Nao estou Sozinha
Qualquer caminho é apenas um caminho
e não constitui insulto algum
- para si mesmo ou para os outros -
abandoná-lo quando assim ordena o SEU coração.
Olhe cada caminho com cuidado e atenção.
Tente-o tantas vezes quantas julgar necessárias.
Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta:
possui esse caminho um coração?
Eu sou uma subjetividade, mas não sei o que sou a não ser naquilo que faço. Porque quando faço algo, eu me "re-conheco", isto é, eu conheço a mim mesmo de novo.
"E me doeu abrir mão do que eu mais queria, porque incríveis como éramos eu não aceitaria nada que fosse menos."
Mas não te esqueças: vivo numa época louca e em circunstâncias loucas. Que sorte a minha poder escrever o que penso e sinto. Se não fosse isto, sufocava, de certeza.
Sem dor, como poderíamos reconhecer o prazer?
A existência do brócolis não afeta em nada o gosto do chocolate.
Nunca peça desculpas a uma turba sedenta por sangue. Você não está lidando com pessoas com as quais pode restabelecer um relacionamento. Você está lidando com uma ideia sem alma que possui pessoas.
Eu não escolhi gostar de você, isso simplesmente aconteceu. Foi uma coisa natural, do jeito que deve ser.
O exagero é a arte dos poetas, que enxergam as coisas com o brilho certo, e não com a banalidade dos olhos cansados.
Amor virtual é bom pra robô, que não sente nada. Pessoas precisam de laços, abraços, olhos nos olhos o toque das mãos.
Não saber.
Não há nada mais irritante do que respostas não-respostas.
Engarrafamento irrita, trânsito de sexta-feira, buzina ignorante, gente contraditória, fila que não anda, vizinho com rádio potente e nenhum bom gosto irrita.
Falta de educação, respostas atravessadas, atitude desnecessária, tudo isso. Mas nada mais desconcertante que um "não sei".
"Não sei" é termo que não vale, "não sei" não é resposta, "não sei" não é cabível. Falo daquele "não sei" inteligente e esperto não o desprovido de informação.
Aquele que é parente próximo do "talvez", vizinho do "pode ser", amigo fiel do "quem sabe".
"Não sei" não rende assunto, não dá chance nem esperança. Não dá audiência. É preguiça, provocação.
"Não sei" é arrancar as páginas de possibilidades e reflexões de um livro bom, é posição de impedimento, é tirar o corpo fora. Puro descaso, covardia. O boicote das justificativas. A alergia dos práticos. A úlcera dos ansiosos.
É ter todas as respostas guardadas, preparadas, apontadas e ainda assim se esquivar. Ter a mancha de um crime nas mãos e negá-lo.
"Não sei" é a fuga dos que não se comprometem. É vazio de sentido, tentativa frustrada de absolvição. Inconveniente, conservador, teste e tortura da paciência.
"Não sei", piada mal contada. Cretina, infundada. Se esconde atrás da sombra e do suposto respaldo das abstenções.
"Não sei" compactua com o "porque sim" e o "porque não" como escape de continuação do asssunto. Simbióticos e injustos. Tenta parar o trânsito da prosa, mas é atropelado pelas interrogações.
É a pressa e o pecado da língua insana, o tormento das personalidades combativas, o desespero dos descordantes.
"Não sei" é a negação do recurso. Não remete ao passado e não liga ao futuro, é a pedra no caminho da decisão, a pedra no sapato dos objetivos.
"Não sei" como comodismo, escolha mais conveniente.
Nada bobo o "não sei", bastante sábio. Um perigo, um abuso. Deveria ser censurado, abolido, abortado. Ahhh o "não sei"... descabido e desnecessário!
Responda "não sei" pra mim e prepare-se para o show de questionamento. Tenha certeza de sua resposta, de sua falta de posição. Esteja seguro e armado. Armado de argumentação.
O amor não desfalece, não morre, nunca acaba. Mas pode ser ignorado, rejeitado, negligenciado e substituído.
