Nao Amar Doi Amar Doi mais ainda

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PAI NOSSO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Pai nosso,
que nunca mais
nos deu a paz
da lucidez
no seu olhar...
Que ao nosso afeto
prefere as ruas,
confunde as horas
e fecha os dias
virando luas...
Pai nosso,
que está no bar,
faz muito tempo
que a nossa casa
não é um lar...

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AMOR DE SÓTÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Gosto mais de você do que o meio permite;
calo todos os traços do meu rosto entregue;
dou à luz do grafite que reluz nos olhos,
uma sombra serena; sossego sem paz...
É um triste gostar que se acomoda e vive
do sorrir disfarçado e do mero estar perto,
rechear meu deserto, minha solidão,
de conversas distantes do que penso e sinto...
Fantasio, imagino, me dou em sigilo,
você nunca recebe, mas dou assim mesmo,
peço asilo em seus olhos e finjo ganhar...
Meu gostar de você fere laços formais;
gosto mais do que posso não gostar do quanto;
do que planto e sufoco esperanças estéreis...

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BEM VIVIDO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nada mais do que a vida condizente ao pulso;
que o teatro restrito aos limites do pano;
ser humano em essência, fachada e contexto,
sob todo esse nada que revolve o ser...
Quero apenas meu tempo, nem um passo a mais,
meu espaço, meu dom, minha justa energia,
cada dia cravado entre as horas que tem
para o mundo ser mundo e seguir sua rota...
Sem espaço e pretexto com que rompa o vento,
livramento que adie o que será no fim
ou me livre do livro; a precisão da história...
Quando eu for só me digam que seja bem-ido;
sou alguém bem vivido e não será direito
ser um rio que tenta não seguir pro mar...

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REETERNO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A vida exige muito mais de você do que de mim. Vivemos em um mundo machista. Você amadureceu, constituiu família, fez filhos e não teve o direito de se manter menina para ninguém. Não seria diferente para mim. Liberdades divergem de gênero para gênero, mesmo na sociedade contemporânea, quando a mulher conquistou direitos, ganhou espaço, invadiu o mercado de trabalho. No entanto, ainda luta para ser simplesmente mulher. Não mulher objeto, mas aquela que pode ser quem é, para quem quiser, sem que isso deponha contra sua idoneidade.
Também amadureci, constituí família, fiz filhos, mas não paguei um preço tão alto. Exigi minha liberdade, mesmo com todos os compromissos e as convenções dos laços formais. Por essa liberdade unilateral bem própria do mundo machista, o que seria condenável no seu caso é admirável no meu. Pude guardar para você, aquele menino que a conduzia mundo afora, sem a mínima preocupação com o que fizesse pensar. Que a iniciou nas caminhadas noturnas, nos banhos em cachoeiras, na intimidade com a natureza e a nudez do corpo. Aquele menino acanhado para os outros, mas desinibido para você, e que ao seu lado convertia tudo em poesia.
Quando nos reencontramos, cheguei a pensar que poderíamos reviver o passado sem ferir o presente ou ameaçar o futuro. Você tentou, reconheço, e sei que no fundo, aquele amor ainda vive no seu íntimo. Vi em seus olhos o eco das palavras que o redeclararam para mim. Porém, não foi difícil perceber que o reinício de nossas caminhadas, nossos banhos em cachoeiras e a intimidade com a natureza, em todos os sentidos, teriam vida breve. Seria fácil para o "menino", reconstruir aquele mundo em nossa particularidade, mas a "menina" poderia sofrer as consequências de ser menina e mesmo assim evocar esse direito, se a particularidade viesse a público.
Mesmo assim foi compensador. "Reeternizei" momentos. Eternizei "remomentos" e me "ressenti" amado. Sem ressentimentos maus. Apenas bons. Recolhi meu amor e o reguardei bem fundo, pois se não posso exercê-lo com eternidade contínua, tenho esperanças de lá na frente, algum dia, "reeternizar" outra vez, ainda que o "remomento" seja mais curto e furtivo. Eu a amo. Com o mesmo amor de menino. Aquele amor que jamais teria dado certo, se o tornássemos convencional.

