Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
O relógio marca o tempo, mas eu conto a saudade,
Esperando o momento da nossa felicidade.
Se você demora um pouco, o coração já quer saber:
Como é que o mundo gira sem eu ter você?
Eu sou o cara que te cuida e te quer bem,
Que não te troca por nada e nem por ninguém.
No balanço do caminho, no trajeto do destino,
Te protejo com a força de um amor cristalino.
Quando o carro para e a gente chega em algum lugar,
Faço questão do gesto, só pra te ver desembarcar.
Abro a porta, te dou a mão, te vejo florescer,
Porque o meu maior orgulho é estar com você.
No silêncio da noite ou no caos do dia,
Sou seu porto seguro, sua melhor companhia.
Se o choro vier, sou eu quem enxuga o pranto,
Pois te amar desse jeito é o meu maior encanto.
Você acorda e sorri, e nesse brilho eu leio:
Que sou o cara certo, sem medo e sem receio.
Sou seu herói, seu amigo, seu eterno namorado,
O cara que vive feliz... só por estar ao seu lado.
Esse cara sou eu
O homem desejado por todas as mulheres
Esse cara sou eu
O seu namorado.
Encontre tempo para as coisas que te fazem lembrar o quanto é bom estar vivo.
Eu estou aprendendo isso.
A desacelerar.
A agradecer mais.
A valorizar o simples.
Porque no fim… são esses pequenos momentos que salvam o dia...
ENCONTRO MARCADO
Eu havia estragado tudo naquele dia. Roubei um pão. Era tão pequeno… Sentia fome, mas havia outras maneiras: oferecer-me para trabalhar, pedir ajuda, qualquer coisa menos aquilo. Roubei aos oito anos de idade — e nunca mais parei.
Sabia que não era certo. Sentia-me mal todas as vezes que roubava. Era pesada aquela palavra: roubo. Não sei por que me incomodava tanto, mas incomodava. Quando fui deixado na rua por meu pai — algo que eu não entendia — encontrei um grupo de crianças que roubava. Quem não roubasse, não comia. Roubávamos bolsas, relógios, pulseiras e carteiras.
Aos doze anos, depois de quatro vivendo assim, aquilo já me parecia normal. Mas não deixava de me incomodar. Eu sempre me perguntava por que não tinha casa, pais, família ou escola.
Os carros passavam, e eu me encantava. As casas maravilhosas eram a visão dos meus sonhos. No entanto, eu não tinha nada, a não ser a larga liberdade: todas as ruas eram minhas, aquela vastidão de céu me pertencia. Eu não tinha ninguém, e ninguém tinha a mim. Mas eu queria outra vida. Sempre pensava: por que é assim? O que posso fazer?
Não sabia quem poderia me ajudar. Uma voz me disse: “Deus.” E onde procurar Deus? Na igreja, não — de lá eu já tinha sido expulso por estar muito sujo. “Procure no seu coração”, a voz insistia. “Talvez no centro da dona Dalva. Ela, além de dar comida, sorri e chama você de filho.”
Cheguei lá naquele dia sem saber exatamente por quê, com o coração acelerado. Dona Dalva montava um lindo vaso de flores amarelas. Eu disse:
— Bom dia.
Ela sorriu:
— Bom dia, meu filho.
— Posso falar com a senhora?
— Claro, meu filho.
Então perguntei:
— O que é Deus?
Ela respondeu com calma:
— A pergunta é outra: quem é Deus? É o Pai de todos nós, o mais generoso que existe. Aquele que mais nos ama.
Perguntei:
— Então por que Ele me abandonou tão pequeno? Não sei trabalhar, as pessoas me expulsam e têm medo de mim. E quando roubo, a polícia vem atrás. A senhora acha que Deus ama todos iguais?
Ela respondeu:
— Tenho certeza. O que Ele espera é que Seu filho retorne a Ele, em qualquer situação.
Depois ficou em silêncio por um instante e disse algo que me atravessou:
— Olhando de fora, parece que você é apenas vítima. Mas a vida é mais longa do que um único dia. Já foste alguém que teve pais carinhosos, conforto e oportunidade. Jogaste fora o que tinhas, foste mesquinho quando podias ter ajudado. A aprendizagem não retrocede. A vida continua.
— Mas como vou fazer isso? Sou apenas um menino. Amanhã acho que faço doze anos.
Ela sorriu:
— Não subestime a sabedoria do Pai. Você voltou para casa. Estou há anos à sua espera. Cuidarei de você como um filho muito amado, e você cuidará de mim como uma mãe muito amada. Na verdade, você não tem doze anos. Tem uma eternidade de experiências.
Foi ali que comecei a viver de verdade.
Encontrei uma mãe carinhosa e bondosa, um lar confortável, estudo de qualidade. Trabalhei muito e me tornei um adulto bem-sucedido, como ela dissera tempos atrás.
Abri um abrigo para crianças. Por muitos anos tirei meninos das ruas. Amei-os e cuidei deles como um pai.
E quando, já velho, parti e cheguei ao outro lado, encontrei Dalva — minha mãe — que me disse:
— Compreendeu? A vida continua, e Deus não abandona Seus filhos. Ele é seu Pai.
Se eu conseguisse ao menos mostrar-te a forma como a minha mente te vê por meio dos meus olhos, talvez eu não precisasse de fazer recurso desnecessário ao mar de palavras que busco a todo o momento para que percebas o que sinto por ti.
