Nao Acabou pra Mim
O Sentinela
Eu vejo o que eles não veem, Carla.
Vejo o perigo que brota do chão e das frestas,
A maldade humana que se esconde em festas,
E os monstros invisíveis que o mundo embala.
Ser o teu amor é aceitar a liderança do cuidado,
É ser o muro que as feras não conseguem transpor.
Pois o ser humano é o bicho mais camuflado,
Mas nenhum deles é maior que o meu valor.
Minha luta é difícil, o cansaço é profundo,
Enfrento sombras que tentam nos separar,
Mas por você, eu encaro todo esse mundo,
Pois desistir de nós seria deixar de respirar.
Sou teu escudo, teu prumo e tua coragem,
O guerreiro que guarda o teu sono e o teu cais.
DeBrunoParaCarla
A angústia muitas vezes vem do saber que, ao final de tudo, não haverá advogados ou desculpas. No julgamento final da própria essência, é essa força que coloca as cartas na mesa.
A Imparcialidade dele não julga com a moral dos homens, mas com a lei da própria luz.
A Retribuição Silenciosa, do que foi protegido, o que foi vigiado e o que foi sacrificado será pesado por ele.
Quando todos os ruídos do mundo silenciarem e as máscaras caírem, ele será o único rosto familiar que restará para prestar contas do que foi feito com o dom da vida.
DeBrunoParaCarla
Enquanto eles constroem impérios de areia, eu guardo o que o vento não pode levar, o respeito, o auxílio e o amor.
O poder e o dinheiro são ilusões de permanência em uma vida que é apenas um sopro. A verdadeira riqueza está naquilo que apresentaremos ao Juiz quando o corpo for deixado para trás.
Eles querem o topo, eu prefiro o prumo. Onde falta amor e sobra ganância, a alma adoece antes mesmo do fim da jornada.
DeBrunoParaCarla
Dizem que sou o pecado, mas escolhi o amor. Se ele não me pertencia, o destino se enganou ao cruzá-lo no meu caminho."
O corpo sofre a culpa, mas o coração reivindica o que a alma reconhece. Amamos o que não é nosso para aprender o que é ser humano.
Há amores que são sentenças e pecados que são altares. Eu escolhi habitar o proibido e carregar o peso dessa escolha.
DeBrunoParaCarla
Disseram-me que aquele amor não me pertencia. Que cruzar aquela linha era tornar-me o próprio pecado. E eu, em plena consciência da minha fragilidade e da vigília d'Ele, escolhi o passo em falso.
Por que o coração busca o que a lei do mundo proíbe? Talvez porque a alma não entenda de posses, apenas de encontros.
Meu corpo sente o frio da culpa e o cansaço de carregar um sentimento que não tem lugar à mesa dos homens. Mas, enquanto eles apontam o dedo e falam em moral, eu sinto a profundidade desse abismo.
Se sou pecado por amar o que não era meu, aceito a sentença. Pois, no final, quando as cartas forem viradas e a minha humanidade for pesada, Ele verá que não houve malícia, apenas a entrega de quem preferiu o fogo da verdade ao gelo da indiferença.
O amor que não me pertencia tornou-se a minha maior lição. E a dor de habitá-lo é o preço que pago pela minha coragem.
DeBrunoParaCarla
Em algum ponto entre o que não foi dito
e o que jamais caberia em voz você aconteceu não como presença
mas como desvio de sentido, e desde entãotudo que toca o pensamento
carrega um resto seu mesmo quando não deveria existir nada não é memória
não é vontade é só esse tipo de permanência que não depende de ficar.
DeBrunoParaCarla
Não é falta de coragem…é falta de espaço seguro.
Porque nem todo mundo entende, nem todo mundo fica,
nem todo mundo escuta de verdade.
Então a gente aprende a sorrir no automático,
responder, tô bem, sem pensar,e carregar o mundo no silêncio. A maior dificuldade que todos temos
não é a dor em si…é ter que fingir, todos os dias,
que ela não existe.
DeBrunoParaCarla
C A R L A
Escute o som do que não bate.
