Nossa Amizade Nao Acabou
Netanyahu, genocida! A história está para sempre, não manchada, mas rasgada, enlameada e pisoteada por tamanha abominação!
Não sei se o destino escreveu nossos nomes
na mesma página,
ou se o universo apenas cruzou
duas almas cansadas de procurar.
Só sei que, desde você,
o impossível deixou de ser lenda.
As bruxas passaram a existir,
as sereias deixaram de ser mitos,
e os feitiços ganharam o teu nome.
Porque há pessoas
que chegam como passagem.
Você chegou como permanência.
E, se um dia me perguntarem
qual foi o maior risco que corri,
não direi que foi amar.
Direi que foi encontrar alguém
capaz de transformar
o meu coração
na morada da própria alma.
Pois você continua sendo
o meu pensamento mais perigoso...
Não porque me destrói,
mas porque me faz acreditar
que existem encontros
que nenhuma explicação alcança.
Para: Bruxinha.
A Dança das Almas
Dançar com você despertou em mim
uma sensação que eu não sabia nomear.
Era leve, intensa, prazerosa...
como se cada passo revelasse
uma parte de mim que estava esquecida.
Teu corpo junto ao meu,
o encaixe perfeito em cada melodia,
como se a música conhecesse
o caminho exato até a alma.
Ah... o calor dos teus braços.
Tão incrível, tão magnífico,
tão surreal,
que por alguns instantes
o mundo inteiro pareceu silenciar.
Éramos duas almas cansadas
de viver pelos outros,
de esquecer de si mesmas,
e que encontraram, na dança,
um breve refúgio para simplesmente existir.
Foi então que compreendi:
gosto de dançar com você
porque sei que, se meus pés falharem,
suas mãos me conduzirão de volta ao ritmo.
E, ao seu lado, a vergonha desaparece.
Não preciso fingir, esconder ou parecer.
Quando você está por perto,
eu apenas sou.
E talvez essa seja
a mais bonita de todas as danças.
Antes do Abraço.
Engraçado, não é?
Tudo começou
com um simples aplicativo de mensagens.
Algumas palavras,
algumas risadas,
e, sem que percebêssemos,
uma amizade começou a criar raízes.
Hoje,
já não me vejo
sem você por perto,
mesmo que esse "perto"
caiba apenas na tela de um celular.
Foi o seu jeito.
Suas manias,
sua teimosia,
essa vontade bonita de viver
e a forma tão única
de enxergar o mundo
que me fizeram permanecer.
Dizem
que a distância afasta.
A nossa,
fez o contrário.
Transformou mensagens
em presença,
silêncios
em companhia,
e o tempo
na prova mais bonita
de que uma amizade verdadeira
não precisa dividir o mesmo lugar
para encontrar morada no coração.
Três anos...
e, ainda assim,
nunca dividimos
o mesmo abraço,
o mesmo caminho
ou o mesmo pôr do sol.
Mas dividimos
alegrias,
medos,
lágrimas,
conquistas,
esperas
e tantos dias,
que a distância
já não consegue medir
o tamanho do nosso laço.
Às vezes,
conto as horas
imaginando o momento
em que finalmente
vou te encontrar.
Não para descobrir
quem você é,
porque isso
eu já sei.
Mas para confirmar,
em um abraço,
tudo aquilo
que o coração
já conhece há muito tempo.
E, quando esse dia chegar,
não será o começo
da nossa amizade.
Será apenas
o encontro
de duas almas
que a vida apresentou
por uma tela,
mas que o coração
fez questão
de guardar para sempre.
Porque existem pessoas
que chegam por acaso,
outras pela tela.
Mas há aquelas,
raras,
que atravessam qualquer distância
e fazem do afeto
o lugar mais bonito
para chamar de lar.
Para: Larissa 💌
Há desejos que não encontram voz.
Não por vergonha,
mas porque algumas vontades
são grandes demais
para caberem em qualquer palavra.
É estranho como a ausência
é capaz de aproximar.
Quanto mais distante você está,
mais perto mora dos meus pensamentos.
Talvez o mais perigoso
não seja imaginar um encontro,
mas perceber que, antes mesmo dele acontecer,
você já mudou a forma
como o meu coração aprende a sentir.
E sigo assim:
entre a coragem de confessar
e o silêncio de guardar.
Porque existem desejos
que não precisam ser vividos
para deixarem marcas.
A Coragem de Dizer Adeus
Eu deixei você partir.
Deixei.
