Nao sou uma Pessoa que Espera a Elogiar
O motivo que me faz avançar não é uma emoção contida. É uma certeza que transborda, uma inundação de fé que não cabe no peito.
O alívio que sinto não é uma fuga covarde da realidade, é um reencontro necessário e vital com a fonte que me sustenta.
O nosso amor não é vinho, é a embriaguez que resta após todas as taças, uma sede que se renova no beijo e na permanência.
A sua paixão é a força da morte e a voracidade do Sheol, uma lei mais antiga que o tempo, que não aceita resgate ou suborno.
O fardo da alma não é a matéria que nos pesa, mas o custo da teatralização de uma leveza que inexiste.
Há uma serenidade selvagem em entender que certas feridas da alma não precisam de testemunhas, apenas de silêncio para cicatrizar.
A oração não é uma chave que altera o destino, mas uma infusão de potência na espinha dorsal de quem precisa cumpri-lo.
O Escudo Divino não é forjado em metal, mas em uma Paz irrazoável que desarma a lógica do desespero.
A Paz não é uma localização geográfica, mas a ancoragem teimosa que se instala apenas nos corações que se rendem à Confiança.
A Autenticidade não é um conceito a ser explicado, mas uma existência a ser vivida. E o que é verdadeiro, por natureza, perturba.
Não há predador mais sutil que a malignidade travestida de uma suposta e bem-intencionada opinião sincera.
O nível de dependência que a letra revela não é uma fragilidade, mas a mais alta forma de inteligência espiritual, o reconhecimento de que a autossuficiência é um mito perigoso que nos condena à solidão, você estava triste e carente porque a sua alma, em sua sabedoria inata, rejeitava os substitutos baratos que o mundo oferecia para o vazio do coração, e o Amor que entrou não veio para te completar, mas para te mostrar que o teu ser já era inteiro, apenas precisava ser reajustado ao Eixo central que é a Fonte de toda a plenitude.
A dor é uma professora que não aceita faltas, e suas lições, embora amargas, são as únicas que se fixam na alma, e o processo de cicatrização não é linear, nem bonito, mas uma batalha suada e invisível contra a memória do trauma, e é preciso honrar cada passo lento, cada recuo que precede um avanço maior e mais significativo. Não se cobre a perfeição na arte de se reerguer, a beleza reside na coragem de ser imperfeito, de abraçar o processo caótico da cura e de entender que o seu valor não está na ausência de feridas, mas na audácia de continuar lutando mesmo com a alma marcada pelas batalhas passadas.
A esperança não é uma vaga projeção, mas a vívida expectativa do retorno do Rei, o ápice da história prometido, quando a Glória que hoje mal vislumbramos se manifestará em todo o seu esplendor irrestrito. Meu olhar se fixa no horizonte do futuro, aguardando o momento em que a jornada terrena se findará e serei arrebatado para a pátria inesgotável, para a consumação do Lar onde a tristeza não tem mais lugar e onde a Presença Divina é a luz que não se apaga. E ali, prostrado, não mais através de um espelho, mas face a face com o Criador, o cântico que hoje ecoa na Terra se unirá ao coro celestial, sem cansaço e sem fim.
Há noites em que o passado é uma chuva lenta no rosto, cada gota desenha mapas de feridas que não cicatrizam. Ando pelas ruas da memória descalço, procurando um porto. Não encontro abrigo, encontro só sinais de onde fui naufragado. E aprendo a navegar com a fome como timão.
