Nosso Amor como o Canto dos Passaros

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Oh, pais irresponsáveis!
Serão vocês por acaso,
Máquinas de indústria de bonecos
Ou se esquecem que dentro destas veias
Corre um sangue vivo e inocente?...

É preciso sonhar e viver com os pés no chão, mas, se preciso for, a gente voa também!

Por que será que quando éramos pequenos brincávamos com qualquer coisa e depois que crescemos ficamos tão exigentes?...

Coisa boa é não pensar em nada e dar um descanso para os meus neurônios, afinal eles merecem.

Prefiro ser um homem do povo do que fazer parte desta política sórdida!

Que bom levantar, orar e agradecer a Deus por mais um dia! Muito obrigado Senhor!

Ei amiga! Boa noite! Que os anjos do céu possam cuidar bem de você e de todos os seus durante essa noite! E viva São Francisco de Assis! Beijos.

Você anda muito pensativa! Pense menos e viva mais!

Só levamos desta vida a vida que aqui vivemos! Boa noite!

Olhar penetrante, lábios de mel, rostinho lindo descido do céu! Beijos.

Um fósforo com sua pequena faísca pode botar fogo no mundo! Cuidado!!!

Hoje eu acordei pensando em você! Bom dia e boa semana! Beijos.

Boa noite, amigos! Que Deus nos abençoe e proteja sempre! Abraços!

Que bom estarmos juntos outra vez!

⁠A beleza do mar não pode ser vista se não for sentida.

CASUALIDADE

Daquele dia...
Lembro-me de duas coisas,
A taça quase vazia de vinho
E um longo sorriso doido.
A taça de vinho é fácil reproduzir.
O mesmo sorriso, jamais!

O valor das coisas está no tempo que elas duram, porque a intensidade é um afago cruel quando se torna lembrança.

O Lamento das Coisas

Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos
O choro da Energia abandonada!

É a dor da Força desaproveitada
- O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!

É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza....
Da luz que não chegou a ser lampejo...

E é em suma, o subconsciente aí formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Vozes da morte

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Vencedor

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração — estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois de um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...
E não pôde domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.