Nao Magoe um Alguem
Algumas marcas não desaparecem… apenas deixam de doer e passam a lembrar, com suavidade, que um dia foi real.
Não devemos punir o nosso futuro com o medo gerado pelas feridas do passado; a maldade alheia é um reflexo do outro, mas a nossa bondade é uma luz que nos pertence.
Entre o Que Permanece
Não foi em um dia
que dois caminhos se perderam.
Foi aos poucos —
nos detalhes ignorados,
nas palavras não ditas,
no cansaço que foi ficando.
E, ainda assim,
há algo que não se desfaz.
O que foi verdadeiro
não termina —
apenas muda de lugar dentro da gente.
Não se sabe quando foi
que tudo se soltou,
ou em que curva da vida
houve desencontro.
Mas há um tempo de silêncio.
Um tempo de espera.
Um tempo em que a dor
aprende a se transformar.
Se é tempo de recolhimento,
que seja sem culpa.
Se é tempo de reconstrução,
que seja com cuidado.
O que foi vivido permanece
sem necessidade de explicação,
sem a tentativa de reescrever finais,
sem diminuir o que foi real.
Porque algumas histórias
não precisam continuar
para permanecerem inteiras.
E, no que fica,
já não há posse —
apenas o desejo sincero
de que o outro fique bem.
E, quem sabe um dia,
em algum ponto tranquilo do tempo,
os caminhos voltem a se cruzar —
sem dor, sem pressa,
apenas em paz.
Mesmo que de longe.
Eu acredito que escrever é muito mais que um desabafo, não é nada mais que a alma se expressando. Expressando tudo aquilo que não falamos por medo de julgamento ou simplesmente por não saber se posicionar corretamente, e isso acaba saindo como uma reflexão em uma folha de papel.
Paixão
Desejo a você um dia luminoso. Um dia alumiado.
Penso em ti e mesmo que eu evite, não consigo.
O som do seu nome me encanta. Eleva-me. Excita-me!
Rogo! Ouço! Gosto! Encontro... Resposta...
Minha sensibilidade aflora o meu ego.
Sinto você a minha sobra.
Quisera eu me transportar para um mundo onde os olhos tivessem a função decorativa.
Poderia eu te encontrar e senti-lo com o toque das minhas mãos. Sentir a sua essência!
Se o mundo fosse assim penso eu que seria mais humano!
Todos seriam mais verdadeiros, mais humanos, mais perceptivos! Ou não?
É engraço que por vezes não temos respostas para perguntas tão estranhas.
Tão utópicas.
Insanidade? Utopia?
Às vezes em meus pensamentos fica a vagar tentando fazer reparos
Em um mundo que já foi projetado para funcionar assim
Em um mundo cansado e doente!
Certo? Errado? .
Mais uma vez sem respostas.
Enfim, quem sabe algum dia questionável!
Paixão
Continuo com a sensação de perda!
Seja constitucional comigo, seja verdadeiro, seja digno
Dê uma resposta convincente e aplausível
Como posso perder algo que não tenho?
Como posso chorar por algo que não tenho?
Como posso sentir vazio por algo que nunca tive?
Mas tenho que admitir uma coisa,
Sinta-se agraciado, sinta-se lisonjeado, sinta-se vivo e sabe por quê?
Continuarei, em minhas noites delirantes, afagar os seus cabelos suaves.
Continuarei olhando os seus olhos a me tocar, a me despir, a me amar.
Continuarei sentindo a sua essência
Inodoro, te adoro!
Amo você sem ver-te
Amo você sem senti-lo
Amo você sem tocá-lo
Amo sua existência sem existir
Ah! Paixão!
Você sempre será meu simpático galanteador
Sempre será meu sedutor
Será meu anjo tridimensional
Amo você!
Eu não te amei por te achar incomum; eu te amei por considerar-te um amigo confiável, um amante incomparável e um ser humano apaixonante. Sou sincera: você continua sendo meu ser amado.
Mas tudo isso pode ser amor,
ou apenas um sal sem sabor.
Estamos em caminhos dos quais não podemos voltar, mas apertar o play é tão excitante!
NATAL
O Natal é um fenômeno mundial e parece não ter fim na mente humana.
É contagiante, intrigante e faz com que pensamentos bons fluam pelo nosso corpo, independentemente das circunstâncias. Vem como um feromônio da felicidade, se é que esse termo pudesse existir.
O Natal torna-se um verdadeiro espetáculo de luzes, enfeites e alegrias.
É uma paz que sabemos ser passageira, mas que, ainda assim, nos envolve de forma intensa, quase eletrizante — e isso é sentido por todos nós.
São milhares de histórias: muitas tristes, outras tantas, profundamente alegres.
Tudo começa no início do ano, quando o pensamento já se povoa da expectativa pelo próximo Natal. Ao longo dos meses, essa espera se estreita e, de repente, percebemos que ele se aproxima. Às vezes até esquecemos — talvez pelo cansaço do dia a dia, pelos problemas constantes, pelas decepções marcantes. Mas, no final de cada ano, o Natal explode, recarregando a bateria humana com sorrisos que não chegam apenas aos olhos, mas à alma.
Mãos se unem, lembranças passam como filmes na mente, e surge a esperança de que pequenas mudanças possam gerar felicidades duradouras.
Acredito nesse Papai Noel. Não no velhinho barbudo e de barriga grande — esse conceito deixo para a pureza das crianças.