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INVERSÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Eu te amo. Foi a frase mais batida que morou em meus lábios. Em alguns de meus versos. Em minha vida. Ela me seguiu por toda a adolescência, rompeu a juventude, para só mais tarde, bem mais tarde, começar a diluir... não morrer, exatamente, mas diluir.
Já maduro e bem vivido, apesar das más vivências que me carimbaram, fiquei um tanto narcisista. Justamente as más vivências, no campo dos amores, me tornaram assim: egocêntrico. Fechado em bolha. Guardado à sombra. centrado em mim.
Foi aí que o meu amor caiu em si. Reverteu a trajetória. Já deu. Hoje olho nos espelhos e vejo a frase, manipulada, invertida, me lançar mais e mais aqui dentro. Não é mais eu te amo. E não reclamo da ilusão; da estima torta que me deu... te amo, eu.

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PARA VÊ-LA FELIZ

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Busco em sua expressão as mais fluentes linhas
de alegria e leveza, um caminhar seguro,
sem o muro de sombras que o mundo institui
para todos os rumos de quem se procura...
Quero tempo e jornada pra lhe ver completa,
ver a luz de su´alma sobre todo o rosto,
folhear em seus olhos uma linda história;
um agosto vencido pela primavera...
Todo sonho tem asas, procure as dos seus,
há um fogo escondido, remova essas cinzas
e verá quantas brasas aguardam seu sopro...
Meu amor não aceita não lhe ver feliz;
é a lei que despacho e tem que ser cumprida;
minha vida se apaga sem a luz da sua...

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VITÓRIA DO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Desta vez nos deixamos conhecer mais fundo,
viajamos um noutro e tivemos destino,
fomos tino e loucura em perfeito consenso
e deixamos o mundo se fechar em nós...
Hoje não nos roubamos de nossa vontade,
nossos medos venceram seus bichos-papões,
porque foi a verdade que cedeu ao sonho;
reagiu aos senões e nos deu livre arbítrio...
Finalmente a coragem de chegar no sim,
sem o fim como sombra; contorno; rascunho;
punho pronto pro soco na boca do ser...
Conheceste meus becos, bueiros, vielas,
conheci teus asfaltos, teus pontos de luxo,
fui o bruxo que a fada se deixou amar...

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FRUTOS A MAIS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quem planta árvore colhe sombra, sonho e passarinho.

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MENTALIDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nunca tive um mentor. Nem na mais tenra idade, quando somos suscetíveis aos comandos de quem admiramos. Em toda minha vida sempre admirei pessoas, tive meus ícones, mas não fui um fantoche dos caprichos de quem quer ter alguém para incutir seus conceitos, preconceitos e complexos dourados de virtudes.
Mentores dominam, vigiam, fazem aparas intermináveis e decidem a quem podemos admirar; quem pode ser nosso amigo e quem deve ser desafeto. Nosso gosto apurado é aquele que "bate" com os seus, e teremos constantemente que optar entre eles e alguém que os incomode com algum sinal de vida mais inteligente. Isso ocorre porque os mentores sabem que seus soldados podem se tornar livres, ampliar seus horizontes e as relações humanas, ou se debandar para os campos de outros mentores.
Sempre tive amigos. E nunca tive preguiça de ser quem sou sem as escoras dos donos da verdade ou dos pontos de vista. Como nunca fui, jamais me aceitei mentor nem mestre de quem quer que seja. Prefiro ser um amigo. Dar uma dica e deixar à vontade. Apontar um caminho, se solicitado, mas deixar explícito que existem outros, e quem sabe, um melhor. Opinar, sabendo e fazendo saber que a minha opinião é humana, mesmo que técnica; e por isso, passível de falha.
Quem é meu amigo pode ser amigo do meu inimigo. Quem me admira pode admirar a quem deprecio, a quem me faz concorrência e talvez ameace o meu destaque. Se alguém me tem em alta conta, não me aproveito para engaiolá-lo e ter seu canto só para mim, seja por admiração, temor de que um dia me supere, fique livre ou caia nas garras de outro dominador de notoriedades.
Não; não tenho... nunca tive mentor... tenho mente.

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AMOR HOSTIL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Tenha calma e me queira menos tensa;
mais a fundo; silente; bem contrita;
seu amor se confessa em sua ofensa
e seu olho desmente o que a voz grita...

Não se renda e também não faça fita;
guerrear de fachada não compensa;
é a súplica em gestos de quem dita
numa espécie afetiva de doença...

