Nosso Amor So Aumenta
O QUE ME IRRITA MESMO...
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Há certas coisinhas que acontecem no nosso dia a dia que nos deixam visivelmente irritados: ir ao cinema e ter o azar de sentar ao lado do indivíduo que nos antecipa as principais cenas do filme.
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Ou, então, uma pessoa bem alta senta na poltrona à nossa frente; o mastigado crocante - também no cinema - dos comedores de pipoca ou do ploc-ploc dos chicletes; rangido de porta, nos escritórios, enquanto aguardamos ser atendidos; em casa, apressado para sair, na hora de pôr perfume, a tampa do frasco escorrega, rodopia no chão e vai repousar lá no cantinho embaixo do guarda-roupa ou de outro móvel qualquer; concordar com pessoas que nos pedem opinião, mas que, na verdade, precisam é de apoio moral.
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O que irrita mesmo é subir no ônibus e aguentar, sem poder dizer nada, aquelas pessoas que demoram uma eternidade na roleta pagando a passagem.
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Um dia desses, final de tarde, observei: uma senhora gorda, bem parecida, apresentado sinais visíveis de neurose, aproximou-se da roleta e tentou nervosamente abrir a primeira bolsa.
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Depois dessa, havia aquela bolsinha onde elas guardam moedas. Mexeu, remexeu, e nada de as moedas aparecerem.
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Em cima da gaveta do trocador havia de tudo. Um verdadeiro bazar: amostra de tecidos, grampos enferrujados, pente, botões, sianinhas, carnê do Baú da Felicidade. O que se pudesse imaginar estava ali exposto na mesinha do trocador.
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O tempo foi passando, passando (como é seu costume), e eu me enervando. A essa altura, já me sentia uma bomba. Só faltava explodir. Não demorou muito. Chovia e ainda não me encontrava sequer dentro do ônibus. Muni-me de paciência - qualidade rara hoje em dia - e suportei heroicamente a primeira etapa dessa angustiante maçada.
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A segunda etapa vai do momento em que ela retira a moeda da bolsinha, até o pagamento propriamente dito.
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Não entrarei em minúcias, por questão de brevidade. Bom, depois da longa "lengalenga", pudemos respirar naturalmente. Pensamos nós, passageiros.
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Mas que nada. Aconteceu o inesperado: a bolsa da dita enganchou na roleta e começou o puxa-puxa. Puxa daqui, puxa de lá, e eu sei, gente, que finalmente chegou a minha vez de pagar.
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Meti a mão no bolso para tirar a carteira, tentando ser mais rápido que todo mundo, querendo, com isto, me vingar mentalmente... Não a encontrei. Se não fosse minha timidez congênita, teria feito aquele escândalo.
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Pior do que tudo isso, e já não era pouco, os outros passageiros, saturados pela gorda, não compreenderam meu problema - o roubo da carteira - e começaram a me xingar deliberadamente.
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Essa não! Aí não prestou! Um verdadeiro disparo - de blasfêmias - cruzou no ar, juntamente com bofetes e encontrões. Estava todo mundo ababelado, à mercê do que desse e viesse, quando de repente ouviu-se o disparo de um revólver. Ficamos estáticos, pálidos, mal respirávamos.
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Poucos minutos depois, cada um de nós olhou para a cara do outro, meio sem jeito. Era como se quiséssemos inquirir: - Precisava de tudo isso!? Um pouco mais de calma não teria resolvido a questão? Mas agora é tarde demais.
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O silêncio é rompido pelo autor do disparo, um guarda da Polícia Civil, que falou com aspereza:
- O coletivo está detido e vai agora mesmo para a delegacia!
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Chegamos. O delegado, como sempre, fez perguntas de praxe e no final não deu em nada. Algumas multas, advertências e pronto. Uma história a mais dos propalados transportes coletivos. Fim de linha, fim de conversa!
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1977
Podemos assemelhar nosso anseio por objetivos à visão no escuro, para enxergar o que se quer, deve-se olhar além.
A vida é como uma guerra da paz. Nós somos os soldados, Deus é nosso comandante, e cada um tem uma missão a cumprir.
Tudo que está fora do nosso mundo é alienígena. Assim como nosso mundo é alienígena para todo o resto.
Nosso tempo de vida é muito curto para a quantidade de conhecimento que a gente pode adquirir, e para a quantidade de cultura que a gente pode consumir.
Quando a gente muda e o nosso olhar muda, as coisas ao redor mesmo que sejam as mesmas, também mudam.
Eu mudei, você mudou, mas o que ficou no nosso caminho foi a sua hipocrisia, de se tornar o que um dia você já me criticou.
Não existe algo que dominamos, a não que seja o nosso próprio pensamento,
Tenho 12 anos a andar de bicicleta🚴 mas me deixa cair e todo mundo começar a rir, tenho 22 anos a andar a pé, mas tenho caído sem entender porque é que estou a cair! Logo não domino o meu próprio corpo. Mas o meu pensamento domino muito bem , mesmo que eu esteja embriagado não esquço de mim mesmo.
Depressão nos leva ao passado, ansiedade nos transporta ao futuro e as duas roubam nosso presente.
DV - 15/11/2020
mãe (in memorian)
Errar é humano, todos temos esse direito, pois no mundo em que vivemos nem nosso salvador conseguiu ser perfeito.
O tempo passa rápido, mas o que escolhemos fazer em cada momento pensando em nosso âmago, no quanto isso é beneplácito para o seu intelecto, estar disposto a seguir caminhos para os quais te façam enxergar o valioso sentido da vida, de ser quem é e se orgulhar por cada detalhe unicamente seu, isso vale ouro.
