Não se Pede Ninguém em Amizade
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
Algumas vezes, ele aparece. Não é anunciado, não pede licença. Surge em tardes frias, em noites sombrias, silencioso, mas com a intensidade de um grito interno. Eu o chamo de O Vazio.
Sentir O Vazio é sentir a morte por dentro — mas não aquela morte física, simples e final. É uma morte diferente, mais sutil, mais antiga, que insiste em me lembrar de algo que eu já fui, de algo que já senti em outros lugares e tempos. É como se minha existência, fragmentada e atravessada por cicatrizes antigas, estivesse sendo revisitadas por sombras que o presente não consegue alcançar.
Quando O Vazio chega, não estou no tempo. Estou fora dele. Não é uma sensação que se possa controlar, ou mesmo compreender completamente. Ele se apresenta segundo suas próprias regras, segundo sua própria vontade. E, quando vem, parece sussurrar que meus passados — não apenas o imediato, mas todos os que deixaram marcas — têm algo a me dizer.
São cicatrizes que ainda latejam. Memórias que não pertencem mais a este instante, mas continuam a pulsar no corpo da alma. Não é daqui. O Vazio me remete a algo distante, quase irreal, perdido no tempo e no espaço, mas que insiste em permanecer. É a prova de que a experiência humana não é linear, e que o que fomos, mesmo quando esquecido, ainda vive dentro de nós, às vezes em silêncio, às vezes com a força de um choque inesperado.
Talvez O Vazio seja um portal para o que ainda não compreendemos de nós mesmos. Talvez seja um aviso, um chamado ou apenas a lembrança de que a alma carrega impressões de lugares e tempos que o corpo jamais atravessará novamente.
No encontro com O Vazio, aprendemos algo essencial: que a vida não se mede apenas pelo que fazemos ou sentimos agora, mas também pelo eco das feridas antigas, pelo rastro dos nossos passados que insistem em conversar conosco.
E, quando ele parte, resta a consciência de que fomos visitados por algo maior do que a dor momentânea: fomos confrontados com a própria eternidade da memória, com o peso do que já fomos e, de certo modo, com a promessa de que ainda somos.
Ás vezes a alma não pede respostas, pede descanso, dar-se pausa é escolha de sabedoria, no silêncio a força volta a nascer, descansar é preparar-se para recomeçar.
A resistência não é a ausência de dor, mas o ato de respirar fundo quando tudo pede que você desista.
Não há redenção sem um preço que se paga em silêncio. A voz pede espetáculo, mas a terra exige humildade. Quero pagar com gestos que ninguém registra. Com a moeda singela de cuidar de dias sem holofotes. E assim entendo que remissão é trabalho debaixo do pano.
A fé genuína é questionadora, não aceita respostas prontas. Ela pede provas, duvida e, depois, acredita com convicção medida. Essa fé é adulta: não precisa de cenários épicos para existir. Vive de pequenos milagres domésticos e de evidências quietas. E se fortalece no exame honesto dos próprios limites.
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
A chuva hoje tocou a janela como quem pede licença para entrar. Dentro de mim há móveis que rangem com lembranças. As palavras saem mansamente, como se pedissem perdão. Às vezes penso que sou feito de corredores vazios. E nesses corredores ecoam os passos que um dia me ensinaram a voltar.
O amor que me cura não exige perfeição. Ele pede apenas coragem para chegar com as mãos vazias. Acolhe os termos e as condições sem contrato. E na simplicidade do gesto, tudo se transforma. Porque amor que exige pouco é o que mais dá.
O silêncio cheio é aquele que não pede resposta. É morada de quem já entendeu demais para falar. Quando me sento nele, o mundo afrouxa o ritmo. Permite-me respirar sem justificativa. E isso, por si só, é privilégio raro.
Há noites em que o céu me pede silêncio. Ele me julga sem palavras, apenas com vastidão.
Sinto minha pequena história diante do infinito. E a sensação é de humildade e alívio. Aceito o lugar que me deram no cosmos.
O universo não pede sentido…
ele apenas acontece,
em silêncio,
expandindo tudo que nunca será completamente entendido.
DeBrunoParaCarla
A mudança não pede licença para o seu medo; ou você muda por vontade própria, ou a vida te atropela para você aprender.
"A pior pobreza não é a de quem pede e é ignorado, mas a de quem tem a chance de ser humano e escolhe ser um carrasco silencioso."
"Gente de Deus é assim...
Erra aqui, alí e acolá...
Pede perdão...
Levanta a cabeça e recomeça."
☆ Haredita Angel
"A vida pede força .
O espírito pede coragem.
A alma pede doçura.
E eu peço obediência!"
Haredita Angel
22.06.25
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