Nosso Amor como o Canto dos Passaros
O SILÊNCIO DO NOSSO ADEUS
Há despedidas que não se pronunciam. Elas não se fazem em voz alta, nem se escrevem com gestos dramáticos. Instalam-se na alma como um inverno interior, lento e definitivo.
O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo.
Há algo de antigo e solene em certas separações. Como nos ritos arcaicos em que o fogo se apaga sem espetáculo, apenas com a dignidade de quem cumpriu sua função. O amor, quando verdadeiro, não se degrada em escândalo. Ele recolhe-se.
O mais doloroso não é partir. É permanecer por instantes no limiar, sentindo que o que foi intenso agora se converte em memória. E a memória não abraça. Ela apenas ecoa.
Nosso adeus foi assim. Um entendimento tácito. Um acordo silencioso entre duas consciências que se respeitam. Não houve acusações, nem dramatizações, apenas a gravidade de quem reconhece o fim de um ciclo.
O silêncio, nesses casos, não é fraqueza. É maturidade. É a forma mais elevada de respeito. Porque quando se ama de modo honrado, até a despedida preserva a dignidade do que existiu.
E assim seguimos. Não como estranhos, mas como capítulos encerrados com sobriedade. Pois há histórias que não terminam em ruínas, terminam em silêncio. E esse silêncio, embora doa, é a prova de que um dia houve verdade.
Dói aceitar que o nosso 'para sempre' tinha prazo de validade, mas dói ainda mais tentar segurar uma mão que já soltou a minha. Te liberto para, finalmente, me devolver a paz.
Amar você foi o erro mais bonito que cometi; dói saber que o nosso 'para sempre' virou apenas uma cicatriz.
Dizem que a vida é o nosso bem mais precioso, mas de que serve a vida se ela não for compartilhada com você? Eu a entregaria sem hesitar para te ter aqui.
Desistir de você nunca foi um plano meu, mas ver o nosso 'nós' virar fumaça nas suas mãos foi a despedida mais dolorosa que já vivi.
Olho para nós e vejo que cada capítulo valeu a pena. Amar você é o meu destino, e o nosso sonho? Esse não tem fim.
Existem momentos que a gente guarda para sempre, e o nosso encontro naquele banco de praça é o meu favorito. Entre sua timidez e o seu olhar meigo, aquele beijo selou uma lembrança que nem o tempo apaga.
Dois corações machucados que, de repente, encontraram um motivo para sorrir. O nosso encontro não foi um acaso e nem um simples esbarrão; foi o universo provando que, mesmo com marcas do passado, a gente ainda pode ser o recomeço um do outro.
A solidão só domina quando esquecemos que o nosso brilho interno é capaz de iluminar qualquer vazio.
Dói aceitar que o nosso 'para sempre' virou um 'era uma vez', e que agora só nos encontramos no silêncio das minhas lembranças.
Nosso encontro é de alma — já estava escrito. Apenas nos reencontramos para selar o que o tempo aguardava.
PENSAMENTO OFF...
Não é que a gente esquece e sim o nosso pensamento que dá um tempo e adormece, porque também cansa de esperar aquilo que nunca acontece…