Acredito, sim, no ser humano existencial: naquele que olha para as crianças carentes e acalma seus corações; que enxerga famílias humildes e oferece força e determinação; que percebe o amigo que precisa de ajuda — nem sempre financeira, muitas vezes apenas um “olá”, um sorriso, um aperto de mão.
E há também os invisíveis e tristes. Eles precisam de apoio, de conselhos e, às vezes, apenas de um abraço cheio de amor.
Vivemos em um mundo lindo, mas que nem sempre é cuidado como deveria. Há falhas, e o tempo é curto.
Muitos estão desesperados por proteção, por afeto, por um turbilhão de carinhos, por ter um rosto a quem chamar de amigo — o protetor.
Que neste Natal o improvável e o impossível se realizem, até porque o contrário já é certo.
Que a cura aconteça em todas as situações, pois milagres e transformações ainda são possíveis.
Que cada um tenha o seu Papai Noel.
Que cada um tenha o seu Natal.
Que cada um viva um Natal cheio de luzes multicoloridas, e que a paz se instale no mundo inteiro, trazendo serenidade e esperança.
Vamos relaxar, porque outras tempestades virão, outras tristezas nos alcançarão e lágrimas ainda rolarão pelo nosso rosto. Mas basta lembrar: a virada do ano chega, e o próximo sempre pode ser melhor.
Enfim, é isso que desejo:
um mundo colorido, risos sinceros, abraços cheios de musicalidade
e um ar que cheire à vida —
à vida feliz.
A dúvida se torna um perigo. Questiono e reflito:
a gente não dá as costas e ainda assim fica sem entender por que passou e não ficou.
Agora o efeito cessou, e tudo se apresenta assim — com dores, e o sorriso não se abre.
Mesmo assim, à sombra, em soslaio, vejo… e pouco entendo.
Eu lamento não ter o poder nas mãos para consolar a todos,
nem o poder de abraçar cada um.
Resta-me apenas fechar os olhos e, em minha mente,
fazer minha alma ajoelhar-se
e pedir ao Supremo que olhe por seus filhos.
Entre Órion e a Saudade
Eu o via como um menino,
daqueles que não querem crescer.
Carinhoso, um Peter Pan.
Ele prometeu me mostrar a constelação de Órion,
visível a olho nu — um presente do universo.
Certo dia, disse-me que, quando a saudade chegasse
e a noite estivesse em prantos,
bastaria eu fechar os olhos
para que o manto negro surgisse.
Mas que eu não me preocupasse,
pois logo a claridade apareceria,
com estrelas brilhantes e felizes.
Eco de um perdão
Ouvi você, em gritos, dizer que ao seu redor não existem seres bons, nem seres honestos.
Ouvi você dizer que, quando partisse, ficaria na memória de muitos, mas que poucos estariam lá.
Ouvi você dizer que todos estavam errados por não estenderem as mãos e que nem sequer havia um abraço, nem mesmo um olhar.
Ouvi você dizer, entre gritos e choro, que gostaria de ter pelo menos um amigo, pelo menos um grande amor.
Em revolta e com as mãos atadas, mergulhei em lágrimas por não acreditar no grito da sua voz.
Você, onde quer que esteja, ouvirá o grito da minha solidão. Tenha certeza: meus pensamentos, em gritos, pedem a você:
Perdoe-me
Quando o Jardim silencia
Sempre que olho para um jardim cujo cuidador não tem a nobreza de podar, mexer a terra, adubar e nem mesmo regar, sinto-me triste; um arrepio atravessa-me diante da delicadeza de uma flor negligenciada.
Ao vê-las assim, é como se estivessem doentes, tristes, chorando de dor e sede. Eu também me entristeço — é como ouvir seu lamento por não poderem correr em busca de socorro.
Acredito que a empatia deve estar acima de tudo, diante da essência e da beleza da nossa natureza.
Amor não se dissolve
Sempre pedi ao universo um amor puro e verdadeiro, justo e transparente.
Mas eu me negaria a receber um amor líquido — que Deus me proteja —, pois esse tipo de amor inconsequente seca minha garganta, cega meus olhos, gela meu corpo e sela minha boca.
Esse amor sem compromisso, leviano, não flui em mim.
Prefiro os toques que permanecem, os beijos que acalentam e os abraços que aquecem — algo duradouro, de verdade.
E viva a força do amor.
Ecos de um Amor que Não Volta
Cada amor tem uma história.
E, se as ondas de lembranças invadissem o coração, talvez levassem embora o eco do vazio de uma vida inteira.
É certo que, às vezes, a linha do tempo fica desordenada, fragmentada. Nesses momentos, chega a ser curioso, porque há ocasiões em que nem o próprio dia parece compreender que a escuridão de um lindo manto brilhante chega todas as noites.
Então, penso: se a gente ama e o amor vai embora, devo aceitar a frase “você ama, então o amor volta”?
Não, não volta. Até porque, se voltasse, seria visto de outra forma — não seria o mesmo. Carregaria algo diferente junto com aquele sentimento. E, ainda assim, se realmente voltasse, talvez não houvesse tantas desilusões e sofrimento.
Fico em dúvida: será que minha visão está diferente? Houve mudança?
É… pode ser que sim.
Eu acho que gosto de escrever, porque não será possível, apenas eu enxergar, o quanto a ideia de um deus benevolente, é perigosa em um mundo visivelmente injusto.
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