E não houve um único instante
em que essa escolha
não atravessasse meu peito
como uma despedida sem fim.
Doeu ver suas lágrimas,
doeu perceber seu coração se partir,
mas doeu ainda mais compreender
que permanecer
seria continuar ferindo
quem eu mais queria proteger.
Então fui embora.
Não porque deixei de amar,
mas porque precisava aprender
a caminhar sem o abrigo da sua presença,
a enfrentar meus próprios medos,
a sobreviver às minhas tempestades
e a compreender as minhas próprias loucuras.
Você foi o sonho
do qual eu nunca quis despertar.
Um daqueles encontros
que fazem a vida parecer mais leve,
mais bonita,
mais cheia de esperança.
Mas até os sonhos mais belos
acabam encontrando o amanhecer.
Eu lutei contra mim mesma.
Tentei não manchar
o amor tão puro que você me ofereceu.
Tentei preservar o brilho
que existia nos seus olhos quando me olhava.
Mas foi inevitável.
Foi inevitável decepcionar você.
Foi inevitável descobrir
que o amor, às vezes,
também precisa ir embora
para não se transformar em sofrimento.
Não sei quanto tempo
você levará para se curar de mim.
Talvez hoje exista raiva.
Talvez amanhã você deseje
que eu nunca tenha cruzado o seu caminho.
E eu entenderei.
Porque algumas feridas
precisam sangrar
antes de aprenderem a cicatrizar.
Tive que deixar você ir,
para aprender, enfim,
a viver por mim.
E espero que, quando o tempo
silenciar toda essa dor,
você consiga enxergar
que minha partida
nunca foi ausência de amor.
Foi, talvez,
a forma mais difícil de amar alguém:
abrir mão da própria felicidade
para que a outra pessoa
voltasse a encontrar a sua.
Se um dia lembrar de mim,
não guarde apenas a dor do adeus.
Lembre-se também
de que houve alguém
que amou você com toda a intensidade que podia,
mas que precisou partir
porque, às vezes,
o amor também se revela
na coragem de dizer adeus.
Onde o Mundo Não Nos Alcança
Se você quiser,
podemos fugir para um chalé,
ver o sol se despedir no mar
e esperar a lua vestir o céu de estrelas,
como se o universo nos lembrasse
que toda despedida também anuncia um recomeço.
Se você quiser,
podemos fugir para qualquer lugar.
Não importa o caminho,
nem a distância.
Às vezes, o melhor destino
é aquele onde a mente silencia
e o coração finalmente encontra paz.
Eu sei...
é fácil falar.
É fácil sonhar com um lugar
onde a dor não nos encontre.
Mas, se você aceitar,
nem que seja por um único dia,
quero caminhar ao teu lado
até que o peso nos teus ombros
pareça um pouco menor.
Nem que seja por apenas uma noite,
vamos esquecer os relógios,
desligar o mundo,
deixar os celulares de lado
e permitir que o som das ondas
fale tudo aquilo
que nunca conseguimos colocar em palavras.
Vamos rir sem motivo,
dividir o silêncio sem desconforto,
sentir o cheiro da chuva chegando,
o calor de uma xícara de café entre as mãos,
a brisa bagunçando os cabelos
e a certeza de que ainda existem momentos
capazes de curar o que o tempo não conseguiu.
E quando o amanhecer pintar o horizonte,
talvez os problemas ainda estejam esperando por nós.
A vida dificilmente muda em uma noite.
Mas nós mudamos.
Porque existem viagens
que não servem para fugir da realidade,
e sim para nos lembrar
de quem éramos
antes que o mundo pesasse tanto sobre nós.
Então...
se você quiser,
podemos fugir.
Nem para esquecer a vida,
nem para escapar dela.
Mas para lembrar
que ainda existe beleza,
que ainda existe calma,
e que, às vezes,
o melhor lugar do mundo
é aquele onde alguém segura a nossa mão
e faz qualquer lugar parecer casa.
Se Eu Chegar até Você.
Se eu visitar os teus sonhos esta noite,
não desperte assustada.
É só a saudade encontrando um caminho
que a distância não conseguiu impedir.
Se eu estender a mão
e te convidar para dançar,
não procure pela música.
Alguns corações conhecem o ritmo
antes mesmo da primeira nota tocar.
Se eu brincar com os teus cabelos,
desfazendo cada fio no vento,
perdoa a minha bagunça.
Há afetos que só sabem existir
através dos pequenos gestos.
E se, por acaso,
o meu nome atravessar os teus pensamentos,
que ele venha acompanhado de um sorriso.
