vento,
sonhando ser passinho,
pés no chão e cabeça nos ares.
Quem sabe um dia,
no finalzinho da lida,
a asa murcha cresça
e eu, enfim, conheça o céu.
Minha asa pulsa,
como se já soubesse do infinito.
Uma asa é quase nada,
ou tudo — depende do corpo que sonha.
Eu olhei a tristeza nos olhos e acolhi a sua presença.
Quem sabe ela só precisasse de um ouvido generoso.
Eu olhei a tristeza nos olhos e a abracei demoradamente.
Quem sabe ela me abraçasse também.
Sentir um pouco de tristeza é fundamental para provarmos nossa humana capacidade de reinvenção.
Seria ela um sopro de felicidade em fase de germinação?
Eu olhei a tristeza nos olhos e encarei-a com esperança.
Dei-lhe um ombro macio e pedaços novos de velhos sentimentos.
Despedimo-nos. De mim, nada levou.
Eu olhei a tristeza nos olhos e a deixei ir.
Até a tristeza precisa de um adeus para partir...
Eu olhei a tristeza nos olhos e sorri.
“Toda vez que enfrento um dilema pratico o exercício de minha morte.
Na minha cabeça só assim se é possível enxergar as próprias vísceras.
A morte, ainda que encenada, me garante esse distanciamento necessário para não me deixar corromper com o objeto ou assunto por mim observado.
Só morto consigo ser imparcial.”
Em um mundo de relações tão liquidas só pode se sentir realmente realizado aquele que;
• descobriu a importância de se perseverar,
• que se alegra com o que já tem,
• que não desistiu de observar,
• que não ignorou a teimosia d'uma flor em brotar,
• que ainda se encanta em procurar, novidades na sua rotina.
MINHA SAUDADE
"Ninguém é um saudosista da dor, a saudade só atesta o que foi bom.
A saudade é o território dos meus sentidos!
Ela é como escada rolante que me carrega imóvel, é a parte de mim que nunca será palavra."
”A IDADE MÍDIA traz a voga o homo-idiotas só que agora com um grande adendo, mesmo se abstendo de olhar o coletivo e discutir política como no período helenístico, hoje estes tem o direito de falar.
E assim caminhamos a passos de moonwalker tendo como norte um destino certo, a involução.”
"Só bem de perto é possível perceber as sombras. Elas geralmente estão em oposição as atitudes, mudam suas formas conforme a necessidade de se abrigar da luz.
Desconfiei de quem insiste em caminhar apenas no escuro."
"A vida é muito corrida... quem deseja realmente viver precisa de algo para se prender. E só existem três coisas que tem este poder; a natureza, a poesia e você."
Logos
Em grego PALAVRA também é resultado. Não só um escrito, é ação. Além de invadir os ouvidos a palavra é ingerida pela boca. Tem gosto, tem cheiro, tem inteiração. Lendo a versão original de escritos que falam acerca do criador, percebi que para o verbo se fazer carne, profetas precisam ser poetas.
"A vida é muito corrida,
quem deseja realmente viver
precisa de algo para se prender.
E só existem três coisas que tem esse poder;
A natureza, a poesia e VOCÊ".
Por que desistir de alguém que tira um sorriso seu?
De quem te faz lembrar só porque ouviu uma música, um filme…
De alguém que é o seu último pensamento antes de dormir.
De alguém que te tira do chão e te faz ser a melhor pessoa do mundo, sem nem mesmo querer nada em troca.
Por quê?
Eis a questão! Não há motivo!
