Nao estou Sozinha

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A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.

A vida me endureceu, mas não permiti que me amargasse, há aço no meu peito, mas ainda há flor nas minhas mãos, eu equilibro forças.

Já amei errado, já investi onde não havia nada, já me entreguei onde não havia retorno, mas aprendi, o amor certo nunca exige sacrifício da alma.

A fé é ponte que atravesso mesmo quando não vejo o outro lado, eu caminho por instinto, por confiança, e sempre encontro chão.

Há dias em que me sinto pequeno, mas lembro que fui esculpido pela luta, pequeno não significa fraco, pequeno significa essencial, e essencial basta.

Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.

Carrego memórias que pesam, mas não deixo que elas me afundem, uso-as como âncoras de sabedoria, não me prendem, me firmam.

A vida me fez guerreiro sem armadura, lutador sem escudo, sobrevivente sem alarde, minha força não é exibida, ela é vivida.

O amor que ofereço agora é mais prudente, mais profundo, mais consciente, aprendi a não desperdiçar meu coração.

Não temo mais minhas falhas, elas moldaram minha identidade, sei onde piso porque já caí lá, sei quem sou porque me quebrei, e sei o que quero porque sobrevivi.

A tempestade não dura para sempre, mas o que ela constrói em nós dura, dura como lição, dura como força, e dura como fé.

A beleza autêntica não é a luz projetada, mas a luminescência residual da alma que se aceitou na escuridão mais funda, o brilho não vem da aclamação do palco, mas da fornalha interna do autoconhecimento.

A covardia não é o passo para trás, mas a permanência mórbida onde o coração se tornou um túmulo frio, o ápice da bravura é a fuga instintiva para salvar a si mesmo, ainda que o mundo chame isso de abandono.

O amor não é um teorema a ser decifrado, mas um abismo a ser saltado, a tentativa de aprisioná-lo na grade da razão é o ácido corrosivo que desfaz a sua
mágica em pó.

Viver não é o inventário das posses, mas o forjar incessante da própria existência, o acúmulo material é apenas a poeira cega que nos distrai da construção brutal e íntima do nosso templo interior.

Cuidado para não confundir a profundidade com a pena. O abismo não é apenas o teatro da tragédia, é também a câmara fria que gesta a pérola mais rara, a descida é a rota iniciática para a extração do seu tesouro mais íntimo.

O silêncio não é ausência, é a superpopulação sufocante de vozes não externalizadas, a massa crítica da psique, ele é a cripta sagrada onde a alma, despida de ruído, realiza sua operação mais brutal e honesta.

A ferida aberta não é derrota, mas a fissura vulcânica pela qual se expele o material de uma nova fundição, a dor é a matéria-prima em brasa que forja a armadura de uma resistência irredutível.

Nossa obra-prima não é a ascensão, mas a arquitetura do nosso levante após o esfacelamento, é o renascimento em cinzas, o ato de fênix visceral que verdadeiramente define a arte de existir.

A vida não se revela como um mapa, mas como uma escadaria em névoa, só a fé no peso do calcanhar ilumina o degrau seguinte. É um ato contínuo de confiança cega, jamais um exercício de visão panorâmica.