Lembra de mim rindo alto,
contando as piadas mais sem graça do mundo
como se fossem as melhores já inventadas.
E quando o cansaço da vida
pedir apenas silêncio
e uma companhia que não faça perguntas,
me chama.
Eu atravesso qualquer distância
para dividir o mesmo horizonte,
o mesmo banco,
o mesmo instante.
Não prometo consertar os teus dias,
nem apagar as tempestades do caminho.
Prometo apenas ficar.
Porque o meu carinho
nunca precisou de grandes feitos.
Ele mora nas coisas simples:
em uma conversa,
em um abraço demorado,
em um olhar tranquilo,
na certeza de que,
ao meu lado,
você pode descansar.
E, se um dia perguntarem
qual era a minha maior vontade,
a resposta será sempre a mesma:
ser o lugar
onde o teu coração
se sente seguro para existir.
Entre ruas e memórias
Eu não te levaria para Barcelona.
Te levaria para conhecer a Itália,
o país pelo qual nós dois temos uma fascinação em comum.
Caminharíamos por ruas que atravessaram séculos, admirando cada detalhe como quem descobre um novo mundo.
Te levaria para ver o Coliseu,
onde o tempo parece ter parado,
e para contemplar as mais belas obras de arte,
porque algumas delas só podem ser compreendidas quando vistas com o coração.
Também te levaria
ao país onde a sua cantora favorita
empresta a voz a canções
que atravessam tantos corações,
e onde a língua soa como poesia,
tão sedutora
que até o silêncio parece ter sotaque.
Faríamos questão de nos perder
pelas pequenas ruas de pedra,
tomar um café em uma praça qualquer,
ver o pôr do sol colorindo os telhados antigos
e descobrir que as melhores lembranças
nascem dos momentos que não estavam nos planos.
Mas, para falar a verdade...
O meu lugar favorito nunca seria um país.
Seria qualquer canto do mundo
onde eu pudesse segurar a sua mão,
ver o brilho dos seus olhos diante de algo novo
e guardar, em silêncio,
a felicidade de estar vivendo aquilo ao seu lado.
Porque existem lugares inesquecíveis,
obras que desafiam o tempo
e paisagens que roubam o fôlego.
Mas nenhuma delas
seria mais bonita
do que a expressão do seu rosto
ao viver tudo isso pela primeira vez.
No fim,
eu não te levaria apenas para conhecer a Itália.
Eu te levaria
para colecionarmos memórias
que nem o tempo
seria capaz de apagar.
Dois Oceanos.
Você me disse:
"Se quiser me conhecer de verdade,
não se contente com a minha superfície."
E eu entendi
que havia um oceano
escondido atrás do horizonte
dos seus olhos.
Então você sorriu
e fez um convite ainda mais difícil:
"Se quiser conhecer o meu oceano,
permita que eu conheça o seu.
Mas já adianto:
não vai ser fácil."
Foi nesse instante
que compreendi
que algumas pessoas
não querem ser admiradas.
Querem ser descobertas.
Então abri as portas
do mar que existe em mim.
Disse que,
para conhecer o meu oceano,
seria preciso enfrentar
ondas gigantes,
aceitar o peso
de alguns mergulhos
e permanecer submersa
até encontrar o caminho
de volta.
Você não recuou.
Apenas respondeu:
"Eu não tenho medo do seu oceano.
Sei que existem ondas,
profundezas
e partes difíceis de atravessar."
E, pela primeira vez,
o medo de ser demais
encontrou alguém
que não desejava ir embora.
Foi então que percebi
que talvez
os maiores encontros
não aconteçam
em águas calmas.
Acontecem
quando duas pessoas
escolhem mergulhar
uma na outra,
sem prometer ausência de tempestades,
apenas a coragem
de continuar nadando.
Por isso,
nunca vou me cansar de repetir:
Venha desvendar os meus códigos.
Talvez você seja
a primeira pessoa
que, depois de decifrar
todos os meus mistérios,
escolha ficar.
E, se um dia
você me permitir,
prometo fazer do seu oceano
o lugar onde
até as tempestades
soam como poesia.
Porque, no fim, descobri que oceanos não procuram quem saiba nadar.
Procuram quem tenha coragem de permanecer,
mesmo quando a profundidade assusta.
Talvez esse seja
o verdadeiro significado
de conhecer alguém: não desvendar
todos os seus mistérios; mas escolher voltar, todos os dias, sabendo que sempre existirá
mais um oceano para explorar.
