Nao Magoe um Alguem
A gradual escuridão me amedronta um pouco, bicho que sou e que toma cautela. Escuridão? medo e espanto. O dia morrendo em noite é um grande mistério da Natureza. (...)
Em mim ela brota de meu âmago qual semente que rompe a terra.
Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante. Assusta a visão talvez irremediável e que talvez seja a da liberdade.
Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.
É que um mundo todo vivo tem a força de um Inferno.
Teu olho bate em mim e logo se desvia, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume.
Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras expõe tudo, grita, esperneia - no papel.
Para um Amor na Rua
Meu amor,
vem pra casa que ouvi dizer
que vai estourar a guerra
Nostradamus previu
Raimunda, nega Raimunda confirmou
Por favor, ponha os pés na terra
Chão firme cama da gente
ouvi dizer que vai estourar a guerra.
Você que é mundano convicto
você que erra
vai argumentar que não há perigo e o escambou
que é apenas o "bicho" internacional.
Vai confundir tudo com show
vai dizer que tem Prince, Rock n'roll
Gun's N'Roses e talvez Gal;
É mau, meu bem
tem também Sadam, Bushes e mesquinharias
Vem pra casa guardar num cofre sua ingenuidade
vem proteger da maldade sua fotografia.
Aqui fiz cuscuz farofa e feijão fraldinho
aqui pintei filosofia, comigo-ninguém-pode
espada de São Jorge, jasmim, arruda, carinho.
Tudo anti-míssil
tudo bruxaria anti-crueldade bélica
Lá fora alguns meninos
querem experimentar a potência
de seus terríveis brinquedos.
Não tenha medo
vem pra casa sem nem telefonar
aqui tem ar, poesia, fé
e tudo que a alegria da alma encerra.
Vem, meu amor
que ouvi dizer que vai estourar a guerra.
(verão de 1991)
Enviar Amor é o dever mais bonito de um ser humano que percebeu a sua razão de viver. Ele recebe a maior graça para a eliminação das suas próprias cargas negativas – as vibrações do Amor voltam sem empecilho à sua própria vida e trazem consigo Bênçãos e Luz.
E se perguntassem o que vem a ser o certo, Gabriela olharia com a cabeça torta como a de um cachorro quando parece não compreender o que se passa. O olhar de repente vidrado de quem tem sede de entender as coisas que acontecem ao redor. E no meio dessa imensa individualidade onde ninguém podia entristecê-la sempre cresciam espinhos. Espinhos para machucar aqueles que a machucavam, então assim não a tocavam. Não tocava porque o medo da mágoa não deixava que lhe tocassem, ou então havia medo porque não haviam tocado fundo o suficiente para que o medo não existisse. Que triste então estava sendo, mas Gabriela parecia acostumada. Acostumada e fria porque depois de tantas lágrimas, ela finalmente parecia ter secado. Seus olhos eram de desilusão, de cansaço. Cansada de construir sonhos, planos, fantasias. E depois da desilusão ter de destruir uma a uma, como se nada daquilo tivesse um dia existido, só para olhar para trás e não sentir nada do que sentira antes. (...) E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado.
Eu também gostaria de ter conhecido meu trisavô, gostaria que meu pai me acompanhasse mais um pouco, gostaria sobretudo que Matilde me sobrevivesse, e não o contrário. Não sei se existe um destino, se alguém o fia, enrola, corta. Nos dedos de alguma fiandeira, provavelmente a linha da vida de Matilde seria de fibra melhor que a minha, e mais extensa. Mas muitas vezes uma vida para no meio do caminho, não por ser a linha curta, e sim tortuosa. Depois que me deixou, nem posso imaginar quantas aflições Matilde teve em sua existência. Sei que a minha se alongou além do suportável, como linha que se esgarça. Sem Matilde, eu andava por aí chorando alto, talvez como aqueles escravos libertos de que se fala. Era como se a cada passo eu me rasgasse um pouco, por¬que minha pele tinha ficado presa naquela mulher.
Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim. Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Fresno no carro ou quando eu faço um amigo feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco uma camisa de botão. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer mulher que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo.
É um campo verde e vasto
É um campo verde e vasto,
Sozinho sem saber,
De vagos gados pasto,
Sem águas a correr.
Só campo, só sossego,
Só solidão calada.
Olho-o, e nada nego
E não afirmo nada.
Aqui em mim me exalço
No meu fiel torpor.
O bem é pouco e falso,
O mal é erro e dor.
Agir é não ter casa,
Pensar é nada Ter.
Aqui nem luzes (?) ou asa
Nem razão para a haver.
E um vago sono desce
Só por não ter razão,
E o mundo alheio esquece
À vista e ao coração.
Torpor que alastra e excede
O campo e o gado e os ver.
A alma nada pede
E o corpo nada quer.
Feliz sabor de nada,
Inconsciência do mundo,
Aqui sem porto ou estrada,
Nem horizonte no fundo.
HEAL THE PAIN (TRADUÇÃO)
Deixe-me lhe contar um segredo
Coloque-o em seu coração e o mantenha lá
Há algo que eu quero que você saiba
Faça algo por mim
Ouça a minha humilde história
E talvez tenhamos algo para compartilhar
Você me diz que é fria por dentro
Mas como será o mundo exterior?
Um lugar que seu coração pode adotar
Seja boa consigo mesma
Pois ninguém mais
Tem o poder de fazer-lhe feliz
Como posso ajudá-la?
Por favor, deixe-me tentar
Eu posso curar a dor
Que você está sentindo por dentro
Quando você me quiser
Esteja certa de que estarei
Esperando pelo dia
Em que você dirá que será minha
Ele realmente deve ter te machucado
Para fazer com que diga as coisas que tem dito
Ele realmente deve ter te machucado
Para fazer estes olhos tão lindos tão tristes
Ele devia saber
Que era capaz e
Que você nunca o deixaria
Agora você não é capaz de ver que o meu amor é bom
E que eu não sou ele
Como posso ajudá-la?
Por favor, deixe-me tentar
Eu posso curar a dor
Não vai me deixar entrar?
Quando você me quiser
Esteja certa de que estarei
Esperando pelo dia
Em que você dirá que será minha
Não quer me deixar entrar?
Deixe este amor começar
Não vai me mostrar o seu coração agora?
Eu serei bom para você
Posso fazer esta coisa verdadeira
Mostre-me o seu coração agora mesmo
Quem precisa de um amante
Que não pode ser um amigo?
Algo me diz que sou aquele que você tem procurado
Se você o ver novamente
Diga que encontrou alguém que lhe dá muito mais
Alguém que a protegerá
Amará e a respeitará
Todas estas coisas
Que ele jamais pôde fazer por você
Do jeito que eu faço
Ou, de certo modo, como eu tento
Não vai me mostrar o seu coração
Do jeito que deveria?
Como posso ajudá-la?
Por favor, deixe-me tentar
Eu posso curar a dor
Que você está sentindo por dentro
Quando você me quiser
Esteja certa de que estarei
Esperando pelo dia
Em que você dirá que será minha
Não quer me deixar entrar?
Deixe este amor começar
Não vai me mostrar os eu coração agora?
Eu serei bom para você
Posso fazer esta coisa verdadeira
Mostre-me o seu coração agora mesmo
Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
11. M de Mensagem
D. Dinis
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
o plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
Nem é você que eu espero, já te falei. Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar.
Com a ponta do dedo indicador, então, sobre a vidraça embaçada, você risca um traço, aparentemente à toa. Como na infância, nos dias de tempestade. Depois você desenha outro, e outro.
... volta que eu cuido de ti e dou um jeito qualquer de tu ficares bom e então nós podemos ir embora (...) qualquer outro lugar onde tu possas ficar completamente bom do meu lado e para sempre, volta que eu te cuido e não te deixo morrer nunca.
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