Nao estou Sozinha

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Reciprocidade não se exige.


— Jess.

Aprendi a não me explicar demais; quem sente, me entende.


— Jess.

Não tente decifrar tudo: existir vai além de qualquer explicação.


— Jess.

Oportunidades não retornam; ou você as aproveita ou aprende com o arrependimento.


— Jess.

Intuição.
Ela não dá explicação, apenas direção.


— Jess.

As aparências mudam.
O conteúdo, não.


– Jess.

O que não consigo hoje, posso tentar amanhã.


— Jess.

Postar ou não postar?
A dúvida é constante,
mas escrever é inevitável.


— Jess.

O erro está em não fazer, em não ser, em não tentar.



— Jess.

Não sou o que vejo em mim,
sou o que ainda não me permiti ser.


— Jess.

A vida não é só sobre o que dá certo, mas sobre o que aprendemos quando algo não sai como o esperado.


– Jess.

A verdadeira essência da vida não está em fazer o que se ama, mas em amar o que se faz, encontrando propósito até nos caminhos mais simples.


– Jess.

Ando cansada de promessas.
Prefiro atos pequenos que não mentem.


– Jess.

Há conexões quesimplesmente não se conseguem descrever.


– Jess.

Pessoas bem resolvidas, não brincam com sentimentos alheios.


– Jess.

A gratidão não melhora o mundo, mas o torna habitável. O pouco passa a bastar quando é visto com presença.


– Jess.

As pessoas passam.
As emoções que elas causam, não.


– Jess.

Sentir às vezes
não vale a pena.
Agora entendo
perfeitamente
o porquê.

Não consigo me ver em uma vida sem arte, arquitetura, história, poemas e paixões. Isso alimenta minha alma. Talvez essa seja a minha sina...

Os cadarços de Sophia


“Não te falta força, porém cadarços amarelos para o sapatênis que não tem. Pois quem vive vida tão sofrida, morro acima, morro abaixo, com uma bacia de roupas na cabeça, não compra cadarços — cadarços amarelos — nem sapatênis, nem uniformes; muito menos pode ir à escola, como as crianças que não trabalham e podem estudar.”


Diziam isso para a menina que chorava por cadarços amarelos, para o sapatênis que ficava na vitrine da loja de calçados, a um quarteirão e meio da escola. Escola esta particular, única na vila, de fama alta entre antigos e novos moradores da cidade por causa dos seus uniformes. Eram uniformes com pudor, de menina-moça de família, educada e de muita estima, pelo lindo e desenhado traje que usavam — principalmente o das meninas, de mangas longas e vestido, com sapatênis preto, todo padronizado. Apenas a cor dos cadarços variava: rosé ou vermelho, verde ou azulado. Era essa a razão do sonho de Sophia — um sapatênis fechado com o bendito cadarço amarelado.


Era o sonho de Sophia comprar aqueles cadarços e, para isso, guardava seus trocados, que no trajeto do morro abaixo recebia da sua mãe, que com a menina repartia parte do pagamento: duas moedinhas de dez centavos pela tarefa cumprida, pelo esforço que fazia morro acima, carregando a trouxa de roupas e uma latinha.


De três em três dias, duas moedas no fundo do pequeno cofre tiniam. Cofre para este fim feito, artesanalmente “arranjado”, de latinha de leite moça improvisada, com um adesivo amarelo pregado. Nele, estava escrita pela mãe da menina a única palavra por ela aprendida — palavra esta que Sophia também aprendera no caminho morro acima e, quando descia a ladeira morro abaixo, com fé, pronunciava o som da palavra a cada passo; e o significado de cada fonema embrulhava como se faz com um presente que ainda não chegou a hora de dar.


Cadarço, que agora era o sonho de Sophia, já fora o sonho de sua mãe, que à escola nunca ia, pois uns cadarços, em vidas tão sofridas, nunca pôde comprar — muito menos sapatênis, uniformes e ir à escola estudar.


Forças e sonhos todas as manhãs arrumava. Com o tinido de cada moeda no fundo da lata se motivava. Nunca desistiu da caminhada: morro acima, morro abaixo. Aprendeu que, na vida, tudo passa e que uma grande meta a ser alcançada traz, no começo, uma dificuldade danada.


Primeiro os cadarços, depois o sapatênis, o uniforme e, por fim, a escola. Um passo atrás do outro, uma conquista de cada vez. Diziam para a menina que chorava por cadarços amarelos:
“Sonhar primeiro com os cadarços, aprender com a dor de alguns laços, para daí adiante não se enrolar na vida como quem tropeçou nos próprios passos.”


Para minha felicidade e admiração de sua mãe, anos mais tarde, quando voltei, dei de frente com Sophia. Em suas mãos não encontrei nem bacia nem latinha. Estava diferente. Diferente da menina que, morro acima, morro abaixo, repetia insistentemente a palavra alegria. A mesma palavra escrita naquela latinha, palavra ensinada pela mãezinha, razão que foi razão dos seus cadarços, do sapatênis, do uniforme e da escolinha.


De hoje em diante, também me sento com os moradores da cidade para, com orgulho, olhar aquelas que, de uniformes tão admiráveis, caminham para estudar. Que vão e vêm todos os dias — em especial a minha menina de cadarços amarelos, única entre as demais. Aquela que vai cantando insistentemente a palavra alegria, porque desde cedo ela sabia que, na vida, não se realizam sonhos — muito menos se compram cadarços amarelos — sem alegria, razão dos cadarços amarelos, razão do sonho de Sophia.