E tudo bem.
Porque algumas pessoas
não foram feitas
para serem decifradas.
Foram feitas
para serem escolhidas,
onda após onda.
- Sereia 💖
Enquanto eu sonhava!
Se for um sonho,
deixem-me sonhar.
Não me acordem,
não me despertem.
Deixem-me acreditar
que, enfim,
encontrei o paraíso
onde minha alma aprendeu a descansar.
Há um lugar
onde o tempo esqueceu de passar,
onde o silêncio tem cheiro de mar
e a paz não faz perguntas,
apenas convida a ficar.
Nesse horizonte,
cabelos da cor do sol
tocam a luz sem pedir licença,
como se o próprio amanhecer
tivesse encontrado um rosto
para nascer.
E há um sorriso...
tão discreto
que o mundo quase não percebe,
mas quem aprende a olhar
o guarda para sempre.
Sonhei com o paraíso.
E havia alguém.
Não sei se era destino,
miragem,
lembrança de um futuro
ou um desejo
que se cansou de viver apenas em silêncio.
Só sei
que desde esse sonho
a realidade parece pequena demais
para conter o que senti.
Tenho medo de despertar.
Medo de abrir os olhos
e perder o caminho
que me leva até você.
Medo de que a manhã,
tão certa de si,
leve embora
aquilo que a noite
me confiou em segredo.
Então,
por favor,
não me despertem.
Há sonhos
que não imploram para se tornar realidade.
Basta que existam,
porque existem presenças
que o coração reconhece
antes mesmo de lhes dar um nome.
E, se for preciso viver entre o sono e o amanhecer,
que seja.
Pois, ainda que o mundo me acorde,
uma parte de mim
continuará sonhando...
na esperança silenciosa
de voltar ao lugar
onde o mar aprende o seu nome,
o sol encontra os seus cabelos
e minha alma,
pela primeira vez,
descansa.
Sabor Maresia
Decorei o perfume do teu corpo sem querer,
e desde então não soube mais te esquecer.
Procurei em flores, na chuva, no mar,
mas teu aroma não se deixa imitar.
Tens cheiro de vento beijando o litoral,
doce e salgado, divino, ancestral.
Brisa serena, desejo contido,
mistério guardado, segredo escondido.
Sabor Maresia... assim te nomeei,
pois nome melhor eu nunca encontrei.
Não é perfume, essência ou flor;
é pele que veste o próprio amor.
Será que existe em algum lugar
um frasco capaz de te engarrafar?
Ou foi o mar, com ciúme de ti,
que fez teu perfume nascer só ali?
Se fecha os olhos, ainda posso sentir
essa lembrança insistindo em florir.
E toda fragrância que o mundo me traz
perde-se inteira... jamais te refaz.
Porque teu cheiro não mora no ar,
nem em jardins, nem em qualquer mar.
Mora na ausência que insiste em ficar,
e em cada saudade que vem me visitar.
Se um dia perguntarem o que nunca esqueci,
não direi teu nome, nem falarei de ti.
Direi apenas, com um sorriso fugaz:
"Conheci uma vez...
alguém que tinha sabor de maresia."
Onde o Sonho Não Tem Medo
As entrelinhas jamais mentiram,
foram os silêncios que primeiro falaram.
O suspense vestiu-se de luar,
mas os fatos, discretos, vieram revelar.
Nunca fui feita para esperar,
há verdades que recusam se calar.
Pois viver de mistério é sobreviver,
quando a alma só deseja acontecer.
A realidade ergue muros ao redor,
faz do perto um caminho bem menor.
Afasta os passos, aprisiona a emoção,
e ensina saudade ao próprio coração.
Por isso escolho o país do sonhar,
onde ninguém pode me proibir de ficar.
Ali, teu nome é abrigo e clarão,
escrito em segredo na palma da mão.
Se minhas palavras tocaram tua dor,
não nasceram da falta de amor.
Nasceram do peso de um querer calado,
que aprendeu a existir do lado errado.
Então me escuta, sem medo de ver:
é no sonho que ainda encontro você.
Lá o impossível esquece o próprio nome,
e o tempo, por um instante, não nos consome.
Não peças ao destino outra direção,
nem desafies os ventos da razão.
A vida, aos poucos, tem me ensinado
que até o caos pode andar compassado.
Hoje abraço o fogo sem me consumir,
aprendo a sentir antes de partir.
Minha intensidade já não quer vencer;
ela apenas deseja florescer.
