Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Mantendo lembranças vivas
como quem planta camélias,
colhe e com elas se enfeita
por onde quer que se passe.
O espírito abolicionista sabe
que a justiça e a liberdade
ainda não chegaram de verdade
e pedem de todos continuidade.
O abolicionismo vigilante
e atuante deve ser mantido
como pacto pela Pátria inteira,
porque queira ou não queira.
Só assim teremos, enfim,
a tão sonhada harmonia perfeita.
Enquanto houver um só irmão
sob o jugo de qualquer senhor,
todos estaremos acorrentados.
Devemos afastar-nos do passado
que, mesmo sem pensar, ainda vive
nos velhos hábitos que nos prendem
e nos perpetuam como aprisionados.
A mesa brasileira é tão perfeita
por mais que alguns tentem,
não tem como alterar a ordem.
É tão magnífica a mesa brasileira
que dá para escrever coletâneas,
ela é indígena, africana, europeia,
e recebeu muitas outras influências.
Da mesa brasileira todos têm a sua
parcela pela contribuição da origem
que cada antepassado levou para esta terra.
Ninguém ou qualquer
situação rompe a paz
de quem assumiu a paz
como filosofia de vida,
sem precisar performar
para ninguém no dia a dia,
o que fascina ou não;
busca só o que faz bem
ao redor e ao coração.
A real autopreservação
feminina não é nenhum
pouco da boca para fora,
não tem nada a ver
com abrir trincheiras,
e nem carregar desespero
por qualquer validação:
é manter para si a direção.
Como a haste de uma
íris-da-praia em maio,
em alguma restinga
em Santa Catarina,
se dobra diante da força
das correntes, tal qual
reconhece quem é
ou não capaz de a deixar
de joelhos, e se tornou
o habitante dos secretos
e fascinantes devaneios.
Fincar-se na terra, semear-se,
permitir-se crescer, florescer
e frutificar-se como o pomar
de frutas doces entre rochedos
e os ventos, para alimentar
o pavão em todas as estações,
é o meu mais ambicioso plano,
literal, secreto e paradisíaco,
para a celebração romântica
da revelação do seu colorido
entre as minhas montanhas.
Obedientes ao rito da primavera
e à maturidade que exige
de ambos os dois pés na terra,
embora estejamos flutuando
e o tempo esteja passando
como o rio entre as pedras,
nossas mentes e corações
todos os dias se encontram,
desde o primeiro dia em que nos
conhecemos, estamos namorando.
São inatos nas nossas veias
a dedicação, a consciência e o sacrifício,
à altura dos desafios, em nome
das conquistas grandiosas
que incluem a honra e a liberdade.
Por isso, tornarmo-nos o grande amor
um do outro é inevitável,
porque está escrito no Universo
que, em breve, despejados dos egos,
reuniremos nossos hemisférios
como águias que não temem
cruzar céus e montanhas.
Seremos espada e escudo —
vitoriosos diante das batalhas.
Não tem nada a ver com clichê,
não existe ninguém como você,
e não preciso sequer reiterar.
Tens a capacidade de capturar
o voo dos meus sentidos
que, como falcões-peregrinos,
te aceitam como o mais
distinto de todos os ninhos,
e não reagem mais
a outros novos destinos.
Seja no sobrevoo ou fincada
nas terras das três Américas,
levo o código de reconhecimento
inabalável, com o fogo eterno
no coração e no pensamento.
Tal qual a dança das alvoradas
na Baía de Babitonga,
reconheço sem conta
que existe gente que conversa
a vida toda e não alcança
o que uma única mensagem tua
é capaz de comigo fazer:
Tu tens potencial completo
para inteiramente me render,
e tu às minhas mãos pertencer.
Mesmo quando se afasta
por qualquer motivo em silêncio,
não me aflito porque dentro
o porvir está sendo construído.
Diante do oceano que és,
como ave e livre poema,
sobrevoo com asas intensas
nas tuas regiões costeiras,
sem permitir que me vejas,
para abrigar-me nos manguezais
do teu consciente e inconsciente,
e ousar ser o pulmão e a respiração.
Súdita dos teus ensinamentos corajosos
que permanecem mesmo em fase
de maré bravia que a presença me priva,
a mente vira árvore e rochedo
onde o savacu-de-coroa se abriga.
Não apenas feita de algum sinal,
mas da raiz até a alma sambaquiana,
sob a proteção do Hemisfério Austral,
nas correntes da Baía da Babitonga,
pronta para com amor te tomar sem conta.
Porque reinar sob a glória do teu amor
a mim me destina com toda a honra
e pompa que sei que serei digna,
sob o teu olhar feito de fidalguia:
o desejo sedento, a adorável malícia,
e constelação que n'amplidão te ilumina.
Não sou militante. Não sou ativista. Não me declaro como tal porque não quero invadir o espaço de quem dedica integralmente a vida pelas causas da Humanidade. Respeito absoluto mesmo às vezes diante de uma ou outra discordância pontual.
Diante do teu olhar entreguei
beleza, mistério e poder
como a marianeira ao frutificar
generosa concede ao sabiá,
estamos dispostos a esbanjar,
e sei que a gente se envolverá.
O nosso silêncio há de vir
com a progressão voluptuosa
dos fatos e do encontro
para a gente envolver
a mente, o coração e a alma,
e com a mudez derreter.
De longe ando percebendo
quando fala ou pensa em mim,
até a sua respiração muda.
