Nao Magoe um Alguem
" Todos os dias ao amanhecer o sol me dava um pássaro cantante na minha janela, hoje o sol não veio, mas lá esta já preocupante um pássaro. "
LÁGRIMAS ESCURAS ESTRANHAS.
“Camille Marie Monfort caminhava como quem carregava um inverno dentro do peito. Não eram lágrimas comuns. Eram precipícios líquidos escorrendo silenciosamente pela face de alguém que compreendeu cedo demais o peso das despedidas.”
Ela não chorava apenas por um amor perdido. Chorava pelas múltiplas mortes invisíveis que a existência impõe lentamente à alma humana. Chorava pela infância que lhe arrancaram antes da hora. Pelos corredores vazios das antigas casas aristocráticas onde o silêncio parecia observar cada passo. Pelos retratos antigos que conservavam sorrisos de pessoas já devoradas pelo tempo.
Camille descobriu algo terrível. Algumas pessoas não enlouquecem por excesso de dor. Enlouquecem por excesso de lucidez.
As tristezas escuras nasceram quando ela percebeu que muitos afetos humanos são frágeis demais para sobreviver ao desgaste do egoísmo, da vaidade e das conveniências sociais. Desde então, seus olhos passaram a carregar aquela melancolia semelhante às catedrais abandonadas após a chuva.
Existia também outra ferida. Mais profunda. Mais metafísica.
Camille sentia-se deslocada do próprio século. Como se sua alma pertencesse a algum salão antigo iluminado por velas mortiças, música fúnebre e cartas jamais enviadas. O mundo moderno lhe parecia excessivamente rápido para compreender sentimentos profundos. Via pessoas sorrindo enquanto apodreciam emocionalmente por dentro. Via corpos vivos habitados por espíritos fatigados.
Por isso suas lágrimas eram escuras.
Não porque amasse a escuridão. Mas porque a escuridão havia aprendido a morar nela.
Ainda assim, havia beleza em sua tragédia. Uma beleza austera. Quase litúrgica. Camille transformava sofrimento em contemplação filosófica. Enquanto muitos endureciam diante das perdas, ela tornava-se mais sensível, mais introspectiva, mais perigosa para si mesma. Certas almas possuem esse destino. Não nasceram para atravessar a vida superficialmente. Vieram para sentir tudo até o último abismo.
E quando a noite caía, Camille permanecia diante da janela observando o mundo como quem esperava algo impossível retornar das sombras. Talvez um amor. Talvez uma vida que nunca viveu. Talvez apenas a parte de si mesma que morreu silenciosamente sem que ninguém percebesse.”
SOBRE: JOANA D'ÁGUA ARC - DE HEREGE À SANTA.
#HojeNaHistória Em um dia como hoje, em 1920, a Igreja Católica canonizava Joana d'Arc, transformando-a oficialmente em santa e padroeira da França. A cerimônia, conduzida pelo Papa Bento XV, aconteceu quase 500 anos após sua morte trágica na fogueira, em 1431, acusada de heresia e bruxaria. A jovem camponesa, que dizia ouvir vozes divinas, liderou tropas francesas durante a Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra, tornando-se um símbolo de coragem, fé e resistência nacional.
Joana nasceu em 1412, no vilarejo de Domrémy, e começou a se destacar aos 17 anos, quando convenceu o delfim Carlos VII a deixá-la comandar o exército francês. Sua liderança foi decisiva na vitória da França em diversas batalhas, incluindo o cerco de Orléans. Mesmo capturada, julgada injustamente e executada aos 19 anos, seu legado resistiu aos séculos. Em 1456, a Igreja reverteu sua condenação e, séculos depois, reconheceu sua santidade. Hoje, Joana d'Arc é símbolo de fé inabalável e heroísmo.
#JoanaDArc #HistóriaDaFrança #santoscatólicos
Encontro de LÉON DENIS com KARDEC.
