Nao Machuque o meu Coracao
Minha mãe não vai me ver envelhecer. Ela não vai ver minha pele enrugar ou meu cabelo começar a murchar. Ela é a criadora da minha vida e ainda assim, é apenas uma passageira. Ela segurou minha mão e assistiu meu corpo dar o primeiro suspiro mas, ela não estará lá para me segurar quando eu der o último. Minha mãe é minha vida inteira e ainda assim, é apenas um momento dentro dela. Eu sinto muito! Sinto muito por todas às vezes que eu disse coisas que te machucaram; coisas que te fizeram chorar escondida. Eu deveria ter sido mais gentil com você! Porque agora eu mal te vejo e fico sozinho em momentos que, no passado, eu tinha a possibilidade de correr para os seus braços. Você fez tudo sozinha e superou tanto. Eu gostaria de te ajudar a voltar a ser a garotinha que você era quando você estava feliz.
Milagre de chão
Meu milagre não desce do alto,
não brilha em vitral.
Não vem do céu, mas de poças.
Rasteja.
Bebe do lodo dos dias passados,
canta no barro onde a dor se aloja.
Devagareia.
Aprendeu com o peso da espera
a carregar o lar nas costas.
Meu milagre é andar sobre as mágoas,
ser lesma que, mesmo lenta,
assina nas folhas um rastro de ida.
Às margens do teu ser.
Meu mar doce,
represá-la?
Não posso.
És livre, mar...
Navegantes?
Só os que permites,
mas
não há ainda quem
te desbrave.
És livre, mar,
de
ondas curvilíneas,
poente de toda luz.
Povoas a mente dos homens,
morada do desejo.
És livre, mar,
a ti, tenho
apenas
um pedido:
Afoga-me.
Meu mar doce,
represa-la?
Não posso.
És livre mar...
Navegantes?
Só os que permitiu,
mas
não há ainda quem
o desbrave.
És livre mar,
de
ondas curvilíneas,
poente de toda luz.
Povoa a mente dos homens,
morada do desejo.
És livre mar,
a ti, tenho
apenas
um pedido.
Afoga-me.
Gêmeos
"Há algo em mim que não é meu.
Há um fôlego que continua a me oxigenar mesmo depois que meu corpo se rendeu.
Há uma força que impulsiona quando as minhas pernas já não se movem.
Há uma bondade que compartilho que essencialmente não é minha.
Quando escrevo, não sou um, mas dois.
O que dita e o que redige.
O que é, e o que gostaria de ser.
Eu e você.
Sou o religioso e você a espiritual.
Eu lagarteio, enquanto você borboleteia.
Faço poesia pela minha incapacidade, de como você,
viver poeticamente.
Temos o mesmo DNA, os mesmos dias de vida
ainda assim você é muito maior do que eu.
Dividimos apenas o ventre não os predicados.
Minha esperança é, que ser você seja inevitável também para mim.
Ao vê-la percebo tudo no que posso me tornar.
Somos o Já e o Ainda Não.
Como semente que possui em si todo potencial de uma bela e frutífera árvore,
mas ainda não é arvore.
Você é arvore, você é já, eu... ainda não.
Ah! se neste ser houvera...
Palavras para junto de ti levar,
O que ainda não levara,
No meu já tanto orar...
O que em mim vai de sofrer,
Neste minha vida momento.
Então haveria em ti Deus querer,
Para de mim tirar tão grande sofrimento.
Deus! Deus! Deus!...
Já é tempo de ouvires,
Este clamor meu...
Dá-me então, a este meu coração...
Um expôr permitires,
Em palavras altas minha tribulação!!!
E falei-lhes assim:
Alma minha! Meu espirito, sem fim!
Meu corpo; meu ser!...
Se sobre vós, não ousou chover!
Como então! Perante meu fado,
E meu tanto enfado...
Sobre nós, então, buscar ides!
Águas, para destes cegos olhos, lágrimas sair verdes?!
Então me disseram:
Eis que sobre tu e nós!
Águas que são, serão e eram...
Aliviam esta tormenta...
Que continua veloz...
Porque são águas fortes, como sete vezes setenta!...
