Nao sou uma Pessoa que Espera a Elogiar

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Pare de grunhir, não é em absoluto uma maneira apropriada de se expressar.

Lewis Carroll
CARROLL, L., Alice no País das Maravilhas, 1865

Eu sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia desde o início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era tanto, que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor, entender um amor, tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase pediu, me deixe. Ora, pra que me enganar: você realmente pediu, sem pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare em como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia em que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde em que ainda nem tínhamos iniciado nada e eu já amadurecia o fim, e assim foi durante os dois anos em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto, me preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando que isso era maturidade. Que idiota eu sou, o que é que amadureci?
Nada, nem a mim mesma, jamais deixei de ter 10 anos, nem quando tive 30, nem quando fiz 40. Nunca tive idade, ela de nada me serviu, ser lúcida sempre foi apenas uma maneira de parecer elegante, uma estratégia para a convivência. Você lembra como eu chorei aquela noite, lembra do fim, você não pode ter esquecido aquela cena, entramos em casa sem acender as luzes, você olhando para fora da janela enquanto eu derramava toda a minha frustração e meu desespero, como se a culpa fosse minha e não sua, ou fosse sua e não minha, como se existisse culpa para o término de um relacionamento que simplesmente não tinha mais combustível, nem mais estrada. Faz quanto tempo desde aquela cena? Eu consigo enxergá-la por vários ângulos, vejo você de costas pra mim, parecia um soldado, tão ereto, em vigília de si mesmo, querendo saltar do terceiro andar, sair sem precisar passar pela porta, sem passar pelo adeus, e eu, curvada, amparada em algum móvel, demolida, e então, na cena seguinte, nós de frente um para o outro, mas com as cabeças abaixadas, você não queria ver meu rosto, e eu estava espantada com o seu, tão sereno, aliviado, quanto tempo faz, 15 minutos, vinte minutos desde que você saiu aqui de casa? Eu ainda estava quieta agora há pouco, eu ainda estava sem pensar e sem sentir, de repente me deu uma calma, nenhuma desgraça aconteceu, você desceu pelas escadas, eu fechei a porta do apartamento e não chorei mais, eu vi pela janela o seu carro saindo da garagem e não chorei, eu fui para o banheiro escovar os dentes, acho que escovei os dentes, não lembro, e botei uma camisola e fui pra cama e não chorei, não pensei, não senti, não chorei, entendi, não entendi, não pensei, não sei, acho que dormi.

Você não ligaria no dia seguinte, era domingo, fui até a cozinha lavar a louça, mas não havia louça para lavar, o combinado era jantarmos fora na noite anterior, não jantamos, ninguém se alimentou, quanto tempo faz desde aquela noite, parece um século, foi ontem. Decidi seguir a rotina: o que eu fazia aos domingos de manhã? Eu caminhava, eu ia ao parque, então caminharei, mas falta você, coloquei o tênis, saí a pé de casa, falta você e não falta, o estrondo está diminuindo, o barulho cessou, será que eu já percebo o acidente? Dou uma volta no parque, duas voltas, três voltas, você não virá aqui me ver? Volto. Telefono pra minha mãe, não telefono pra você, conto pra ela que acabamos, meu relato é muito coerente, ela lamenta mais ou menos, já ouviu eu contar essa história antes, somos reincidentes em finais, mas agora é pra valer, quem me acredita? Eu não me acredito, mas agora não te quero mesmo, e eu já ouvi isso antes, de você, de mim, agora não tem mais volta – dei tantas voltas no parque, é tão ridículo caminhar pra lugar nenhum, para quem vou ficar magra e saudável? E voltei a dizer: não, mãe, acabou de verdade, e pela primeira vez reparei em minha voz tremida, pela primeira vez naquele domingo eu fraquejei, as palavras saíram entrecortadas, eu catava as sílabas que me fugiam, e ela do outro lado da linha fingia que não doía nela também.
Liguei o computador, escrevi, que é como organizo meu pensamento, escrevi e parecia que eu estava ditando a mim mesma um texto requentado, agora acabou, agora é comigo, sei que vou conseguir, tenho meus motivos, e me dei várias explicações, tentei me convencer, eu estava tão racional, tão genial, eu quase consegui, e não almocei, zanzei pela casa, tomei um banho, troquei de roupa, tirei suas fotos dos porta-retratos e desabei pela segunda vez, a primeira sem que você testemunhasse.
Guardei na gaveta aquela fotografia em que você estava de boné, parecia um garoto, me agarrando pela cintura. Guardei todas. Aquela outra, nós dois, eu de novo enlaçada por você. E uma de você sozinho, um flagrante, você não percebeu, bati a foto enquanto você lia o jornal, tão lindo, você era tão lindo, você ainda é o mesmo homem depois de ontem, o mesmo homem sem mim? Eu me olho no espelho e não me enxergo, não sou mais a mesma, perdi a identidade. Tirar suas fotos de vista me pareceu uma providência curativa, agora você não o verá mais, querida, vai esquecê-lo mais rápido, como somos inocentes. E eu lá quero esquecê-lo? Sua presença ainda está tão quente dentro desse apartamento, o colchão ainda está meio afundado do lado em que você dormia.

