Nao Acabou pra Mim
Não me viu, não quis chegar,
e eu aqui, aprendendo a não esperar.
O coração insiste em ficar,
mas minha vida… precisa andar.
Na mesma rua
Eu passo
e o chão lembra.
Não é você..
É o eco do que doeu.
As paredes sabem,
o ar pesa,
e meu peito responde
como se fosse agora.
Mas não é.
Você ficou
no que eu sobrevivi.
Eu sigo
no que eu me tornei.
E por mais que doa
te cruzar no mundo,
já não existe
lugar em mim
onde você mora.
Ainda toca
Eu odeio admitir,
mas ainda gosto das músicas.
Não de você..
não de quem você virou
quando a máscara caiu.
Mas do que eu era
quando tudo ainda fazia sentido.
Cada acorde
não chama teu nome,
chama o meu
de um tempo que não volta.
E isso é o que dói.
Porque a música ficou bonita,
mesmo depois
de você ter estragado tudo.
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
Quem ama não provoca.
Não faz cena, não disputa atenção, não usa terceiros pra atingir.
Quem ainda joga…
nunca entendeu o que era amar.
E eu?
Ainda sinto.
Mas sentir não me obriga a voltar
pra um lugar que me destrói.
Eu, no date, não jogo pra inflar ego.
Não sou narcisista, não preciso disso.
Quando estou com alguém
eu quero oferecer o meu melhor.
Não pra impressionar,
não por interesse,
Nem esperando algo em troca.
Mas por respeito.
Porque o tempo dela importa.
Porque estar ali comigo é escolha.
E eu valorizo isso.
De verdade.
gentileza não é fraqueza, é controle. É você sentir tudo, perceber a dureza do mundo… e ainda assim não deixar isso te transformar em alguém que você não respeita.
A arte da Paula não se limita à pele, ela atravessa.
Cada traço que ela desenha carrega intenção, história e uma precisão quase ritualística. Não é só tatuagem, é linguagem ancestral sendo reescrita em carne viva.
A tattoo maori exige mais do que técnica. Exige respeito. E Paula entende isso como poucos. Ela não copia, ela interpreta. Ela não marca, ela traduz.
O que ela fez em mim não foi apenas estética. Foi identidade. Foi força. Foi um símbolo que agora respira comigo.
Existe artista… e existe quem transforma pele em narrativa.
Paula é dessas.
E eu carrego isso comigo agora. Permanente. Como tem que ser.
Não insista
Tem lugar
que te aceita…
desde que você se diminua.
E eu tentei.
Tentei caber,
tentei calar,
tentei ficar.
Mas ficar, às vezes,
é só uma forma lenta
de ir se perdendo.
Então eu fui.
Não por falta de amor,
mas por falta de espaço
pra ser quem eu sou.
Criança não entende orgulho,
não entende briga de adulto,
não entende silêncio imposto.
Ela só sente falta.
Sente no vazio da pergunta que ninguém responde,
no “cadê?” que vira rotina,
no abraço que simplesmente parou de existir.
E quem afasta…
acha que tá vencendo.
Mas não percebe que tá ensinando abandono,
plantando insegurança onde só devia ter amor,
e deixando marcas que o tempo não apaga.
Porque criança cresce…
mas o que faltou nela
não cresce junto.
Fica.
E grita em silêncio pro resto da vida.
“Aqui o vento é mais frio.
O ar não traz cheiro.
Não recordo a infância há algum tempo.
O que antes era desespero por não estar aqui
agora é calmaria
sem memória.”
