Não Tenha Medo de Mim
O medo é um sentimento falso, uma ansiedade criada pela nossa mente ao anteciparmos algo que provavelmente nunca vai acontecer. A maior parte do medo vem daquilo que imaginamos, não do que realmente acontece. Mesmo que o que tememos se realize, o medo não vem do acontecimento em si, mas do pensamento sobre ele.
O presente, o agora, nunca nos dá medo. O medo é gerado quando pensamos no futuro, em algo que ainda nem existe. Pensar negativamente sobre o que está por vir não adianta, porque, no momento, não está acontecendo nada além do que é para acontecer. O medo é apenas uma construção mental que nos prende a uma realidade que ainda não se materializou.
O medo me impede de resolver meus sentimentos negativos, por quê? Porque o medo é composto por pensamentos negativos. A solução para esses medos está em eu entender por que eles existem. E como posso entender esses medos? Questionando-os, sem receio. Perguntando: "Por que tenho medo disso? Por que isso me incomoda?" Seja conversando com alguém, pesquisando na internet, ou dialogando comigo mesmo, o importante é aprender, buscar conhecimento e me aprofundar até chegar ao ponto de compreender que, na verdade, não tenho medo algum. O que eu temia era entender o que realmente sentia. E essa compreensão é a paz que vem com a clareza de finalmente entender o que eu precisava entender.
Existem três coisas que impedem alguém de enxergar o óbvio:
O ego;
O orgulho;
O medo.
O ego inflado faz com que a pessoa ache que já sabe de tudo, e, por isso, não consegue perceber o que está na sua frente. Ele cria uma barreira que a impede de enxergar além de sua própria visão limitada.
O orgulho, por sua vez, faz com que a pessoa tenha dificuldade em reconhecer os próprios erros ou aceitar que pode estar equivocada. Isso a impede de ver o que é claro para os outros, pois prefere se manter em sua posição, ao invés de aprender e evoluir.
O medo, talvez o mais forte de todos, faz a pessoa temer a verdade. Ele a paralisa, fazendo com que evite enxergar o que é óbvio, com medo das consequências de enfrentar a realidade.
Essas três coisas criam uma barreira que impede de enxergar o óbvio, e só quando conseguimos lidar com o ego, o orgulho e o medo, é que conseguimos ver as coisas como realmente são.
Não fazer o mal por medo das consequências não te torna bom; pois quem é bom não faz o mal, mesmo se não houver consequência.
As pessoas, geralmente, só não fazem o "mal" pelo medo das consequências — seja a consequência que acreditam ter após a morte ou a consequência que recebem em vida mesmo. Já outras pessoas são naturalmente boas por natureza, não fazem o mal, mesmo se houvesse a oportunidade. Então, é sempre bom rever o próprio caráter, a própria personalidade, as próprias intenções, o próprio ser, e desenvolver em si mesmo aquilo que você de fato é ou quer ser, mas não por medo de consequências, e sim por vontade, por coração, por si mesmo.
Tem pessoas que só fazem o "bem" por interesse — interesse de ser "privilegiado", de "receber", de "ganhar", de "conseguir" dos outros. E isso não é, interpretamente falando, uma pessoa "essencialmente boa", entre aspas, quando só se faz com esse objetivo, e sim uma "pessoa interesseira", fingindo ser boa ou mostrando ser interesseira mesmo. Ou seja, não desenvolveu naturalmente o sentimento puro, leve, doce, amoroso de ser. Não percebeu que, pra isso, não precisa da expectativa de receber algo em troca ou temer as consequências se não fizer, e que basta, essencialmente, seguir o próprio sentimento, deixar fluir naturalmente as intenções, enxergar os próprios comportamentos, respeitar a própria vibração pessoal sobre qualquer situação, parar de se controlar e apenas ser, indiferente dos atos. Pois a essência de si mesmo é fluxo, natural, espontâneo, se desenvolve assim, e não se controlando pra não ser.
Por exemplo, tem pessoas que têm o ato de ajudar alguém a se levantar, mas têm a intenção de ajudar a levantar porque têm como objetivo ter algo em troca depois...