Liberdade
Eu sou eu, igual a mim só eu, não outro,
com os defeitos muitos em meu ser.
Eu existo, para fazer todo o meu dever.
De outro ou deste meu sempre modo.
Eis que muita gente eu incomodo, pois sei.
Mas também por muita gente, já eu passei,
que muito me incomodaram tanto a mim.
Mas não é por isso que eu incomodo assim.
Antes eu faço isso, porque nas minhas entranhas,
há uma lei, que me faz não ter de falar, vergonhas.
Isso faço eu, para os outros eu muito edificar.
Neste tempo em que há tanto, mau julgar.
A lei que me faz tanto eu escrever e falar,
Essa lei me vai naquele dia também julgar.
Ouvi pois povo do mundo, a lei do vosso interior,
mas ao mesmo tempo ouvi também, a lei superior.
Pois assim deveis vós sempre isso fazer,
para que possais em vós muito ter,
Uma lei de toda a verdade,
e ensinar o povo a ter sempre liberdade!
Homens
Meu pai, loucos são os homens.
Os do mundo, pois então...
Se não fossem, eram da razão.
Mas são das do mundo ordens.
São criadores de vasos, partidos.
Que não tem nenhum valor...
São das obras dos sentidos,
Que aos mansos, causa dor.
Meu filho, os homens, enganosos,
São do mundo e temporais.
Mas os mansos são racionais.
Dos mansos é a vida.
E a alegria ainda.
Pois são do bem temerosos!
Deserto
Eis que estou a labutar, neste meu existir,
onde vou eu parar, se não me sinto triunfar?
Luto em vão neste deserto seco, de queimar.
Mal ando, na areia, que me quer destruir.
Ventos uivantes me estão a desviar, da minha rota,
e me querem fazer cair, no deserto à minha volta.
Para eu não chegar às fontes das águas puras,
que estão além daquelas longe avistadas dunas.
Estou cansado de tanto andar, eis que vou já parar.
Vou ficar por estas bandas, a descansar, até retomar,
meu vasto caminho da luta, da minha existência.
Mas já vejo ao longe um sinal de palmeiras verdes,
alma minha continua a tua peregrinação, até terdes,
a tua porção de água, tem aida muita insistência!
Mais Perto
Desejo estar contigo,
Não tanto o quanto agora estou!
Mas mais perto, meu amigo,
Quero estar, ainda que para ti vou!
O que eu queria, era já ir,
Pois neste mundo, difícil é estar,
Por mim falo, neste ser existir!
Quem me dera, para ti Deus voar!
Mas enquanto aqui estou,
Fica sempre perto,
Por quanto teu santo sou!
Te amo tanto, tanto, tanto!
Mais que meu eu todo,
E ainda mais que tudo!
Caminhar
Onde vou eu neste meu caminhar? Irei ao céu?
Eis que não sei se vou! Pois sou mau, todo eu.
Os meus inimigos são muitos! Sem conta!
Murmuram de mim, como a espuma da onda!
Eu estou de veras muito de todo cansado!
Eu terei, algum amigo neste meu fado?
Eis que nem eu, estou comigo! Sim!
De todo eu já sou louco, enfim!
Isto segundo as vossas palavras!
Mas sendo demente, ainda em Deus,
espero pois sim, em atos só seus!
Vou nele ainda sempre esperar!
Até que vá à terra, sem mágoas,
e talvez depois ao céu chegar!
Já passou o vosso tempo, de cantar, Abba?
Mas não o meu de vos amar, ainda, amigos.
Ainda de vós lembro hoje, como nos tempos antigos.
Sois lindos, ainda oh cantores da balada, do Pai, abba.
Pássaros do eterno cantar, meus irmãos do amar!
Que lindo modo de cantar! Vós pombos do amor!
O vosso voar ainda permanece, aves de branco voar.
É um voar de vida eterna, com rumo ao céu, sem dor...
Sois eternos e lindos oh cantores, do tempo eterno...
Eu vos amo mesmo! Deste modo meu, tão terno...
Sim filhos do amor, sem findo, sem dor!!!
HELDER DUARTE
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