Porque descobri, no silêncio do mar,
que a força não está em deixar de amar.
Está em guardar, como um segredo profundo,
o sonho mais bonito que não cabe no mundo.
As Lágrimas que Não Caem
Já sentiu a tristeza chegar sem fazer alarde,
como a noite abraçando o fim de uma tarde?
Ela entra sem pedir licença ou perdão,
faz morada no peito e silêncio no coração.
Há dias em que tudo parece pesar,
e a alma só deseja o direito de chorar.
Mas meus olhos aprenderam o idioma das secas,
como rios perdidos entre lembranças desertas.
Não sei por que sou assim, tão fechada em mim,
nem quando o silêncio passou a morar aqui.
Talvez eu tenha aprendido, sem sequer perceber,
que algumas dores sobrevivem sem nunca dizer.
Não sei o que sinto, nem sei explicar,
só sei que há um vazio difícil de nomear.
É um aperto no peito, um nó na respiração,
uma ferida invisível sangrando o coração.
Dentro de mim, tempestades rompem o horizonte,
mas o céu dos meus olhos jamais se desmonta.
O pranto se perde antes mesmo de nascer,
como se até as lágrimas tivessem medo de viver.
Quis chorar...
Mas até o choro parece ter me esquecido.
Enquanto o mundo pergunta se está tudo bem,
eu visto um sorriso e respondo baixinho: "sim".
Ninguém escuta o barulho do que desaba por dentro.
E talvez o mais cruel não seja a tristeza,
mas querer desabar e permanecer de pé;
sentir a alma implorando por alívio,
enquanto o peito aprende, em silêncio, a sofrer.
Então sigo...
Carregando um oceano inteiro preso nos olhos,
uma tempestade acorrentada na alma,
um inverno escondido entre os meus versos
e um coração que descobriu, tarde demais,
que existem lágrimas que nunca tocam o chão.
Elas escorrem por dentro,
afogam o que ainda resta de luz,
fazem da esperança um sussurro distante
e da saudade uma morada.
Porque nem todo choro molha o rosto.
Há lágrimas que escolhem o silêncio.
E são justamente essas...
as que mais doem.
Conexão
Isso se chama conexão.
Não nasce do acaso,
nem se explica pela razão.
É quando duas almas cansadas
encontram repouso no mesmo coração.
Feridas pelo tempo,
pela ausência e pela solidão,
descobriram, uma na outra,
o mais raro abrigo:
a paz da conexão.
Não precisam estar juntas
a cada amanhecer ou anoitecer,
pois há laços que desafiam a distância
e continuam vivos sem se perder.
A verdadeira presença
não se mede pelo toque da mão,
mas pelo silêncio que conforta,
pela calma que invade o coração.
Eram intensas demais
para viver pela metade,
romperam as velhas correntes,
abraçaram a própria liberdade.
Escolheram caminhar sobre os muros,
onde poucos ousam permanecer,
pois quem enxerga além dos limites
aprende uma nova forma de viver.
Talvez o mundo chame de acaso,
talvez alguém diga que é destino.
Mas há encontros que não pedem explicação,
apenas seguem o mesmo caminho.
Porque existem almas
que se reconhecem antes mesmo do olhar,
como se o universo, em segredo,
tivesse esperado o momento de as fazer encontrar.
Se existe um nome para isso,
eu não preciso procurar.
Algumas histórias nasceram para ser sentidas,
não para o mundo explicar.
Isso se chama conexão:
quando duas almas intensas,
cansadas de viver pela metade,
encontram, uma na outra,
o infinito da liberdade.
Conspiração das Almas
Não foi o acaso.
O acaso não conhece nomes,
não atravessa tempestades,
não costura destinos
com fios invisíveis de eternidade.
Foi algo maior.
Talvez o silêncio
que o universo guardou
até encontrar duas almas
que já se procuravam
muito antes de aprenderem a existir.
Cansadas.
Não apenas do tempo,
mas de viver pela metade,
de vestir sorrisos incompletos,
de chamar de paz
o que nunca passou de saudade.
Então aconteceu.
Sem promessas.
Sem alarde.
Sem a necessidade de explicar.
Porque certas conexões
não chegam...
elas despertam.
E, de repente,
o mundo ficou menos pesado.
Não porque os problemas partiram,
mas porque havia alguém
capaz de dividir o peso
sem carregar as correntes.
Nunca precisaram estar juntas
para permanecerem presentes.
Há presenças
que moram na lembrança,
na paz inesperada,
no sorriso que surge sem motivo,
na estranha certeza
de que existe um lugar
onde a alma sempre volta.
