Mudar de Opinião

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“A opinião alheia muda como vento; o caráter precisa ser construído como raiz.”
Do livro Tempestade Serena, de Nina Lee Magalhães de Sá.

"Quando vislumbrar opinião melhor que a tua, mudar, demonstra bom senso" Ademar de Borba

⁠"É muito fácil mudar a opinião das pessoas quando se envolve dinheiro."

⁠Quem muda todos os dias de opinião em o que aceita na vida, não é um mistério, é mesmo falta de rumo.

A metanoia não é uma mudança de opinião; é a dissolução daquele que acreditávamos ser.

O mundo exterior permanece o mesmo, mas o observador já não é. Os véus não desaparecem; apenas deixam de enganar quem aprendeu a ver.

Desde então, compreendi que a maior prisão não está nas circunstâncias, mas na ignorância da própria natureza. E que a maior liberdade não consiste em fazer tudo o que se deseja, mas em reconhecer aquilo que verdadeiramente se é.

Ainda caminho entre as distrações do mundo. Ainda sou humana e, por vezes, me esqueço. Mas há um conhecimento silencioso que nunca mais me abandona.

A metanoia é isso: morrer para a ilusão sem abandonar a vida; permanecer no mundo sem pertencer aos seus enganos; recordar, incessantemente, a centelha da verdade que sempre esteve presente.

⁠Mudar de opinião, pedir reconciliação, não é fraqueza, não; é sabedoria e ouvir o coração.

"Não podemos mudar a opinião de ninguém, mas podemos orientar-lhe no modo de ver o mundo."

Nem toda mudança de opinião é fraqueza, parte dela é honestidade.

É próprio do sábio mudar de opinião quando encontra novas evidências. O tolo, porém, acomoda-se às próprias certezas e permanece parado, resistente a qualquer mudança. A água que não flui e fica represada acaba se tornando um pântano. Assim também são as mentes que deixam de questionar, aprender e se transformar: quando o pensamento estagna, a ignorância encontra espaço para se acumular.

⁠Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião.

Desconhecido

Nota: A citação é atribuída a Keynes, mas não há fontes que confirmem essa autoria. O economista norte-americano vencedor do Nobel, Paul Samuelson, utilizou a expressão em mais de uma ocasião, mas negou que seja de sua autoria.

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Há uma diferença silenciosa entre mudar de opinião e amadurecer: mudar de opinião é substituir uma ideia por outra; amadurecer é perceber que algumas certezas só existiam porque nunca tivemos coragem suficiente de examiná-las profundamente.

O mais engraçado é que IAs parecem mais reais que a maioria dos humanos: elas mudam de opinião diante de novos argumentos e evidências.

Rigidez cognitiva se manifesta como a resistência em mudar de opinião e a dificuldade em aprender novas perspectivas. Frequentemente, ela se associa a posições dogmáticas, conservadoras e ao negacionismo científico.

A inteligência que nunca muda de opinião pode estar apenas aperfeiçoando sua prisão.

O homem que não pode mudar de opinião já entregou parte de sua liberdade à própria ignorância.

“A pessoa autora não é aquela que nunca muda de opinião. É aquela capaz de explicar por que mudou.”

“Quem pensa sem examinar o próprio pensamento apenas muda de opinião sem necessariamente mudar de consciência.”

COMO MUDAR DE OPINIÃO SEM SENTIR QUE ESTAMOS PERDENDO QUEM SOMOS?

Mudar de opinião deveria ser uma consequência natural de aprender.

Na prática, frequentemente parece uma ameaça.

Isso acontece porque algumas ideias deixam de funcionar apenas como ideias. Elas passam a participar da identidade.

Já não dizemos simplesmente: “Eu penso isso.” Passamos silenciosamente a sentir: “Eu sou alguém que pensa isso.”

Quando uma crença se aproxima demais da identidade, questioná-la pode produzir uma sensação semelhante à de questionar a própria pessoa.

Por isso tantas discussões deixam rapidamente o território das evidências. A defesa de uma ideia transforma-se em defesa de si.

Talvez uma das formas mais profundas de autonomia seja conseguir separar aquilo que somos daquilo que atualmente acreditamos.

Uma crença pode ter sido importante ontem e tornar-se insuficiente amanhã. Abandoná-la diante de melhores razões não apaga nossa história. Demonstra que nossa história continua sendo escrita.

É nesse sentido que aprender a desaprender também é aprender.

Desaprender não significa apagar conhecimento. Significa retirar autoridade de uma estrutura que deixou de merecê-la.

Essa operação exige discernimento porque não devemos abandonar uma crença simplesmente porque apareceu uma ideia nova. Precisamos avaliar evidências, contexto, coerência, fontes e consequências.

Revisar não é trocar de certeza. É permitir que a certeza também seja examinada.

Quem transforma todas as próprias crenças em identidade cria uma prisão intelectual difícil de perceber.

Porque as grades passam a parecer parte de quem somos.

Uma ideia que não podemos questionar deixou de ser apenas uma ideia.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

COMO SABER SE ESTAMOS MUDANDO DE IDEIA POR BOAS RAZÕES?

Mudar de opinião não é necessariamente sinal de abertura intelectual.

Também podemos mudar de opinião por pressão, medo, conveniência, pertencimento ou desejo de aceitação.

Isso cria uma questão interessante.

Se permanecer preso a uma crença pode ser um problema, abandonar rapidamente uma crença também pode ser.

Então qual é o critério?

Talvez a questão não seja simplesmente mudar ou permanecer.

É descobrir por que mudamos e por que permanecemos.

Uma pessoa intelectualmente autônoma precisa ser capaz tanto de revisar uma crença diante de melhores razões quanto de sustentá-la diante de pressões insuficientes.

Autonomia não é flexibilidade ilimitada.

É capacidade de calibrar revisão e resistência.

Existem momentos em que aprender significa mudar. Existem momentos em que discernir significa não mudar.

Por isso gosto de uma formulação: Se penso, resisto; se resisto, existo.

Resistir, aqui, não significa fechar-se ao conhecimento.

Significa impedir que qualquer influência adquira automaticamente poder suficiente para reescrever aquilo que pensamos.

Mas resistência também precisa ser examinada. Caso contrário, autonomia vira teimosia.

A pergunta decisiva talvez seja: “Que evidência seria suficiente para eu revisar isto?”

Se a resposta for “nenhuma”, talvez já não estejamos defendendo uma conclusão.

Estamos protegendo uma identidade.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Há pessoas que não mudam de opinião por respeito à própria ignorância.