Tem pessoas que têm o ato de ajudar alguém a se levantar, mas a intenção era apenas ajudar a levantar, pois não têm como objetivo algo em troca...
Então, existe uma diferença entre uma pessoa "boa" e uma pessoa "interesseira", que só faz o "bem" por interesse.
A "boa" tem como intenção o ato do momento, e mesmo que receba algo em troca, a intenção era o ato, não a expectativa em receber.
A "interesseira" tem como intenção receber algo depois do ato, e se ela não recebe em troca, cobra, pressiona, joga na cara, abandona, larga, chantageia, diz que não fizeram por ela.
Não que eu esteja julgando ou definindo o que é "bom" ou o que é "ruim", o que é "interesseiro" ou o que "não é". Até porque, pessoas mudam. Às vezes, estão em um dia bom, às vezes, em um dia ruim. Não é uma regra, é uma análise do momento. Às vezes, a pessoa fez de coração agora e, daqui a cinco minutos, por interesse, no qual irá cobrar em seguida. Novamente repito: não é uma regra, é uma análise do momento. Apenas uma interpretação rasa de uma situação hipotética pra você discernir a diferença de quando alguém é e quando finge ser pra dizer que é. Pra você discernir a diferença de quando alguém fez por interesse e quando fez por vontade própria, por coração.
Às vezes, somos ruins; às vezes, bons; às vezes, interesseiros; às vezes, não. Porém, é bom ter o olhar aprimorado nas situações desses momentos, saber quem finge, saber quem é. Pois, quando nosso olhar é turvo, embaçado, cego, a gente acaba olhando apenas quem não era pra olhar, apenas porque a "aparência", as "miragens" vistas dos nossos olhares cegos aparentavam ser verdadeiras, boas de coração. E nisso, nos iludimos com quem não deveríamos, por ser fingimento, falso, e deixamos de ver quem era pra enxergar: os verdadeiros de bom coração.
E quem olha é o próprio sentimento, não a impressão dos olhos.
Pois os olhos têm o interesse de olhar o que aparenta ser.
O sentimento sente o que de fato é.
Ter medo também é importante.Você confiaria em abraçar um leão ou uma onça?Agir com cautela pode salvar sua vida.Não virar o rosto quando tiver tomando uma bebida para evitar um possível "boa noite cinderela"não te faz um esquizofrênico.Os indianos têm muito cuidado com os alimentos.Logo, eles mantêm a porta da cozinha trancada e seu acesso é permitido apenas às pessoas de confiança.Isso é algo que faz parte da cultura indiana,ou seja,não é considerado esquizofrenia.Portanto,continue tendo cuidado com os perigos do mundo,mas não exagere.
O medo não excessivo, ao contrário do que muitos pensam, pode ser seu maior aliado na busca por uma vida proba e equilibrada.
Quando as palavras se calam é um sinal que o medo está vencendo.
Quando os sentimentos ficam em silêncio o corpo se corrompe.
O Preço da Entrega
Não houve medo na hora da partida,
Nem o lamento que o comum projeta.
Fui uma chama em palco consumida,
Na entrega mais audaz, cega e completa.
O peito não guardou nenhuma queixa,
Pois quem se doa ao fogo não lamenta.
A alma que se entrega não se deixa
Cair na calmaria que acinzenta.
Se o sopro esvaiu-se no fim do ato,
Não foi por falta de ar ou de abrigo.
Foi o ápice doce do contrato:
Morri abraçada no desejo,
Sem pressa, sem desvio e sem castigo,
Eternizada na nudez de um beijo.
O medo mantém a ordem
“O medo é uma ferramenta imperfeita.
Ele mantém portas fechadas, mas deixa a revolta acordada do lado de dentro.
O controle só se torna completo quando obedecer deixa de parecer uma imposição — e passa a ser confundido com alívio.”
— A GRANDE EMINÊNCIA
Personagem de THE MOEDARA PROTOCOL
Fragmentos de THE MOEDARA PROTOCOL
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc
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