Havia em Tours um grupo espírita bem organizado, ao qual, porém, Denis não podia frequentar regularmente devido seus compromissos de trabalho. Mas, em meio aos primeiros estudos doutrinários, junto com alguns amigos espíritas, o rapaz ficou sabendo de um evento especial que se daria na sua cidade: a visita do autor de O Livro dos Espíritos.
O ano era o de 1867 e Denis tinha apenas 21 anos de idade. A reunião estava prevista para se realizar num salão, mas a prefeitura não providenciou a autorização do evento; então uma das personalidades espíritas da cidade ofereceu sua residência para sediar a palestra. Denis encarregou-se de ficar à porta do endereço anterior para prevenir os convidados da mudança de local; depois, ele foi se juntar os trezentos ouvintes que disputavam um lugar nos jardins da casa do Sr. Rebondin, para ouvir o codificador espírita. Ele registrou esse momento jubilar nos Anais do Congresso de 1925:
“Sob a claridade das estrelas, a voz suave e grave de Allan Kardec se elevava, e sua fisionomia meditativa, iluminada por uma pequena lâmpada colocada sobre uma mesa, no centro do jardim, produzia um aspecto fantástico. [...] Os canteiros do Sr. Rebondin ficaram bem pisoteados, mas cada um levou dessa noite uma inesquecível lembrança.”
No dia seguinte, o rapaz foi cedinho na casa que hospedava o Mestre espírita, só para dar uma espiadinha, do que vai contar: “[...] encontrei-o sobre um pequeno banco, junto a uma grande cerejeira, colhendo frutos que atirava para a Sra. Allan Kardec — cena bucólica que contrastava com aquelas graves preocupações.”
A passagem de Kardec em Tours rendeu a fundação de um novo centro espírita, do qual Denis foi escolhido secretário. A propósito de mais instruções, o apóstolo iria se encontrar o mestre mais duas vezes ainda em 1867; uma vez em Paris, no escritório de Kardec; outra vez num evento espírita em Bonneval. Dois anos depois, à distância, Léon lamentaria a morte do professor.
ANOTAÇÃO ÍNTIMA DE KARDEC.
“Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações, foi que os Espíritos, não sendo mais do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral. Que o saber do que dispunham se reduzia ao grau de adiantamento que haviam atingido e que suas opiniões só tinham o valor das opiniões pessoais. Reconhecida esta verdade, desde o princípio, ela me preservou do grave escolho de acreditar na infalibilidade dos Espíritos, e me impediu ao mesmo tempo de formular teorias prematuras, com base no que fosse dito por um ou por alguns deles”.
Eu passei muito tempo sendo o guardião de um tesouro invisível. No palco da minha mente, ensaiei mil vezes a canção que eu queria te cantar, mas, na hora de abrir as cortinas, a voz se perdia na imensidão do que sinto. É curioso como um homem pode se sentir gigante e, ao mesmo tempo, tão pequeno diante do nome da mulher que ama.
Eu te amei no vão das horas, nos detalhes que ninguém mais percebeu. Fui a estrela que você não viu durante o dia, mas que estava lá, ancorada no céu da sua existência, esperando a noite cair para poder, enfim, te encontrar no único lugar onde éramos um só: nos meus sonhos.
"Mas o silêncio, que antes era meu abrigo, tornou-se uma prisão estreita demais para a força desse querer."
Hoje, sinto que sou como o sol mencionado nos teus versos. Não há mais sombra que consiga esconder o que o peito grita. Guardar esse amor é como tentar segurar o amanhecer com as mãos: impossível. Meu coração cansou de ser baú e decidiu ser ponte.
Não quero mais que você seja um poema deixado no ar; quero que você seja o papel, a tinta e a voz que dá vida às minhas palavras. Quero sair do silêncio e te habitar na luz, trocando o "amor guardado" pelo amor vivido, braço com braço, vida com vida.
Porque amar em silêncio é uma arte, mas te amar em voz alta... ah, isso é a minha liberdade.
"Desejo um amor puro e verdadeiro, capaz de enxergar além das aparências e caminhar ao meu lado em qualquer lugar do mundo."
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