Não sei se as pessoas choram de forma diferente umas das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare, não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem limite, eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero, sinto que caí num vácuo, perdi a parte boa da minha história, e não quero outra, enquanto choro penso que se alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, prestaria socorro, chamaria uma ambulância, eu nunca vi você chorar, você alguma vez chorou por mim, você sofre a minha ausência, sente minha falta? Estar sozinha nessa aflição me condói de mim mesma, é o labirinto do inferno, não há saída, não há saída, você não está me esperando lá fora, nem hoje, nem amanhã, você não vai fazer nenhum gesto para me resgatar, e se fizesse, eu não estenderia minha mão, e é isso que me faz descrer de tudo, eu sei que acabou, eu estava infeliz ao seu lado, eu estou infeliz sem você, mentira, eu era feliz ao seu lado, e nem sei se a palavra é essa, feliz. Felicidade é um resumo fácil, uma preguiça de investigar o muito mais que nos ergue diariamente, na época era o que me bastava, eu sabia onde estava e com quem, eu não estou infeliz, eu só estou perdida e não consigo mandar nenhum S.O.S., ninguém sabe onde estou, largaram meu corpo em cima dessa cama e ninguém me procura.
Choro, choro muito, choro agora feito uma guitarra dedilhada por um bêbado, sinto uma piedade inconsolável de mim, de tanto que recordo o quanto te quis e o quanto te admirei por amares a mim, era paixão inveterada, paixão de doer, paixão de não dar certo mesmo, paixão de perder o tino, e perdi por completo, hoje tento compreender duas ou três frases e nem isso me cabe, ficou tudo sem lógica, eu que prezo tanto a lógica, não entendo mais nada, mergulhei no escuro da minha perplexidade, você era meu até bem pouco tempo, mas vou sair dessa, veja, já estou enxugando as lágrimas, procurando meu celular para fazer uma ligação qualquer, esses compromissos que a gente inventa para fingir que a vida continua. Marquei hora no cabeleireiro sem ter motivo algum pra ficar bonita.

