Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Se eu flutuar como uma águia, se eu flutuar como um avião, mas não tiver asas. Eu tenho o céu magnífico na minha cabeça para enchê-lo com os meus pés no chão e para criá-lo com a minha imaginação no horizonte.
A cortina que se abre
A nebulosidade é uma cortina,
como o acordar de um novo dia,
a desobstruir seus mistérios,
sendo esses de complexidade,
sendo esses de beleza,
suas emocionantes paisagens,
e seus vulcões de avareza,
é a cortina que se abre,
para os aventurantes do aqui e acolá,
carregando suas malas de futura experiência,
colecionando suas malas de momentos de passado,
o presente é a cortina de névoa,
que se abre e revela,
com seus mistérios e surpresas,
e a bagagem,
são experiências de vivências,
quando a gente abre a cortina,
a luz aflora,
quando a gente abre o coração,
o amor aflora,
quando a gente abre a mente,
a natureza aflora,
tudo no seu tempo,
cada um no seu momento.
O eremita
Era uma homem com visões pequenas
Num mundo gigante de possibilidades
Era um homem como um grão de areia
Na imensidão do deserto desconhecido
Era uma homem que não achava graça
Nas pequenas formigas
Caminhantes com folhas pesadas
Quando por fim decidiu sair da casa
Em volta da imponente ilha de Manhattan
Pra cruzar a América até o Panamá
Uma vida de eremita foi desbravar
Do frio do Norte aos dias quentes do sul
A floresta Amazônica o fez notar
Que as paredes do mundo são coloridas
E os céus são infinitos
Era um homem que cruzou
O Atlântico até a África
Descobriu um declive no chão
Cheio de canais
Que transportavam fios
Como veias que bombeavam
Sangue na água
Desembocou num gigante coração dourado Foi por terra acompanhar as pegadas
O pedaço do coração havia migrado
Tornando-se castelos, filosofia e arte
Era um homem eremita
Que cruza o Atlântico
De volta para a América do Norte
Ao observar as formigas
Não estavam mais pequenas
Ao observas as quatro paredes
Não eram mais fechadas e duras
Folhas de primavera
Corações esparsos como folhas
Corações que voam como folhas
Nascem dos caules endurecidos
Flutuam para amolecer corações enrijecidos
Nos vastos cenários da vida
A decretar a beleza em liberdade
A certeza da infinidade
Nas suas infinitas cores
De primavera
Folhas flutuam a trazer
Os sinais de esperança
Folhas flutuam a anunciar
A temporada de luz
Do caule endurecido
Com o tempo se desprendem
A gozar da liberdade
Como os pássaros
Nas suas infinitas cores
De primavera
O céu
Posso flutuar como uma águia
Posso flutuar como avião
Mas se não tiver asas
Tenho um céu magnífico na cabeça
Pra sonhar, pra imaginar
Pra almejar se chegar
No céu do infinito, no céu do paraíso
Sem limites, mesmo com os pés no chão
Para quem olha pra cima e sonha alto
Não há caminhos para pernas paradas
Não há esperança para mentes travadas
No céu moram os anjos para nos abençoar
O céu traz esperança pra caminhar
O céu traz o horizonte pra se enxergar
Quando suas cortinas de nuvens se abrem
Decreta um novo dia que irá começar.
Mulher de cristal
Nela a beleza é decretada
Quando se olha é água da fonte
Brilhante como o crepúsculo celestial
Fascinante como o sobrenatural
O reflexo cega os olhos
Confunde os sentidos
Tanta beleza num só mirífico
Sereia desnuda
Ornamentada pelas águas
Com vestido de cascata
Cabelos de itororós
Coroa de gálio
Desfilando na angra de cristal.
A rosa
Seus olhos brilham como rubi
Refletem os verões e os invernos
As flores verdejantes e os aromas apaixonantes
A inspiração de se entregar
Imaginações inquietas tomam formas
Espelho inteiro que reflete a beleza do jardim
Onde só há concreto
E pedaços de raizes perdidas na calçada
A pressa exarcebada dos lobistas ansiosos
Seus olhos de vinho docificam o tônus da sua face
Suas mãos calejadas ficam suaves
Como brisa que arrepia a pele
Seus olhos são reflexo
De tudo que tem romance
Você é como uma rosa que permanece
Cheia de pulcritude e perfume
Colorindo o centro da sala.
Aquela areia do passado é desmachada pelos ventos. Nada é como antes, nada fica igual, nem os grãos.
As dunas do passado quando assombram o presente, precisam de ventos fortes pra desmanchar e
abrir os caminhos. Tudo se integra e desintegra como areia para novos começos e recomeços.
Areia que voa, como ciclos que se integram e desintegram, formam e desmancham. Desliza nas mais variadas formas, que serve de chão quando endurecida pra sustentar a confiança, e pó quando dispersada pra firmar a esperança. Nas andanças da vida, de um lado para o outro, um eremita caminhante como um grão.
Plante sonhos, como sementes, deixe germinar, enriqueça a terra, afinal tudo que existe no mundo, seja qualquer prédio emergido do chão, foi um sonho!
Nenhum erro é em vão...o erro é como uma chave tentante na fechadura errada...
o desencaixe... que indicará a porta certa!
Dias são como pinceladas numa tela em branco, cheia de tentativas, borrões, sombras e luzes a culminar na obra de arte.
Não espere as 'sortes' saiba construir suas 'pontes'. Afinal as sortes passam como o apagar das chamas de uma vela, logo terá que acendê-la da noite, assim como a ponte, que garantirá sua sustentação.
Feridas cicatrizadas podem ser como amores rompidos, avassaladores, mas quando curados tornam-nos mais resistentes e racionais.
Fortalecer a mente contra desapontamentos constantes é como reparar as vigas da ponte ruminadas por terremotos a se preparar com técnicas mais robustas pra futuros incidentes. Resistir pra persistir é como trocar braços por asas a chegar cada vez mais ao cume da sabedoria.
