Ninguem se Encontra por Acaso
Ninguém conhece a ninguem, acesso ao coração do outro quem tem?
A vida é uma ilusão, quem mais se ilude é que vive bem. A realidade é terrível e cruel, uns mandam outros para o inferno e dizem que vão para o céu.
Ninguem tem certeza de nada, podes crêr, porque a única certeza que temos, vamos morrer.
Ninguém escreve para si mesmo, se pode até pensar assim: porém escrever é encontrar com o outro na arte do viver — para escrever algo o outro precisa estar presente; sem o outro as palavras não respiram no texto...
A CULPA
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
Eles se esgueiram como podem
Entre um pouco de sorte e simulação,
Esses sujeitos são covardes e ardem
No medo que sentem da revelação.
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
As narrativas tentam cercear a realidade
Que fica menos clara, evidente,
Só uma leitura das entrelinhas com sensibilidade
Pode ultrapassar a barreira do aparente.
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
A verdade permanece sendo a verdade
Mesmo que a mentira adquira aliados,
Essa certamente é uma obviedade
Que precisa ser lembrada aos culpados.
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
Autor William Contraponto
A TUA DOR
Ninguém sente a tua dor,
Ninguém jamais sentiu,
Ninguém sabe como doeu,
Em quais sentidos a dor mexeu.
Ninguém tem a mesma cicatriz,
A exata noção do que viveste,
A cicatrização do teu ferimento,
Ninguém tem a medida, ninguém é você.
Então, eles - quem quer que sejam -
Não entendem, não merecem,
Ser levados em conta,
Nas suas opiniões superficiais.
Desconectadas do contexto único,
Das tuas experiências,
Ninguém é você,
Ninguém jamais será.
William Contraponto
Se a igreja é uma benção deixe então que a benção tome conta da igreja; isto é, que ninguém impeça os dons do Espírito de agirem sobre ela.
Muita gente não quebrou a cara ainda com suas mentiras, porque acha que ninguém tem a coragem
de revelar a verdade.
Ninguém consegue distorcer a verdade quando estiver diante do seu Autor,
pois Ele há de expor todos os desígnios dos corações.
Ninguém do outro mundo e, muito menos deste, consegue ressuscitar o espírito do morto para voltar à terra, senão Jesus pela Sua ressurreção, para chamar os Seus eleitos para morarem na eternidade com Deus.
O plano dela era bem simples: “Não se apegar a
mais ninguém”, daí vem você e estraga tudo! No
início, ela sentia medo, aliás muito medo. Ela
estava decidida que não iria querer mais, não
queria sentir mais aquele “friozinho na barriga”
ou passar noites pensando em como seria bom
estar nos braços de alguém. Mas agora, ela quer
continuar sentindo essa doideira que é estar
“afim” de alguém. E talvez, finalmente, deixar o
passado lá pra trás, esquecer dele e nunca mais
lembrar. Mas ela ainda sente meio que um medo,
mas não medo de gostar, mas de nada acontecer,
de estar colocando o coração nesse sentimento e
acabar tão rápido quanto começou. Ela é uma
pessoa complicada, muda de humor de uma hora
pra outra. E as vezes, se coloca tanto no lugar do
outro, que sofre até mais do que deveria. A
chatice dela parece não ter fim, e ela tem uma
mania de achar que tudo vai dar errado uma hora
ou outra, por isso tudo em relação a você, é tão
confuso pra ela. Bom, se você conseguir entender
isso, se conseguir entender esse jeito dela, então
as outras coisas vão sempre fazer sentido, mesmo
que ela não faça nenhum. E cara, não se assuste
com o jeito dela. O problema dela é ser intensa
demais, sentir demais. Mas apesar do que vai
acontecer ou não, pra ela, já valeu muito em ter
te conhecido. E sobre o futuro...Deus vai cuidar
de tudo!
O que ninguém sabe?
Ninguém sabe que há anos penso em me matar.
Quem sabe assim eles parem de me julgar?
Se não fosse a minha fé, talvez já estaria lá.
Só de pensar que sem mim talvez finalmente felizes eles poderiam estar, não posso lutar. Muitas das vezes meus sentimentos vêm como facas afiadas.
Que tentam me parar, mas sei que meu Deus morreu para me salvar e esses pensamentos deixo para lá.
Ninguém quer saber de fofoca, maledicência ou acusações, a menos que, quando o seu nome corre solto na boca de outros ligados à sua jurisdição ou à sua família, há quem pergunte quem foi para saber os motivos, em vez de usar o verdadeiro domínio próprio para resolver a situação com paciência, discernimento e sabedoria, na hora mais apropriada da desdita propagação.
A verdade é que ninguém é de ferro. Tem dias que tô sem paciência, mas nem por isso faço do outro o alvo da minha dor.
Não quero que ninguém se sinta obrigado a fazer o que faço por elas. Quando fizer algo, que seja por vontade própria; não espere que eu peça para fazer isso ou aquilo. Quando ajudei, não ficou nenhuma dívida pendente; está tudo certo. No futuro, você pode retribuir fazendo o bem a outra pessoa ou, quem sabe, a mim mesmo, caso as circunstâncias assim direcionem. O importante é ter em suas mãos a vontade de ajudar sem querer nada em troca.
Eu não sei pra onde as pessoas estão olhando,
talvez ninguém veja mais o que está faltando.
Só quero paz nas notícias do dia,
mas só problemas tomam a capa, sem alegria.
Precisamos sorrir,
reencontrar motivos pra seguir,
ser mais felizes,
antes de partir.
Ninguém entra num túnel desses por vontade própria.
A gente entra porque a vida empurra
e porque sair, às vezes, parece mais difícil que continuar.
Lá dentro, havia gente demais.
Corpos se esbarrando, pensamentos fora de lugar.
O túnel pulsava como um organismo antigo,
estreito demais para quem carregava pressa, culpa ou medo.
No chão, pequenos orifícios deixavam passar guias —
fios, artérias, destinos.
Disseram que aquilo mantinha a cidade viva.
Disseram também que, se rompesse, tudo viraria água.
Foi quando vi a janelinha.
Redonda, pequena, quase tímida.
Atrás dela, peixes atravessavam o silêncio
como se o mar não soubesse do nosso pânico.
Alguém gritou que ia romper.
A palavra bateu nas paredes
e voltou maior.
As pessoas correram sem saber para onde.
Eu fiquei.
Nem coragem, nem medo.
Só cansaço.
Então surgiram elas.
Criaturas compridas, estranhas,
como enguias que aprenderam a sorrir.
Uma parou, juntou as mãos
e agradeceu a Deus pela comida.
Ninguém riu.
O túnel respeitou.
Pouco depois, apareceu uma princesa brasileira.
Vestido simples.
Dignidade sem brilho.
Ela olhou o túnel, respirou fundo
e disse que ainda não era a hora de entrar.
Quando percebi, já estava na água.
Um lago que parecia piscina,
ou uma piscina que fingia ser lago.
A água era morna.
O corpo flutuava sem pedir licença à mente.
Havia pessoas conhecidas.
Sem passado pesado.
Sem perguntas difíceis.
Alguém trouxe um bolo de chocolate.
Comi.
E o mundo não desabou.
Em volta do lago, hotéis.
Todos provisórios.
Como quase tudo que dói
quando a gente insiste em chamar de definitivo.
Fiquei ali muito tempo.
Tempo suficiente para entender
que o túnel não era prisão.
Era travessia.
E que o mar, lá embaixo,
escuta melhor
quando a gente finalmente para de lutar.
Nereu Alves
