Na Ponta dos Dedos
A máquina do tempo na ponta dos dedos,
Em São Luís, onde o passado se faz segredo.
Ruas que respiram o pulsar do tambor,
Blocos tradicionais, dança que encanta com fervor.
Cada tecla pressionada é um portal aberto,
Nas letras digitadas, o tempo é descoberto.
A cidade é palco, o bloco é poesia,
No ritmo do tambor, a história se inicia.
De manhã:
gosto de amora na boca
o vermelho selado
na ponta dos dedos.
Das cores
saem os pensamentos.
arte inconsciente, duma consciência florescente
acaba na ponta dos dedos o que começa na mente
conta os pequenos segredos duma alma pouco contente
afasta outros tantos medos que atormentam e deixam doente
curam assim uma crença a um espírito demente
fortalece-se uma doença
para ajudá-lo a esquecer-se que já foi crente!
coleciono o silêncio das meias palavras não ditas; daquilo que fica pendurado na ponta dos dedos ensaiando dizer. guardo embaixo do travesseio esse céu morno do quase; esse céu imenso do "se".
Ser cristão não é procurar reter a verdade como primícia na ponta dos dedos, é ter o coração aberto como baluarte ao amor em busca de misericórdia