Não consigo mais ser uma pessoa comum, dessas que conseguem ver uma novela sem se afligir e que dirigem prestando atenção apenas nos sinais de trânsito, agora eu só assisto à tevê com o controle remoto na mão para que eu possa trocar de canal a qualquer indício de que virá cena de beijo, não consigo ver um homem e uma mulher se amando, é como se fosse uma agressão pessoal, vamos massacrar essa coitada, vamos fazê-la lembrar, mas não, eu não fico lembrando de nós dois, é muito mais torturante que isso, eu fico imaginando você com outra mulher, você beijando outra mulher, e isso me dá uma náusea que quase me faz desmaiar, fico em posição fetal, eu penso que vou ficar louca, como se já não estivesse, eu não posso ver uma foto de mulher bonita que já imagino o quanto você vai se interessar por ela, e vai desejá-la, eu passei a ter ódio de todas as mulheres que cruzam seu caminho, meu caminho. E no trânsito, eu só tenho olhos para as placas dos carros que são da mesma cor e marca que o seu, e quando um se aproxima eu rogo a Deus para que não seja você, e ao mesmo tempo quero que seja, e às vezes consigo não olhar, me sinto tão valente, consigo por minutos olhar só em frente, não reparo em nenhum veículo a minha volta, é como se estivesse sozinha na avenida, e é nessas horas que corro o risco de bater, eu acelero sem perceber e depois freio muito em cima dos outros carros, eu saio da minha pista sem sinalizar, eu esqueço pra onde estou indo, eu vejo você caminhando pelas calçadas e não é você, de repente todos os homens do mundo ficaram idênticos a você, e eu ainda não me envolvi num acidente por um triz, ou talvez já esteja mais do que acidentada para ainda ter que enfrentar essa dor na carne, de verdade, sem ser apenas uma metáfora. Evito olhar os casais de namorados nas paradas de ônibus, e tem um painel publicitário em que um homem olha para uma loira com um desejo tão escancarado que me retorço e choro só de imaginar você olhando assim para outra mulher, e eu sei que você está, ninguém precisa me contar, eu sei como é que você se cura, se trata, você não chora nem lamenta, você volta pra rua, você vai atrás de todas as mulheres nuas feito um vira-lata, você está olhando nesse instante para outra mulher, está entrando nela, dizendo a ela como ela é gostosa, você está me matando dentro de você, e eu morro a quilômetros de distância, a sós comigo mesma, você transa com outra e me mata, você goza e me mata mais um pouco, você dorme e me deixa insone pra sempre, eu sei que não vai ser pra sempre, mas eu não enxergo o dia de amanhã, hoje eu só estou acordada pro eterno desse pesadelo, você era meu, droga, exclusivamente meu até dias atrás, meu como esse sofrimento.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Fora de Mim. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2010.

Quando você não tem ninguém para quem fazer uma xícara de chá, quando ninguém precisa de você, é quando eu acho que a vida acabou.

Mas sabe, tem uma hora que você enjoa desse jogo e desiste. E não se surpreenda se gostar de ser sozinha.

E hoje ele resolveu desenhar suas pegadas na areia. Como quem traça uma história não um caminho. Banhou-se do sol, e mergulhou na pluralidade do mar.

Design não é arte, como definimos arte. Considero uma coisa orgânica no sentido social, cultural e econômico. Não considero uma coisa especial. As pessoas vêem coisas que fiz e não sabem que fui eu e eu acho ótimo. A busca da perfeição é o caminho do design.

O dom dos bruxos, dos artistas… O dom dos padeiros… Deve ser uma dádiva dada pelos deuses, não?

Não existe nada mais prático do que uma boa teoria.

Não.. não trato pessoas como elas me tratam .. Seria até uma agressão a mim mesma me deixar ser dominada pelo comportamento inconsequente de outros .. Se me tratam bem, trato bem também, se me tratam mal , dou as costas como resposta, isto chama-se sensatez. Personalidade não é moda , que a gente muda a cada estação , caráter também não ... alguns aprendem .. outros sempre vão achar que estão com a razão... entre revidar e pensar... fico com o que salva minha paz... e me livra de certas inquietações.

Não olhe as dificuldades como obstáculo, mas como uma maneira de provar que você é capaz!

O amor vale a pena, e não é um ato vergonhoso, jamais será. É preciso ter uma coragem imensurável para amar no nosso tempo, esse tempo que cada vez mais se perde nas vias do egoísmo e desamor. Amar é celebrar a vida em sua essência mais bela!

Você nunca receberá uma traição de alguém que não confia, traidores e traidoras são pessoas que sempre tiveram de nós exagerada confiança...

Eu aprendi pesquisando, que uma bussola aponta sempre para o norte, não importa onde estiver; mas não orienta sobre pântanos, desertos e abismos que você encontrará pelo caminho. Se na busca pelo seu destino, você vai de cabeça ignorando os obstáculos e acaba se afundando depois em pântano, de que adianta saber para onde fica o norte?

"De uma coisa eu sei
não preciso mendigar amor de ninguem
só preciso de uma unica chance pra que eu
possa ser feliz..."