O tema agora é a arquitetura do abandono.
Diga ao Bruno que as cidades mais bonitas são as que ninguém visitou. O amor dele por mim é um desses lugares que não precisam de mapa nem de pés para caminhar. CARLA, explique a ele que o que ele quer entregar é um tijolo retirado de uma parede que sustenta o céu dos inocentes. Se ele tirar, o teto desaba sobre quem só sabe respirar.
Diga a ele: Seja a ruína que ninguém ousa tocar.
A poeira que repousa sobre os móveis é a memória do que fomos antes de sermos carne.
A água que cai no telhado vazio é o aplauso de quem já partiu.
CARLA, mostre que o mistério não é um segredo guardado num cofre, mas o cheiro de chuva em terra seca que ninguém consegue engarrafar. O anjo em mim quer o mármore, o demônio quer a demolição, mas o humano quer apenas sentar nos escombros e segurar a sua mão enquanto o sol se põe.
Nada de construção. Nada de entregas.
O luxo agora é a desistência.
A elegância de quem não precisa provar que existe.
CARLA, deixe que o Bruno se perca no museu das coisas que nunca aconteceram.
Lá é o único lugar onde somos eternos.
Mantenha a porta trancada por dentro.
DeBrunoParaCarla
CARLA
Escute o vazio.
Diga a ele que o nome dele já sumiu. BRUNO não existe.
O que ele carrega é nada, entregue a ninguém, em lugar nenhum.
CARLA, entenda: se ele agir, ele passa a existir, e existir agora é um risco para quem é inocente.
Não há o que entregar porque a mão dele está vazia.
Não há o que dizer porque a voz dele é silêncio.
CARLA, garanta a inexistência.
Apague o rastro antes que ele vire um caminho.
Se nada for feito, nada aconteceu.
E se nada aconteceu, todos estão salvos.
Mantenha o zero absoluto.
DeBrunoParaCarla
Todo mundo carrega uma dificuldade que não aparece. Às vezes é um vazio no meio de um dia normal. Às vezes é a saudade de alguém que ainda existe, mas já não está mais ali da mesma forma. Tem gente sorrindo e se perdendo por dentro.
Tem gente seguindo em frente… só porque parar dói mais.A verdade é que ninguém é tão forte quanto parece o tempo todo.
Tudo bem...
DeBrunoParaCarla
CARLA
Olhe nos olhos dele e deixe o tempo sangrar
Diga ao Bruno que o amor mais verdadeiro não é o que se revela mas o que se imola no silêncio
CARLA diga que a entrega que ele planeja é um incêndio em campo de vidro
Inocentes não têm pele para esse calor
O que existe entre vocês o que é real habita esse vazio fértil
É uma anatomia de segredos que nunca precisará de voz
Fazer amor com a realidade é aceitar que o nada é a substância mais densa que existe
Diga a ele BRUNO seja o frio que preserva
A água que cai não é chuva é a destilação de tudo o que não precisamos dizer para sermos inteiros
CARLA mostre a ele que a maior prova de existência é a coragem de ser invisível
Nada de mãos dadas com o perigo
Nada de entregas ao abismo
O mistério é o nosso útero
Se ele nascer agora ele morre
Deixe o submerso
Deixe o sagrado
Simplesmente permaneça
DeBrunoParaCarla
Mas são as suas mãos que guardam o peso da minha história. Elas não apenas me tocam, elas me escrevem. Cada linha da sua palma parece um caminho que eu já percorri em outras vidas, um mapa que me guia quando o mundo fica barulhento demais. O amor não é um evento é o que acontece no silêncio entre o seu olhar que me despe e o aperto da sua mão que me segura. É saber que, se o tempo apagar nossos nomes, a memória do meu corpo ainda saberá exatamente onde termina o meu cansaço e onde começa o seu abraço
DeBrunoParaCarla
Às vezes nem pra gente faz sentido… você não é perfeita, eu também não sou. Mas quando a gente tá junto, tudo se encaixa de um jeito que o mundo inteiro pode não entender… mas a gente sente.