Isso não é sedução por acaso —
é o retorno à ordem universal:
o masculino e o feminino
em encontro se rendendo total.
Olhe para mim. O que passou, passou.
Não me interessa nenhum pouco
o que não pude fazer antes de te conhecer;
a sua peregrinação já me previa antes de ser.
O que importa é que, depois de mim,
toda carícia conhecida será esquecida,
e só irá obter o desejável êxtase
com a minha atemporal delícia.
Longe de mim querer igualdade,
o que desejo entre nós é intimidade.
Você foi feito para ser meu
com magnitude e intensidade,
nos teus toques que nos dissolverão
nos andares da alta sedução,
como âmbar e mel em fusão.
Ser além da curva com reverência,
acariciado com a minha presença
e adorado na alma por eu que
sei como solenemente cortejar,
e não irei jamais precisar implorar.
Sempre que for necessário,
virei ou receberei sem pedir
por tudo aquilo que é meu
por natureza: a sua entrega total
para alcançarmos juntos o sideral.
Irretratável, coloco-me à mostra:
sem timidez, como uma artista de rua
que se expõe diante de ti em praça pública,
onde és o único pedestre e interesse
que com gentil presença permeia
hipnótico de uma indescritível maneira.
O mundo não me tem dito mais nada.
Até agora vivi entre os calendários
e os relógios — até descobrir
por antecipação que há poemários
em a serem traduzidos e lidos
sob todas as luzes e ângulos.
Irretocável e irrefreável, trazes-me
perto do pomo inexorável
dos teus fascinantes lábios,
Quero eu te apresentar os meus
lábios e também os astrolábios.
Faço a evocação à sua força
e a sua serenidade porque o que
importa é o ápice além zênite
e a curva onde alcança o nadir
desde que se encontrem em seu poder;
sob as formas alquímica e de obra-prima
para nos labirintos da sedução e do prazer,
entrarmos em alinhamento e na sintonia
do beija-flor que com a caliandra se alinha.
Quando a tua pele solar
unir-se à minha lunar,
como doce maldição,
irei nos braços embalar
contínua e implacável...
No mar de amor, colada
ao teu coração
que pensava que ia brincar,
Sussurrarei elogios:
— Os ais favoritos teus
que sempre serão advindos
do coração e da alma
unidos aos meus...
Porque sou um mistério
que hemisfério nenhum desvendará,
E como um peixe experiente,
sei enfrentar tempestades em alto mar.
Assim, os teus suspiros
serão capturados pelos meus,
Desse amor feito de laços infinitos...
convictos não iremos escapar.
Não me tirem como feminista, não sou feminista e nem anti-feminista, apenas não sou feminista e tenho apreço pelo meu idioma sufocado pela contemporaneidade.
A palavra poetisa é substantivo feminino e a fantasia contemporânea suprimiu ela dos espaços femininos.
O complexo de inferioridade e a ignorância de algumas mulheres que escrevem poesia que ideologicamente pregam que usar a palavra poetisa nos coloca numa condição de inferiores, é prejudicial no mundo digital para muitas outras que também escrevem.
Conclusão prática: Os marcadores do Google sempre acabam me marcando como se eu fosse do gênero masculino. Eu considero isso apagamento digital do meu gênero.
Eu sou mulher que escreve poesia e tenho apreço pelo Português Brasileiro. Eu sou poetisa e ponto final.
Não te quero como dependente,
desejo-te como território livre,
tão livre que escolha ficar ou ir,
e que só possa morar o amor
até quando pensar em desistir.
Tal qual as petúnias-nativas
nas encostas serranas do sul a escalar,
e pelos campos de planalto
a me espalhar, pouco a pouco,
em ti tenho feito o meu lugar.
O solstício de inverno dança
hoje sobre o Hemisfério Celestial Sul,
Rendo-te a sagração inaugural,
por perceber a aproximação primal,
é inexplicável sentir pairar o inevitável.
Imparável diariamente tem sido
ler os olhos e os detalhes bonitos,
em todos tenho-me reconhecido,
e em vez de sentir inquietação:
sinto tudo muito mais tranquilo.
Na tua madrugada
surjo como galáxia,
A sua atenção trago
toda concentrada.
Balança a ventania
a Canela-sassafrás,
A aurora em sintonia
solene acompanha.
O aroma das flores
paira e aqui fica,
e de mim não desliga.
Trago o carinhoso
sopro de harmonia,
paz, fé e amor para a sua vida.
Como brasileira, sou nacionalista romântica, considero a minha segunda cidadania a sul-americana, sou latino-americanista radical com pendência ao panamericanismo, político-filosoficamente sou transcendentalista porque é a ideologia mais genuína das Américas.
Nossos pulsos magnéticos
plenos no disco de acreção
como estrelas de nêutrons,
Quando houver escuridão
para agir com intimidade,
e agarrar a oportunidade.
[Elucidação e intensidade].
Braço Espiral de Perseu
recebe e envolve como
a tua Nebulosa da Carina,
Começamos a encontrar
tudo o que magnetiza
e por inteiro nos reinicia.
[Seduzidos pela sinergia.]
Eu nunca fui militante, mas como observadora da cena, compreendo que ser militante não é espantar as pessoas, e sim atrair as pessoas, e penso que o divergente que não cruza a linha da falta de respeito pode se tornar um aliado, e até mesmo um amigo.
