Nao estou Sozinha
Deixar para trás lembranças tortas,
Que já não se endireitam mais.
Lançar no precipício as dores de ontem,
Abraçar o vento com toda a força possível.
Imaginar o céu azul,
As nuvens, o sol,
A tarde em qualquer lugar.
Esquecer de tudo e apenas viver.
Encontrar o sorriso no rosto
E a coragem de seguir,
Rumo ao destino certo:
Felicidade.
Hoje não é dia para sorrir.
A última lembrança que tenho de você
Ainda corta meu coração:
Você partindo,
Deixando um vazio
Repleto de memórias.
Momentos de alegria
Que agora eternizo
Em poesia.
Não sei ficar quieto
Falo além da conta,
Por isso sou poeta
Sigo gastando palavras
Vou contando histórias,
Assim aliviando a alma
Do que pesa dentro de mim...
Tudo fica para o último instante,
Correria desconcertante.
Na pressa, não há perfeição,
Que corrói o coração
Diante da expectativa.
O peso da palavra
Não está no som,
Mas no sentido que ecoa no coração.
Tudo é medida:
O que consola a uns,
Dilacera outros.
Pois a palavra não é o que se diz
É o que se sente.
Na mente, não há nada.
O corpo sente,
O coração vibra.
Em cada verso,
Um gole de amor,
Saciando a sede
Da alma vazia.
O vento,
Brisa leve.
Na calmaria,
Faço poesia:
Atento
E breve,
para que não se espalhe.
Observo cada detalhe
E vejo amor.
Rasgo o verbo
Sobre a mesa,
O verso,
Cada palavra.
E, com tudo isso,
Ainda não sei quem sou.
Serei eu um poeta?
Ou apenas um rabisco perdido
Entre os grãos de areia
Da vida?
Olho a hora:
é agora.
O dia começa,
mente, não me impeça.
Corpo, me ajuda
Saia da cama, desgruda.
Olho o agora:
É hora.
O primeiro passo.
No meu tempo,
Agora,
Levanto da vida
Para descrever o que não sei,
O que sinto.
Na mente confusa,
Fico parado,
Esperando o tempo passar.
O corpo e a máquina,
Todos envelhecem.
A força se perde,
Não restam folhas.
Nada é eterno
Somos passagem,
Ida sem volta.
A vida dolorosa,
No poema triste.
E sigo minha intuição,
Entrando por portas
Onde não sou bem-vindo.
Dizem que, aqui,
O amor deixou de existir
Tudo é abstrato,
Pura ilusão.
Escrevo qualquer coisa,
sem pressa,
no calor do dia.
Olho o relógio,
já não tenho tempo.
Sinto a brisa do vento:
é a inspiração chegando.
De longe,
teu cheiro me alcança,
e o amor se aproxima.
Vejo a maldade no olhar,
e, com profunda dor,
sei que derramar amor
não vai adiantar.
O ódio toma conta,
corações se perdem
no caos do viver,
sem esperança
de um novo amanhecer.
Só palavras não adiantam,
são atitudes que sustentam.
O que falo e não faço
é pura hipocrisia;
não cabe na poesia
vender uma imagem
que não segue a viagem.
Sinto meu tempo se apagando,
chega o instante final
de despejar a saudade.
No coração já não cabe,
as lágrimas transbordam
o peso da perda,
lutando contra o desejo
da eternidade.
Não tenha dificuldade em desistir das pessoas, se elas não merecem não perca seu tempo, energia buscando mudanças e ajudar ela a solucionar seus pormenores.