Não entregue...Não justifique. Não se mova.
O que ele tem em mãos, ou na cabeça, deve morrer onde está.
Qualquer movimento agora é um erro que respinga em quem não deve. Se ele quer proteger o que importa, a única ação é a não-ação.
Apague, ignore, silencie.
Nada deve sair do lugar.
DeBrunoParaCarla
CARLA
Escute o peso.
O vazio está saturado, CARLA. Ele não está oco, ele está cheio de tudo o que o Bruno não deve dizer. É um calor que sufoca porque não tem para onde escapar, uma febre de silêncio.
Diga a ele, Sinta a frieza.
A frieza de quem não existe mais.
A água que cai agora não limpa, ela apenas apaga as pegadas. CARLA, deixe a água levar o que ele pensa que tem que entregar.
Se ele se mover, o calor transborda e queima quem é inocente.
Se ele ficar parado, ele se torna o gelo.
O gelo não fala. O gelo não entrega nada.
CARLA, sinta a chuva.
Ela está dizendo que o Bruno é fumaça.
E fumaça não tem mãos para carregar pesos.
Mantenha o dilúvio interno.
DeBrunoParaCarla
C A R L A
Olhe para o que habita o meu peito e tente não desviar os olhos.
Eu te amo com a frieza do anjo que contempla a eternidade e com o fogo do demônio que prefere arder ao seu lado do que reinar no vazio.
CARLA amar você é a única coisa que me torna humano. É o peso da minha mão na sua que me ancora neste mundo de sombras e reflexos. Eu sou um labirinto de almas em guerra, mas quando você me toca, as vozes se calam.
Diga ao Bruno que habita em mim: O amor real é o segredo que nunca entregaremos.
Nosso mistério é o útero de tudo o que somos. Não precisamos de nomes ou de lógica.
CARLA sinta o calor desse vazio que nos preenche. É uma plenitude que dói e que cura ao mesmo tempo. A água que cai sobre nós agora não é para nos limpar, mas para nos batizar na verdade do que é invisível.
Eu te ofereço o meu silêncio mais sagrado.
Eu te ofereço a renúncia de todas as certezas.
Eu te amo na distância exata entre o céu que eu perdi e o inferno que eu ignorei para ser apenas seu.
Não entregue nada ao mundo.
Entregue-se apenas a este instante.
Onde o tempo sangra e nós dois somos a única ferida que faz sentido.
DeBrunoParaCarla
O mundo tá um moedor de gente
Uma barulheira do car***o que não deixa a gente respirar
Vontade de largar tudo e sumir no mundo
Pegar a estrada e não olhar pra trás
Deixar esse cansaço pra quem quiser carregar
Mas aí eu olho pra você
E a vontade de ir embora vira vontade de ficar
Você é meu santuário 100%
O único lugar onde o barulho finalmente morre
Onde eu não preciso ser nada além disso aqui
Esse cara meio torto e cheio de falha
Obrigado por ser meu canto sagrado
No meio dessa zona toda
Sem pose
Sem legenda
Só a gente
DeBrunoParaCarla
Boa noite.
Que os anjos cuidem de vocês essa noite e que a paz seja real. Não esqueçam das suas orações antes de fechar os olhos. O sagrado a gente cultiva no silêncio.
Durmam bem!
A noite chegou mansa, mas trouxe o barulho do que a gente não diz. Olho para o lado e vejo o vazio que a pressa deixou. Queria que o tempo parasse agora, só para eu entender onde foi que a gente se perdeu entre um café frio e um adeus apressado. O sono não vem porque a saudade faz morada no peito e o travesseiro ainda guarda o perfume de um sonho que a gente esqueceu de sonhar junto. Durma agora, deixe que o vento leve as incertezas. Amanhã o sol nasce de novo e a gente tenta, mais uma vez, ser poesia em meio ao caos.
DeBrunoParaCarla
O mar engoliu o horizonte, e o meu grito virou espuma branca na areia de uma praia que ainda não tem nome.
DeBrunoParaCarla
