Nao Magoe um Alguem

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íbis 458

Se existisse uma rachadura no tempo, ela não teria o formato de um portal. Teria o formato de uma chave de hotel.

Não importava quantas cidades existissem, quantos anos tivessem passado, quantas pessoas tentassem convencê-lo de que seguir em frente era a única direção possível. Havia uma porta que continuava respirando dentro da memória.

Era um número comum para qualquer recepcionista. Um quarto qualquer, num corredor qualquer, de um hotel que provavelmente já havia trocado os carpetes, repintado as paredes e substituído os colchões. Mas para ele, aquele número havia deixado de ser arquitetura. Tinha se tornado religião.

Às vezes acordava no meio da madrugada convencido de que tudo aquilo era um erro de cálculo.

Talvez tivesse digitado a sequência errada na vida.

Talvez o destino não fosse uma linha, mas um elevador. E ele apenas apertara o andar errado.

Então imaginava.

E se, em vez de voltar ao 505…

…eu voltasse ao 458?

Talvez fosse ali.

Talvez fosse aquele o quarto que o universo escondera para quem insistia demais.

Na fantasia, ele atravessava o lobby sem dizer uma palavra. O cheiro do carpete era o mesmo. A máquina de gelo fazia o mesmo ruído distante. O elevador subia lentamente, como se cada andar pesasse uma década inteira.

Quarto andar.

Corredor silencioso.

A mão tremia sobre a maçaneta.

Nunca era a coragem que faltava.

Era o medo de descobrir que a esperança também envelhece.

A porta cedia devagar.

O quarto permanecia mergulhado numa penumbra azul, iluminado apenas pela luz da cidade atravessando as cortinas.

Duas possibilidades existiam.

Na primeira, o frio.

Uma cama perfeitamente arrumada.

O travesseiro intacto.

Nenhuma mala.

Nenhum perfume perdido nas fibras do lençol.

Só o ar parado de um lugar onde ninguém esperou por ninguém.

Era ali que ele compreendia que alguns lugares continuam existindo apenas porque alguém insiste em carregá-los por dentro.

Na segunda…

Ela estava sentada na beira da cama.

Como da última vez.

Os pés descalços tocando o carpete.

As mãos apoiadas sobre o colo.

Nem surpresa.

Nem felicidade.

Como se nunca tivesse ido embora.

Como se o tempo tivesse esperado apenas por ele.

Ela levantava os olhos.

Sorria daquele jeito pequeno que sempre parecia pedir desculpas ao mundo por existir.

E perguntava, quase rindo:

Demorou tanto assim?

Era sempre nessa hora que o delírio começava a ruir.

Porque ele nunca conseguia responder.

Não por falta de palavras.

Mas porque compreendia, por um instante cruel, que não era ela quem estava presa naquele quarto.

Era ele.

Ela permanecia exatamente igual porque a memória não envelhece.

Quem voltava diferente era sempre o homem diante da porta.

Mais cansado.

Mais vazio.

Mais cheio de discursos que jamais teria coragem de dizer.

Ele caminhava até ela.

Queria tocá-la.

Queria confirmar que alguns milagres ainda obedeciam à física.

Mas quanto menor ficava a distância, mais ela parecia feita da mesma matéria dos sonhos que esquecemos ao abrir os olhos.

Ela desfazia primeiro nas mãos.

Depois no rosto.

Depois na voz.

Até sobrar apenas o quarto.

Silencioso.

Frio.

Absolutamente vazio.

Foi então que compreendeu a crueldade da mente.

Ela não quer voltar ao passado.

Ela fabrica um passado que nunca existiu exatamente daquela forma, só para continuar tendo para onde fugir.

O quarto nunca foi o problema.

Nem a cidade.

Nem o hotel.

Era a esperança infantil de acreditar que existe um número certo capaz de devolver uma versão perdida de alguém.

Ele fechou a porta pela última vez.

Não porque tivesse deixado de amá-la.

Mas porque finalmente percebeu que nenhum corredor leva de volta para pessoas que só continuam vivas dentro da memória.

E enquanto caminhava em direção ao elevador, sorriu de um jeito estranho.

Como quem aceita que alguns endereços não pertencem aos mapas.

Pertencem apenas aos delírios de homens que, durante tempo demais, confundiram saudade com destino.

benta

Existe um tipo de pessoa que não entra na vida dos outros.

Ela inaugura uma estação.

