Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Eu me torno o que o meu coração pede, eu aceito, eu respiro fundo, eu sigo, eu me moldo, engulo a dor, eu só vou.
Eu me moldo na arte, me visto, invento,
crio mil formas, me reinvento.
De todas que posso ser, eu deixo uma morrer,
pra outra versão mais forte nascer.
Sou mutação, sou mudança no vento,
meus passos marcam meu sentimento.
Quebro a corrente, refaço o caminho,
mesmo sangrando, não ando sozinha.
Recrio na dor, floresço no peito,
cada derrota me ensina o jeito.
Eu sou mil, mas nunca me perco,
matei uma parte, agora renasço inteira.
Eu me cuido aos poucos,
sem pressa e sem plateia.
Aprendo a me olhar
com os olhos que sempre ofereci aos outros.
Começo a me dar
o que nunca veio de fora.
Presença.
Cuidado sem cobrança.
Palavras que não ferem.
Estou me escolhendo
onde antes eu insistia.
Me valorizo
não porque virei invencível,
mas porque cansei de me abandonar.
Diminuo o amor pelos outros
para não desaparecer de mim.
Não é frieza.
É sobrevivência lúcida, limite aprendido tarde.
Agora fico.
Em mim.
Sem pedir licença,
sem me explicar.
Caminho com o medo grudado no peito,
mas sigo.
Ele ameaça,
eu piso.
O medo me puxa pela manga,
o futuro me chama pelo nome.
Eu vou.
Tremem as pernas,
não a decisão.
Não é força.
É insistência.
Se paro, afundo.
Se ando, sangro menos.
Aprendi a andar
sem prometer vitória,
só continuidade
Despertar
Hoje eu acordo sem certezas,
mas acordo.
E isso já é um ato de coragem
que ninguém vê.
O que me feriu não levou tudo.
Levou ilusões, promessas, futuros ensaiados.
Mas ficou algo em pé
no meio dos escombros:
eu.
Descobri que o amor também ensina
quando falha.
Ele mostra onde eu me abandonei
tentando ficar.
Mostra que não era excesso sentir,
era falta de cuidado do outro.
Não sou a mesma de antes.
Sou mais lenta,
mais desconfiada,
mais profunda.
Aprendi que despertar dói
porque os olhos ardem
quando a verdade entra.
Hoje eu não floresço.
Hoje eu crio raiz.
E raiz não aparece,
mas sustenta tudo.
Se for para seguir,
que seja com menos ruído
e mais verdade.
Mesmo que doa.
Mesmo que demore.
Eu continuo.
Não por força.
Por consciência.
Eu quis ficar,
mas ficar também cansa quando só um sustenta o peso.
Fiquei até onde deu,
até o limite do que ainda era cuidado e não abandono de mim.
Depois disso, não foi ir embora.
Foi sobrevivência.
Hoje me perguntaram
quando eu ia cobrir.
Como se verdade incomodasse
quem nunca soube sentir.
Eu respondi sem desviar:
não vou cobrir,
vai ficar onde está,
porque não fui eu quem quis fugir.
Ali vive um olhar inteiro,
antes do ruído, da versão distorcida.
Não houve perda da minha parte,
houve escolha do outro lado da vida.
Não é luto, nem falta, nem dor exposta,
é memória que se mantém de pé.
Ela escolheu me perder.
Eu escolhi não me perder de mim.
"EU QUERO TE VER"
Eu quero te ver porque meu coração transborda.
Quero te ver e enxergar teu olhar fora da minha pele,
onde ele existe sem me ferir
e ainda assim me alcança.
Quero te ver porque o tempo não apaga o sentimento,
ele só muda o lugar onde ele dói.
Quero te ver porque não quero perder teu olhar
na memória,
esse lugar frágil onde tudo insiste em desbotar.
Quero te ver porque meu tempo é pouco
e o silêncio cobra caro.
Quero te ver,
nem que seja apenas uma vez,
para que o que ficou suspenso
finalmente encontre chão.
Eu me apaixono todo dia.
Eu me apaixono pelo ar,
pelo cheiro de cada dia,
pela forma como a vida chega sem avisar.
Eu me apaixono por uma ideia,
por um lugar,
por uma pessoa.
Mas tem uma coisa que pouca gente entende:
eu também desencano muito rápido.
Eu deixo ir quando tem que ir.
Eu dou espaço sem ninguém precisar pedir.
Porque, no fundo, eu entendo.
Entendo que nem tudo é pra ficar.
E talvez seja justamente por isso
que eu também me apaixono por mim
todos os dias.
E às vezes eu paro, me olho por dentro
e digo, sem cerimônia nenhuma:
Que mulher foda. ✨
“Quase”
Eu quase te liguei
quase fui atrás
quase disse tudo
que guardei em paz
quase fui fraca
quase voltei
quase me perdi
em quem eu já deixei
mas aprendi com o tempo,
sem drama, sem julgamento:
nem tudo que não foi…
foi perda.
o quase também
é livramento.
“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”
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