Eu tenho os olhos de ver a vida nascer em cada manhã com cheiro de bogari e casa limpa,
As vezes é preciso pisar firme nas crueldade dos outros, de todos seus sons crueis. Mas definitivamente, é imperdoável não perdoar.
As vezes, eu preciso apenas dançar uma música como a Dama de vermelho, rasgar o rascunho da letra e escrever outro verso. Eu escrevi.
E há quem diga que o que escrevo não tem nada haver comigo. Lina Veira
Lina Veira
Poesias minhas
O ofício do sofrimento
Há quem trabalhe com ferro,
há quem negocie o trigo do dia —
eu assino recibos invisíveis
de uma dor que não tem firma aberta.
Bato ponto no escuro.
Pontual, o peito comparece
antes mesmo de mim.
Ele conhece o caminho.
Minha mesa é feita de memórias,
minha ferramenta, o silêncio.
Com ela aparo excessos de esperança,
lixo fino que insiste em brotar.
Aprendi técnicas:
respirar enquanto pesa,
sorrir enquanto rasga,
responder “tudo bem” com letra legível.
O sofrimento exige método.
Não aceita amadores —
cobra constância,
cobra presença integral.
Nos intervalos, tento descanso,
mas ele confere meus passos
como chefe antigo
que mora dentro da casa.
À noite arquivo o dia
em gavetas que nunca fecham.
O eco continua trabalhando
depois que o corpo desliga.
E ainda assim,
no rodapé de cada jornada,
há uma cláusula pequena:
quem suporta o peso
aprende secretamente
a reconhecer o leve.
"Como eu poderia ser a mesma depois tudo que eu passei?
Seria um insulto à minha dignidade e à mulher fantástica que resgatei."
Porque é que te vivi?
E deixei de ser quem eu era
Para nunca mais o poder ser?
É quando eu acho que tenho tudo sob controlo
Que controlar-me é suficiente
Que me perco
Acho que esse é o problema do fogo
Tu não te queimas a menos que acredites que ele não te vai magoar
Quando te aproximas o calor é conforto
Mas só quando entras é que percebes quе também ardes
Ardemos os dois
Será quе ele percebe que me queima?
Será que é só a mim?
Será que também sofre por não saber o porquê da cinza?
São estas dúvidas que me agarram a mão
Onde acaba ele e começo eu
Quando é que deixa de arder?
Se arde espera que cure
Mas mesmo o que cura deixa cicatrizes
Eu não tenho ar para todas neste ato.
Você se foi, me abandonou e nem avisou a saudade, que sem você eu morreria... Morreria de saudades, morreria de amor e de tristeza! Você se foi e ficaram as lembranças arquivadas na memória, de quem nunca aprendeu a esquecer um amor que até hoje me faz chorar, com a ausência de quem se foi, sem ao menos se preocupar que a saudade jamais me deixaria!
Um belo dia a felicidade bateu em minha porta e eu te abracei para nunca mais te deixar. Mas alguma coisa errada aconteceu e você partiu sem ao menos me dizer adeus, simplesmente desapareceu e como herança sua ficou a saudade que me prendeu para sempre em uma corrente chamada solidão.
E eu me perdi; Na imensidão do teu abraço, na sinceridade dos teus lábios, no brilho do teu olhar, na proteção que tem lhe amar […]
Só eu sei o quanto a minha mente se inflamava de ideias, quando consumia suas ideias. Brotava em mim um floral de reflexões que me faziam viajar em autores conhecidos e chegar aos novos desconhecidos e fortalecer minhas rédeas de ideias..
Como é bom suas ideias postas em letras no papel branco.
Quarto sem testemunhas
Amar foi escrever cartas
sem endereço de volta.
Eu as deixava na mesa do mundo
e o mundo nunca respondeu.
Meu nome não ecoa em ninguém —
é só um som que gasto
para provar que ainda existo
quando falo sozinho.
Os dias passam como móveis velhos,
ocupam espaço,
não contam histórias.
O relógio trabalha mais do que eu.
Não tenho sonhos:
apenas intervalos de sono.
Não tenho amigos:
apenas pessoas que passam
sem notar que passei também.
Há uma cama que me reconhece,
sabe meu peso,
minha forma de desistir da noite
sem fazer barulho.
Tenho medo não do fim,
mas do apagamento —
de virar objeto entre objetos,
lembrança nunca inaugurada.
Amar sozinho
é aprender a diminuir
até caber no canto da própria vida.
Ainda assim,
às vezes a manhã insiste
em abrir a janela
sem pedir licença.
E quando a luz entra,
mesmo sem promessa,
ela prova baixinho
que nem tudo desistiu de mim.
Ela foi, mas quando alguém me toca com carinho eu choro.
Ela foi, mas quando transo com alguém não me satisfaço.
Ela foi, mas quando beijo, o beijo é só físico não toca a alma.
E é isso.
O termo GENTE DO BEM deveria se chamar GENTE DO EU.
Eu acho... eu penso... Eu espero...
Minha família... Minha regra...
- Não tem nada de BEM no EU.
Gente do bem, faz o bem ao próximo! Pra mim, o bem é coletivo.
Alguns compram aplausos, eu invisto no futuro. Aplausos são barulhentos e passageiros. O futuro plantado hoje é a certeza da colheita de amanhã.
É preciso ser muito pra fazer eu desistir de mim
muito mais do que grito,
muito mais do que fim.
É preciso ser corte que nem o tempo cicatriza, vento que arranca raiz,
muralha que não se humaniza.
Porque eu me faço inteira até no caco,
me refaço no avesso do dia,
faço da dor um palco pra dançar minha poesia.
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