Antes dela, os dias acontecem como um inverno comprido. As árvores continuam de pé, os carros continuam passando, o relógio continua cumprindo sua obrigação de girar. Mas existe uma diferença silenciosa entre viver e apenas sobreviver. Quase ninguém percebe até encontrar alguém capaz de acender as luzes de uma casa que sempre esteve habitada por sombras.

Foi assim que conheci Benta.

Os olhos mais sinceros que já presenciei em 26 anos de vida.

Bonitas eram as coisas que aconteciam perto dela.

O café parecia mais quente.

As ruas pareciam menores.

Os silêncios deixavam de ser um lugar de abandono para se tornarem um idioma que duas pessoas podiam dividir sem medo.

Ela carregava uma estranha habilidade de fazer o mundo perder o excesso. Como se passasse as mãos sobre a realidade e retirasse todo o ruído que sobrava entre um coração e outro.

Algumas pessoas chegam oferecendo promessas.

Benta oferecia paz.

E isso era infinitamente mais perigoso.

Porque promessas quebram.

Paz vicia.

Passei tempo demais acreditando que anjos tinham asas.

Depois percebi que talvez eles apenas saibam permanecer quando ninguém mais consegue.

Ela nunca precisou salvar ninguém de incêndios, tempestades ou guerras.

Bastou existir.

Há pessoas que nos dão conselhos.

Outras nos dão coragem.

Ela me devolveu uma versão de mim que eu desconhecia.

Na presença dela, eu não precisava fingir ser forte. Não precisava vencer discussões imaginárias, provar inteligência, esconder as rachaduras ou construir personagens. Pela primeira vez, existir parecia suficiente.

E isso me assustava.

Porque quando alguém nos enxerga sem as armaduras, sobra apenas a responsabilidade de não ferir aquilo que finalmente encontrou descanso.

Nem sempre consegui.

É estranho perceber que o amor também pode carregar culpa.

Não aquela culpa dramática dos romances.

Uma culpa silenciosa.

A de olhar para trás e pensar que algumas mãos aparecem apenas uma vez na vida para nos tirar da água.

E nós, ainda aprendendo a respirar, acabamos soltando exatamente a mão que nos mantinha na superfície.

Às vezes imagino que Deus distribui milagres de maneira discreta.

Não em igrejas.

Não em profecias.

Mas em pessoas.

Pessoas que aparecem sem anunciar a própria importância.

Que entram pela porta como qualquer outra.

Que riem de coisas pequenas.

Que bagunçam os cabelos com o vento.

E só depois de irem embora revelam que sustentavam um universo inteiro sem nunca terem dito uma palavra sobre isso.

Benta era assim.

Nunca precisou dizer que era luz.

A escuridão fazia esse trabalho por comparação.

Existe uma rua dentro da memória onde ela continua caminhando.

Não envelhece.

Não se despede.

Não pede que eu a siga.

Apenas continua andando, enquanto tudo ao redor floresce com a delicadeza de quem nunca soube que estava realizando um milagre.

Talvez seja por isso que algumas lembranças doam tanto.

Não sentimos falta apenas de uma pessoa.

Sentimos falta daquilo que éramos quando alguém nos fazia acreditar que o mundo ainda tinha um lugar reservado para a esperança.

Benta nunca foi uma casa.

Casas podem ser reconstruídas.

Ela foi horizonte.

Você pode atravessar continentes inteiros, aprender novos idiomas, dormir em outras camas, conhecer outros rostos.

Ainda assim, em algum momento do dia, seus olhos procuram exatamente aquela linha distante onde o céu parecia tocar a terra.

E então você entende.

Existem pessoas que passam pela nossa vida para serem amadas.

Outras, para serem esquecidas.

Mas há uma categoria infinitamente mais rara.

Aquelas que nos libertam de nós mesmos.

Que chegam quando tudo dentro parece um labirinto sem saída e, sem perceber, derrubam uma única parede.

Não mostram o caminho.

Elas se tornam o caminho.

E mesmo quando já não estão mais ali, seguimos andando por causa da direção que deixaram.

É por isso que nunca consegui pensar em Benta como uma ausência.

Ausências pertencem ao tempo.

Ela pertence ao que existe antes das palavras.

Àquela sensação inexplicável de encontrar abrigo sem precisar entrar em lugar algum.

Se algum dia me perguntarem qual foi o melhor sentimento que experimentei, não responderei com felicidade.

Felicidade é breve.

