Nao estou Sozinha
A consciência é o único espelho capaz de refletir aquilo que o universo ainda não compreendeu sobre si mesmo.
“A solidão intelectual nasce quando a linguagem já não consegue transportar a densidade do pensamento.”
“O maior ruído do século não vem das máquinas, mas da incapacidade humana de permanecer em silêncio.”
Dizem que o tempo cura tudo, mas ele não apaga os lugares onde a gente não foi. Eu ainda te vejo em cada esquina que a gente planejou visitar e em cada letra de música que parece ter sido escrita sobre nós dois.
Nosso final não foi feliz, porque, no fundo, ele nem parece um final. É uma interrupção. Um nó que não desatou. Eu sinto que deixamos pegadas profundas demais para serem sopradas pelo vento. Hoje, você é uma saudade que eu visito em silêncio. Fica aqui o meu registro do que não foi dito: você ainda mora no meu peito, mesmo que a vida tenha nos levado para direções opostas.
Não chame de bênção aquilo que você precisou pecar para ter. Deus nunca entrega em paz o que o pecado trouxe em silêncio.
Olha pra mim.
Olha para o que me tornei ao longo desses três anos. Não para alguma versão antiga de mim, nem para expectativas guardadas em alguma gaveta do passado. Olha pra mim, agora. Nos meus olhos. No que existe diante de você.
Percorre com calma a textura do que venho me tornando. Passa os olhos pelo meu corpo, pelo meu semblante… e não se assusta.
Quero que me decifre. E eu não tenho dificultado a tua leitura. Estou aqui, me revelando inteira, com falhas, cicatrizes, vulnerabilidades e verdades que nunca souberam mais se esconder.
Olha pra mim.
Entra pelos meus olhos e percebe o que a tua ausência causou em mim. Tenho queimado por ti em silêncio há tanto tempo… Me toca, não só com os olhos.
Olha pra mim e vê se consegue enxergar o tamanho do que te guardei, de tudo o que ficou aqui, apertado no peito, esperando um lugar para existir.
Estende as tuas mãos e me puxa pra junto de você. Me sacode. Baila comigo. Me faz sentir que ainda existe espaço para nós em algum canto do teu caos.
Olha pra mim e vê se consegue se enxergar, nem que seja um pouco, ao meu lado… nos teus sonhos, nas tuas vontades, nos teus dias distraídos.
Vê se eu caibo aí, nessa tua bagunça bonita. Me encaixa. Me ajeita. Ou simplesmente me permita encontrar abrigo em ti.
Mas, antes de tudo… olha pra mim.
“Amor verdadeiro não exige que a alma desapareça para que o vínculo continue existindo.”
Do livro Síndrome de Estocolmo — Quando o Afeto Nasce do Cativeiro, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O cárcere emocional começa quando a pessoa já não sabe se fica por amor, por medo, por culpa ou por não lembrar mais quem era antes.”
Do livro Síndrome de Estocolmo — Quando o Afeto Nasce do Cativeiro, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