Escolheram caminhar sobre os muros.
Nem deste lado,
nem do outro.
Porque quem ama a liberdade
não aceita viver aprisionado
pelos limites que o medo construiu.
Duas almas intensas,
incapazes de caber
em sentimentos rasos.
Duas tempestades
que descobriram
que o verdadeiro milagre
não era encontrar calmaria...
Era encontrar alguém
que dançasse sob a mesma chuva.
E talvez seja isso
o segredo que o universo
jamais revelou por inteiro:
existem pessoas
que não entram na nossa vida.
Elas retornam.
Como o mar
que sempre reconhece a areia,
como a lua
que nunca esquece o oceano,
como o vento
que sabe exatamente
onde cada folha deve repousar.
Porque algumas almas
não se encontram.
Elas apenas se reconhecem,
como quem finalmente lembra
de uma promessa feita
antes mesmo do tempo aprender
a contar os dias.
O Traço que o Mundo Não Leu
Quando por tua alma ousei caminhar,
sem pressa, sem medo de me perder,
vi cada detalhe em silêncio cantar,
como estrelas que aprendem a amanhecer.
Entre teus contornos, tão belos, enfim,
havia um traço que escondias de mim;
julgavas defeito, motivo de dor,
quando era o mais raro sinal de esplendor.
Foi nele que o tempo escreveu poesia,
com tinta de luz e perfume de mar;
o mundo chamava de melancolia,
mas eu o chamava de lar.
Mentiram-te tanto, fizeram crer
que eras menos por seres assim;
mas quem nunca soube o que é realmente ver
jamais compreenderia teu jardim.
A beleza não mora na forma perfeita,
nem vive acorrentada à ilusão;
ela nasce na marca discreta,
que revela o idioma do coração.
Por isso, não escondas o que és,
nem deixes teu brilho partir;
pois o traço que baixava teu olhar
foi o primeiro a me fazer sorrir.
Se Deus desenhou teu rosto em segredo,
foi para que ninguém pudesse copiar;
e aquilo que chamavas de medo
era o mais belo motivo para te amar.
Porque a perfeição é fria, passageira;
já o encanto verdadeiro não tem fim.
E foi nesse pequeno traço, à tua maneira,
que a eternidade sorriu para mim.
Sem Precisar Ser Menos
Às vezes, a maior cura vem de alguém
que simplesmente não exige que você seja menos.
Menos intensa, menos sonhadora,
menos você.
Alguém que não tenta mudar aquilo que você é,
que não julga a sua maneira de ser feliz,
que não critica a criança que ainda mora em você,
mas aprende a brincar com ela também.
Alguém que te faz sentir protegida,
mesmo quando é você quem sempre quis proteger.
Que olha para as suas partes mais frágeis
e, em vez de querer consertá-las,
escolhe ficar.
Que queira conhecer tudo sobre você:
seus medos, suas manias, seus silêncios,
as pequenas coisas que fazem seus olhos brilharem
e até aquelas que você quase nunca conta.
Alguém que te olhe e pense, em silêncio:
“Caramba… que sorte a minha
ter essa pessoa na minha vida.”
Que queira estar perto,
mas nunca perto demais.
Que saiba permanecer
sem sufocar,
cuidar sem prender,
amar sem exigir.
Porque talvez a maior forma de cura
seja encontrar alguém
diante de quem você não precise diminuir a própria luz
para que ela se sinta confortável.
Alguém que simplesmente diga, com a presença:
“Eu gosto de você assim.
Inteira.
Intensa.
Livre.
E não quero que você seja menos
só para caber na minha vida.”
E que, nos dias em que você não souber ser forte,
não te cobre coragem.
Que saiba sentar ao seu lado no silêncio,
sem pressa de encontrar respostas.
Que não tente transformar suas lágrimas em fraqueza,
nem seus medos em defeitos.
Alguém que entenda que cuidar
também é permanecer quando não há nada para consertar.
Que não precise de uma versão perfeita de você,
apenas da sua versão verdadeira.
Porque talvez seja isso que torna alguém especial:
não a capacidade de salvar você,
mas a delicadeza de fazer você perceber
que nunca precisou ser salva de quem é.
Porque algumas pessoas não chegam para mudar nossa vida; chegam para nos lembrar que não precisamos mudar quem somos para sermos amados.
Tentei virar sentimento na vida das pessoas, mas não deu certo. Acho que meu currículo emocional foi reprovado. 😂
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