Muda que quando a Gente Muda
As mulheres mais velhas, recordavam a juventude de quando foram atraentes; outras que nunca foram atraentes, recordavam quando quiseram ter sido.
Toca dos Temores
Houve quando fui pupilo,
Compassivo e inofensivo,
Em afazeres intranqüilos.
Me mantive apreensivo,
Fui purgado, fui punido,
Apedrejado e comovido.
Em meu cerne fui falido,
Arruinado e ofendido,
Derrubado e impelido.
No infalível arremate,
Arruinei o estandarte,
Fiz poeira dos czares.
Não tomei conhecimento,
De estorvo ou empecilho,
Que pudesse me deter.
Dos temores fui o filho,
Fui gerado, fui parido,
Renascido ao me reger.
Entre todos os ardores,
Entre tantos desamores,
Afrontei-os sem tremer.
Ao toque dos tambores,
Na toca dos temores,
Não há o que temer.
Fico de queijo caído se me derreto demais, sou facilmente impressionável quando a pressão é constante, na estante coleciono copos, cascas, taças, sementes, uvas-passas de parafina, soldadinhos de metal enferrujados; na clínica particular o terapeuta diria que é uma boa terapia colecionar, não tenho verba pra pagar terapeuta, sempre fui peralta, tratamento pra marotíce era cinta, jamais apanhei.
Já o nefasto, subestimei-o;
Se promoveu e saiu.
Quando foi transferido
Do departamento, gargalhou e riu.
Encerrou-se aí o grande confronto.
Lindo aquele lugar, quando não gostamos do que é bonito, mas me agradava. A garotada encharcada corria pelas poças, sapateando na lama, brincando de roléfas, atividade saudável para essa idade, consistia em segurar uma cinta com a fivela solta, perseguindo seu colega para enfim acertá-lo com o instrumento, berrando: roléfas. Não me pergunte o porquê, nunca soube.
Quando acabamos nesta cova, só uma única e ínfima marca carregamos conosco e ela se resume ao nosso egoísmo sentimental.
Da queda em diante
“Quando chegamos ao topo,
O próximo passo é a queda...”
Caiu com a cara na lama,
Socou um murro na mesa,
Xingou aquilo que ama,
Cuspiu no prato e na presa.
Comprou, não pagou a despesa,
Dever de ladino exerceu,
Deu um calote na empresa,
Não mais do que ela lhe deu.
O ataque é melhor que a defesa,
Por tanto atacou desleal,
Não repartiu sobremesa,
Canhoto, esquerda radical.
Ultrapassou em mão dupla,
Passou do limite aceitável,
Parou em local proibido,
Assumiu ser um ser imutável.
O arrebalde devia pra ele,
Estreou temas chocantes,
Estreitou seus laços na máfia,
Foi amante das boas amantes.
Vivendo e apostando pra ver,
Perdendo se manteve elegante,
E afirmou: - Da queda em diante,
Coisa alguma irá me deter...
Manipuladores
(Mentores da Mentira)
Desde quando nós,
Desatamos nós,
Superamos sós,
Silenciando a voz.
Sendo jurados e réus,
Atuamos deliberadamente,
Aturamos displicentemente,
Alteramos indiscriminadamente
O ambiente em que habitamos.
Nós desatamos nós,
Nós atuamos sós,
Sós aturamos nós,
Nós alteramos vós.
Manipuladores,
Mentores da Mentira.
Manipulando com deboche,
Ventríloquos, fantoches,
Marionetes, bonecos.
Comentários ilógicos,
Num papel higiênico.
Domínio da arte cênica,
Do ar cínico.
Arsênico ao anêmico mímico.
Arquétipos irônicos,
Ventríloquos, fantoches,
Marionetes, Bonecos,
Manipulados pelos Mentores.
Manipuladores,
Mentores da Mentira.
Ele gostava de pastel de queijo, jabuticaba, garapa, de vez em quando um trago de pinga, geralmente com vermute, a famosa rabo de galo.
e quando
aparenta cansaço,
limitação ou desistência,
revigora-se
num relance
avassalador,
de inconsequente
persistência,
O calçamento vibrou
Quando a moçoila pisou,
Relando sua superfície
Exímia cirurgiã,
Fraterna como a artífice
Entalhando um talismã.
Não necessariamente nesta sequência
Ligo o ventilador
Quando está quente,
Logo esfria;
Cubro-me com lençóis.
Participei duma pescaria
Antigamente,
Nada pesquei,
Esqueci iscas e anzóis.
Sinto-me esquecido,
Os sintomas se agravam,
Sou comprimido
Sem prescrição.
Nunca aprendi
A calcular divisões,
Talvez por isso, minha vida
Tem sido uma grande multiplicação.
Quando o precipício sorri de volta
vez por outra
nos damos conta,
que a superficialidade
embrutece e nos estupidifica;
então ansiamos
desesperadamente
pela profundidade.
eis aí o grande risco a ser corrido,
para alcançar as profundezas,
é necessário suportar
a pressão que vem
com ela.
Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime ©