Direi que, por um instante impossível da vida, conheci alguém cuja simples existência fazia o mundo parecer menos pesado.

E desde então passei a desconfiar que certos anjos aceitam viver entre os homens apenas para lembrá-los de que a salvação, às vezes, não desce dos céus.

Às vezes ela sorri.

E atende por um nome que ninguém mais compreenderá.

Benta.

Alguns são como moedas de um centavo. Reais, verdadeiras, tem preço. Mas não possuem valor!

a morte do nostálgico (despedida)

Não houve despedida.

Ninguém chorou. Ninguém fez um discurso bonito. Ninguém colocou flores.

Só existiu um quarto silencioso, uma arma apontada para alguém que já estava morto fazia tempo.

O disparo não foi contra um homem.

Foi contra um hábito.

Contra a necessidade de transformar toda dor em identidade. Contra o vício de revisitar feridas até esquecer como era viver sem elas. Contra o conforto perverso de acreditar que sofrer significava sentir mais do que os outros.

O corpo caiu.

Levava no bolso cartas que nunca chegaram, fotografias de pessoas que já não moravam em lugar nenhum, promessas feitas para fantasmas, apostas perdidas tentando preencher um vazio que não aceitava existir sozinho.

Morreu ali o eterno saudoso.

O homem que sempre olhava para trás como se a felicidade tivesse esquecido um casaco no passado.

Junto dele, desceu à cova o rapaz que precisava parecer quebrado para justificar o próprio silêncio. O que fazia da própria tristeza uma casa, da ansiedade uma bússola e da culpa uma religião.

Também enterraram o covarde.

Aquele que esperava o mundo mudar primeiro para só depois ter coragem de viver.

Cobriram tudo com terra.

As pessoas que um dia fizeram falta ficaram lá dentro também. Não porque deixaram de importar, mas porque já não pertencem ao mesmo mundo de quem saiu andando daquele cemitério.

Existem lembranças que merecem descanso.

E insistir em ressuscitá-las é uma forma de morrer aos poucos.

Quando voltaram para casa, algumas portas permaneceram fechadas.

Uma conta deixou de existir.

Um perfil ficou abandonado.

Algumas palavras nunca mais seriam escritas.

Não por raiva.

Por sobrevivência.

Há lugares que continuam de pé apenas porque insistimos em visitá-los.

Hoje, eles perderam o último visitante.

A melancolia sempre soube escrever. Sabia escolher músicas, filmes, metáforas e transformar qualquer cicatriz em poesia.

Mas nunca soube construir futuro.

E chega um momento em que a beleza da própria ruína vira apenas outra prisão bem decorada.

Então acabou.

Não existe mais protagonista para aquela história.

O homem que precisava sofrer para existir recebeu o único destino possível.

Uma bala.

Uma pá de terra.

Silêncio.

Quem saiu daquele quarto não era feliz.

Nem invencível.

Nem curado.

Só estava cansado de oferecer a própria vida para coisas que nunca ofereceram a delas em troca.

Pela primeira vez, decidiu gastar energia com aquilo que pode alcançar.

O resto…

Que permaneça onde sempre pertenceu.

No passado.

Hoje não nasce alguém novo.

Hoje apenas morreu alguém que já estava ocupando espaço demais.

E dessa vez, ninguém vai cavar para trazê-lo de volta.

⁠Ontem sozinha a pensar,
senti uma saudade imensa de você.
Um desejo que não sei dizer,
que não sei explicar.
Uma vontade louca de te ver,
Uma vontade louca de chorar...
sem saber... porque...
Olhei o céu de estrelas radiosas e
entre elas as mais formosas juntinhas...
bem juntinhas... a brilhar!
E sem saber porque crescia cada vez mais
o meu sofrer, crescia esta vontade de te ver juntinho de mim... bem juntinho...
Pra dizer-te bem baixinho... muito baixinho...
Eu gosto muito de você!

A vida, meu amigo, não é um problema a ser resolvido com uma equação ou estrutura, mas uma realidade a ser testemunhada.

Não alimente um leão como se fosse um cão. O leão não tem instinto de gratidão e, uma hora, ele te devora como um cão.

O medo não é um inimigo a ser evitado, mas um adversário divino que detém uma bênção oculta. Não solte a emoção até compreender o que ela veio lhe ensinar.

Eu não aceitarei um amor raso, rude e sem graça. Nem pela conveniência, nem pela ideia de que "se não for isso, morrerei sozinha". Se o amor for isso, eu decido morrer sozinha.