Um brinde pra você babaca, que perdeu uma mulher incrível porque não quis se envolver. Coitado, se achou demais, foi machista demais e homem de menos. Que pena você ser tão mais ou menos enquanto poderia ser meu universo! Tão pequeno que pensou que eu morreria. Um brinde, meu amor, pois me livrou do pior cara que eu já conheci, “você”, imaturo, coisa pouca, que não merece meu amor...
Tô vivendo, tô dançando, tô rindo da tua cara.

Segundas chances não costumam parecer sempre. Eu sugiro que você dê uma boa olhada nessa. É a sua chance de se tornar o herói que sua filha já pensa que você é.

Dr. Hank Pym

Tem dias ...
Que a gente não precisa
de palavras
Apenas de um canto
de aconchego
de uma paz ...
Onde silenciosamente
e com calma ...
Conversamos com a
nossa alma
sem dor
sem pranto
sem aquele peso a mais.

A perfeção é uma ilusão. Independentemente se for ou não pronunciada ao contrário. Esta é a realidade. É comum o homem buscar e se esforçar para alcançá-la como se fosse algo concreto… Mas o fato da matéria é que a perfeição é uma casca oca. É desprovida de qualquer solidez. Eu cuspo na perfeição. A perfeição, afinal, implica que você tenha atingido o topo. Sem tentar e sem errar, sem capacidade de conceituar. Um ser onisciente não teria necessidade de tais coisas supérfluas… Estou sendo claro? Para quem se interessa em ciências, como nós, a perfeição nos tornaria obsoletos. Muitas coisas magníficas têm vindo, e continuarão a vir à existência… Ainda sim, algum deles ficará sem o acabamento final. Nossa função como homens da ciência se baseia em suas muitas falhas. Então, só ai, podemos aplicar os frutos de nosso trabalho. Simplificando… Assim que começou a jorrar essa bobagem sobre ser um ser imaculado… Seu destino foi selado.

Nao deixe pra dizer eu te amo amanha,
Nao deixe pra amar amanha,
Nao deixe pra fazer uma amizade amanha,
Nao deixe pra perdoar amanha,
Faca tudo isso hoje,diga a alguem que ama ou odeia,
Encontre um amor ou termine com um,
Faca uma nova amizade ou termine com uma antiga,
Isso sim perdoe quem tiver que perdoar porque so as pessoas dignas de carater tem o dom de perdoar,
Viva hoje como se fosse seu ultimo dia.

Você é o seu próprio juiz - (Calunga)
eu não consigo aceitar a mentira - diz uma ouvionte.

-Não seja radical com nada, minha filha. Não faça isso. Você também é mentirosa. E a gente nunca sabe quando vai precisar mentir. Aí, vai mentir como? Vai ser desonesta consigo mesma?

Quando a gente se impõe uma lei muito rígida, um dia acaba escorregando nela. O nosso ser, então toma aquilo como uma desonestidade nossa. E, se você tem um programa de punição à desonestidade, ele vai ser acionado automaticamente. Então, você acaba criando a própria desgraça.

Vamos procurar dizer a verdade. Só procurar, já está bom, porque você também não agüenta ouvir toda a verdade de uma só vez. As vezes, para falar com você, os outros têm que adoçar.
Mas é você que vai ter que sustentar os próprios conceitos, porque vai viver pelas leis que você mesma se impôs. Vai se promover ou se punir, de acordo com o que você acredita. Você é o seu juiz, minha filha, porque Deus não é juiz de ninguém. Portanto, vá com cautela para não aprontar uma bem feia para você.
O povo gosta de dizer
Dessa água não beberei...

Mas, olha, que é dessa água mesmo que você vai beber.
Então, vamos ser abertos e ter conceitos provisórios. Ah, por enquanto estou pensando assim, estou fazendo assim, mas amanhã não sei. Garantia, eu não tenho de nada. Sei lá se amanhã vou ver o mundo diferente.

Também não estranhe minha filha, se você pensar diferente dos outros. Não estranhe a estranheza dos outros, viu? -