Pra pintar de frieza o sentimento,
leve o seu coração ao pensamento
e supere a si mesma; chegue ao pódio...

Sua fúria não vai vencer o drama;
se não pode assumir o quanto ama,
não precisa me amar com tanto ódio...

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TALENTO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Por mais que o talento seja de berço... nenhum sucesso começa em casa.

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SEDENTARISMO DE AFETO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um odor de foi bom; mesmo assim nunca mais;
uma dor de partida que me parte ao meio;
meio termo completo a se ocultar de nós
onde a voz faz de conta que não diz aos olhos...
Sempre falta coragem quando chega o fim,
dizer sim à verdade requer exercício,
mas a nossa preguiça não deixa fazê-lo
e nos prende à promessa do velho amanhã...
Nosso amor sedentário acumulou gordura,
ganhou peso e tontura; prenuncia infarto;
se não partes não parto nem somos presentes...
Somos cais da saudade que sequer teremos
nesse mar de lembranças que o rancor polui;
já nos demos adeus e não sabemos disso...

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COISA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quem afirma que alguém foi ou é a coisa mais importante de sua vida, comete uma incoerência. Se foi ou é coisa, não foi nem é importante.

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HOMEM

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Uma das coisas mais difíceis para um homem é justamente aprender a ser homem.

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TEU LADRÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Eu te leio nas folhas dos olhos abertos,
e por mais que te ocultes nessa capa fria,
vou além dos desertos de silêncio e sombra
que me fazes olhar para nunca te ver...
Mas desfolho as verdades contidas em ti,
perambulo nos becos dos teus desenganos,
tuas perdas, os danos que te retraíram
nos desvãos de saudades ao sabor do abismo...
É assim que resvalo pelas entrelinhas;
faço minhas as mágoas que te fazem presa;
quero ser teu ladrão; escoar tuas mágoas...
Nunca feches teus olhos ante a luz dos meus,
pois de todos os breus o que mais me apavora
é perder essa hora de ler a tu´alma...

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SERES HUMANOS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Jamais compartilhei da ideia de que nos momentos mais mais graves de nossas vidas os familiares e amigos que mais poderiam nos ajudar desaparecem. Não é verdade. Os momentos graves nos afastam dessas pessoas que também têm seus problemas cotidianos. E muitas vezes, quando mais precisamos, elas também vivem situações tão ou mais graves do que as nossas, mesmo de naturezas distintas. É aí que faltamos às pessoas queridas que julgamos faltosas, por acharmos que suas condições de ajuda são superiores às nossas.
Valorizo e considero de grande auxílio as manifestações distantes de solidariedade: uma ligação telefônica, um recado, bilhete, mensagem, torpedo... até mesmo aquelas perguntas breves nos encontros casuais e apressados. Confesso que chego a telefonar para dar notícias a quem não as pediu, por acreditar, também neste caso, na diversidade das razões. Tais pessoas podem estar tão constrangidas por desejarem muito, mas não poderem ser presentes, que até lhes falta o ânimo para pedir notícias. Chegam a considerar que serão importunas. Talvez estejam impedidas pelas situações tão ou mais graves, ou por viagens inadiáveis, problemas intrincados no trabalho entre outros que necessitam de ação imediata.
Meu amor será sempre amor pelos familiares e amigos que não puderam ser presentes em alguns momentos cruciais - inclusive os bons - em minha vida. Também abraço e tranquilizo a quem decidiu nem mesmo se manifestar, pelas sinceras razões há pouco expostas. Além de todos os laços que nos unem, somos seres humanos; próximos; semelhantes. Ademais, um ser humano falho e faltoso como só eu sei que sou, nunca está em condições de julgar alguém.