"A exclusão pode ferir por um tempo, mas não tem poder para definir o seu futuro. Continue caminhando com fé, dignidade e esperança. Porque quem sabe quem é não permite que a rejeição determine quem será."

A excelência não é um ato de sorte, é o resultado de uma rotina implacável. Hoje, o foco foi garantir que cada um dos 37 times estivesse alinhado com a meta. O detalhe faz a diferença.

O amor não é um estado de espírito passageiro; é uma obra de arquitetura. Exige projeto, alicerces fortes, manutenção constante e a coragem de ajustar a planta quando as circunstâncias mudam. Amar é decidir, todos os dias, ser o suporte que o outro precisa para continuar construindo a própria história.

Assim como não existe vacina para arrependimento
não existe também nem um remédio para dor na consciência ou remorso por qualquer acontecimento ruim
que consequentemente devido a teimosia e falta de bom senso de alguns
possa vir a prejudicar ou condenar ao fim
o destino de muitos

⁠Não é mais questão de escolha de quem quer ou não se arriscar, estamos em guerra contra um inimigo em comum e nessa batalha desigual somos todos nós o lado fragil pois estamos suscetíveis e desarmados e mais complicado ainda é que mesmo entre nós estamos sujeitos a ignorância da covardia irresponsável, a falta de cuidado alheia, a falta de amor e respeito ao próximo.

Não terceirizo meu destino a um Deus que tem o mundo inteiro para socorrer.
Prefiro eu mesmo governar meus planos existenciais; afinal, em um planeta devastado por flagelos e injustiças, o privilégio individual de esperar o amanhã de braços cruzados é uma afronta ao sofrimento alheio.⁠

"A história e a política provam: 'ser humano' não é a nossa espécie, é um título de dignidade que a maioria das pessoas ainda não conseguiu conquistar."

O Peso Silencioso de ser o Porto Seguro de Todo Mundo
Existe um cansaço que o sono não cura.
É o esgotamento de quem passou a vida inteira sendo o esteio emocional dos outros, a pessoa que sempre tem a palavra certa, o abraço pronto e a disposição para salvar quem está caindo. Mas o que acontece quando quem cuida de todo mundo também precisa de cuidado?
Se você se identifica com isso, entenda uma coisa: esse esgotamento crônico geralmente é o seu corpo e a sua mente avisando que a conta não está fechando.
Ser o porto seguro de todo mundo o tempo todo cobra um preço muito alto, especialmente quando você olha ao redor na sua hora de tempestade e percebe que ninguém se importa em ser o seu. O afeto, o apoio e a atenção precisam ser uma via de mão dupla.
Quando vira contramão, a gente adoece.
Por isso, entenda que não há problema nenhum em dar um passo para trás.
Isso não é egoísmo, é sobrevivência.
Recuar não significa que você deixou de amar as pessoas, significa apenas que você escolheu guardar um pouco dessa sua dedicação, do seu tempo e do seu cuidado para você mesmo.
Até os esteios mais fortes precisam de manutenção. Se cure primeiro, se abasteça primeiro. Você não é obrigado a carregar o mundo nas costas quando o seu próprio chão está tremendo. Cuide de você.

"O inferno não é um lugar distante; ele existe aqui e agora. Habita na mente de quem espalha a mentira, na conduta de quem propaga o racismo e na alma escura de gente ruim.⁠

Mentiras grotescas na política não são apenas Fake News; são sintomas de um caráter que faliu. Usar histórias cruéis e bizarras, como inventar o uso de crianças para atacar vacinas ou remédios, mostra uma incapacidade moral severa. Quem tem a coragem de inventar ou espalhar esse tipo de perversão deixa evidente que não possui estabilidade emocional ou honestidade para cuidar do bem público. A nossa sociedade adoece quando aceita que a liderança política seja movida pela manipulação do medo. Uma pessoa que precisa descer a esse nível de baixeza prova que é indigna de confiança e, principalmente, do voto de cidadãos conscientes.

Não deve chamar um idoso pelo nome e pelo apelido,e nem pelo sobrenome,não chama os idosos pelo nome e acrescenta senhora na frente do nome,nem chamar pelo apelido e nem chamar pelo sobrenome,chamar senhora Cristiane,senhora Marcela,senhora senhora Gabriela,senhora Roberta,senhora Carla,senhora Renata,senhora Luíza,porquê devemos ter amor e respeito aos idosos.