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IRMÃOS; UMA SOCIEDADE FANTÁSTICA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Do que mais gosto quando estou entre meus irmãos, é a certeza de estar entre irmãos. Não há entre nós formalidade ou melindre; temor de nos magoarmos por palavra mal posta ou resposta negativa. Nenhuma ideia, por mais longínqua ou dispersa, da hierarquia de muitos clãs que têm os mais distintos conforme a idade, o grau de instrução, a condição econômica e outros itens. A qualquer instante, um dos nove pode gerar um mal entendido, fazer algo irresponsável na opinião dos outros e provocar uma confusão homérica; um bate boca daqueles. Porém, no dia seguinte não haverá mais mágoa; vítima nem algoz; inocente ou culpado. Distância; silêncio; cerimônia.
As nossas conversas nunca se tornam discursos de alguns, palestras ou aulas de outros, lições de sabedoria ou moral de um de nós. Cada qual tem seu jeito, e nem por isso elegemos protagonistas; antagonistas; coadjuvantes; pontas. Todos portam defeitos e qualidades devidamente assumidos, e nossa mãe nos ensinou a jamais classificar a família por méritos, porque mérito é volátil. Se hoje tenho a razão, no dia seguinte a perderei para outro. E se a família vira uma sociedade comum, gueto e nata mudarão de lado a todo instante, o que há de gerar conflitos profundos; guerras ideológicas sem trégua; preconceitos incorrigíveis.
Entre irmãos não há retórica. Regras parlamentares; reivindicações formais. Evocações de leis, direitos, deveres. Irmãos que se amam não são cidadãos entre si. São irmãos. E assim como volta e meia um se excede, quebra o ritmo, apronta poucas e boas e frustra todas as expectativas, tem até o que faz isso com mais frequência. Mas nesse meio não há fiscais. Apontadores. Árbitros nem juízes para julgar e dar veredito. Todos perdoam, mesmo com xingamentos, protestos e juras de que foi a última vez... mas a última vez é infinita, pois irmãos não têm parâmetros, vantagens ou desvantagens. Brio nem vergonha.
Falo apenas dos irmãos que se amam. Não daqueles que se aceitam nos limites da conformidade. Da organização hierárquica e burocrática. Da comunhão de ideias, ideais, visões de vida, sociedade ou credo. Nem dos que se gostam, respeitam e até se unem por acordos e obediências de ocasiões. Se amo tanto estar com os meus irmãos, é porque o nosso amor se reconhece maior do que todas essas besteiras que fazem da família uma vitrine vistosa, porém desnecessária, enganosa e frágil... e porque decidimos, depois de muitos baques da vida, ser exatamente uma família... não propriamente um clã.

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MAIS DO QUE TE AMO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Deixarei que me deixes, pois me canso
dos teus ranços, das crostas que te cobrem,
dessa tua mania de tristeza
e teu vício de mágoa e solidão...
Quero a luz, não gostei das tuas trevas,
tenho fome de risos e de céus,
mas me levas ao chão; ao fundo; ao poço;
ao teu osso impossível de roer...
Já não creio no amor como remédio,
e me rendo ao assédio desse adeus
que nos toma de assalto já faz tempo...
Serei livre a partir de te livrar,
escrever outro livro de quem sou
e me amar muito mais do que te amo...

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BELOS DIAS MORTAIS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Hoje o dia nasceu belo. Mais uma vez, irremediavelmente belo. Um céu profundo, maravilhosa e distantemente azul. Belo de morrer... ou de fazer morrer.
O sertanejo, de olhar também distante, mas não azul, para e olha pro nada. Quem sabe tenta não ver, ali bem perto, as carcaças mortas e ainda vivas do gado que um dia ele tangeu para lugar nenhum. Esse mesmo lugar nenhum em que agora descansa não por cansaço, mas por desânimo. Por não haver mais do que se canse.
Por mais belo e azul, pouco importa. O céu não seduz o sertanejo. Desmancha em seu coração a esperança do dia feio... turvo... do céu cinzento e triste com que ele sonha. Só a tristeza de vários dias sombrios e molhados será capaz de alegrar o chão agreste... alegrar e florir. Fazer parir o pomar e o pasto... gerar o milagre da ressurreição.
Os dias belos e alegres, e o céu azul do sertão geram medo e revolta. Levam trevas, angústia e desespero ao coração sertanejo.

Inserida por demetriosena

O ABISMO DA SAUDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Hoje volto a sentir aquela falta
mais intensa, profunda e consistente,
minha mente vai lá pro coração
e deságua o volume das lembranças...
Um vazio se alastra na garganta,
vem a lágrima e finjo que não vem,
mesmo estando em completa solidão,
muito aquém do que podem me flagrar...
Fico meio abstrato e sem contorno,
desintegro a visão d que se vê,
meu entorno me solta e deixa vir...
Acordei entre teias de saudades
quase físicas, quase de argamassa,
numa praça de sonho e nostalgia...

Inserida por demetriosena