Muda que quando a Gente Muda

Cerca de 200278 frases e pensamentos: Muda que quando a Gente Muda

⁠OLHAR DE RESSACA

Você nem disfarça
que gosta de mim
deixa-me sem graça
quando olha-me assim.

Nem me pede desculpas
quando esbarra comigo
não sei mais ao certo
se sou seu amigo.

Não posso pensar
já não tenho noção
de até onde é que vai
essa doce ilusão.

Seu olhar de ressaca
é um copo espumante
me atrai ao um abismo,
com suspiro de amante.

O teu olhar de onça faminta
impede que eu minta
que eu negue o que sinto
que sou um leão
que ruge faminto
morrendo de fome
quando o teu olhar
de mar arrebata-me
me consome.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Não tenha medo
quando tudo fica escuro
a noite esconde o sol
por isso não vemos
o horizonte atrás do muro
mas busque na memória
o amanhã que deseja tanto,
ele te espera radiante
pra te manter vivo e seguro.

Inserida por EvandoCarmo

"O que sei sobre desejo, é que quando se tem o fruto proíbido até o paraíso se torna monótono"

Inserida por EvandoCarmo

⁠Nesta luta diária em que a vida nos imputa, quando o mundo nos trata como F.D.P...devemos reagir de forma impoluta, tudo vale a pena se a grana não for curta.??

Inserida por EvandoCarmo

⁠Eu espero a traição de um amigo
a qualquer momento,
pois quando as circunstâncias
mudam a direção do vento
tudo o que é perfeito se desfaz.

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

⁠Poesia acústica

"Quando pisquei
já era noite
Os planos feitos
Foram defeitos
De sonho vão
Não foram eleitos
Perderam a força
Quebraram as cordas
Do coração."

Inserida por EvandoCarmo

⁠Como é belo o espírito humano, quando o é...

Inserida por EvandoCarmo

⁠O que temos de fazer
Quando tudo está perfeito
Levantar as mãos pro alto
E ao pai agradecer.

Senhor, não sei o que dizer
Pois quantas vezes neguei
Tua existência, por medo
Do teu julgamento
Fiquei irritado, procurando
Culpado, sem paz
sem Paciência.

Hoje compreendi, que quando me diz não,
é pro meu próprio bem, pra minha salvação.
Não tenho resposta pra muita
Coisa, coisas simples como o engenho da chuva que rega e faz crescer o trigo que faz o pão.

Por isso resolvi calar diante do espanto
que me causa a natureza.

Devo aguardar em silêncio
A tua decisão, pois só tú
Tens o poder, a justiça, a fonte
De toda sabedoria e beleza.

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

⁠Quando eu me for
ou me decompor
ficará outra essência
eu meu lugar,
na memória,
no coração
de quem amei,
ficará para sempre
a luz divina e eterna
do amor...

Inserida por EvandoCarmo

⁠O amor em ação é uma força sem igual,
Que faz a diferença na vida de alguém.
Quando confiamos, o resultado é surpreendente,
E as pessoas são capazes de superar qualquer desafio.

Acreditamos que podemos fazer a diferença,
Com um coração aberto e compaixão sincera.
Os excluídos são aqueles que precisam da nossa ajuda,
E podemos escolher ser um canal do amor em suas vidas.

Veja além das aparências e julgamentos,
E sinta a dor dos outros como se fosse sua.
O poder do amor em ação é incomparável,
E pode transformar todo o universo ao nosso redor.

Se você acredita no poder do bem,
E está disposto a se esforçar para ajudar,
Nunca deixe de fazer o bem,
Pois somente assim teremos um mundo melhor.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Quando o verbo em mim calar
cessará todo o julgamento do mundo
a consciência do medo se dissipará
e hão de se fechar todos os abismos
então reinará o imponderável silêncio
sobre o discurso da dúvida

e a verdade terá enfim seu pleno espaço
a luz iluminará sem temor a escuridão

E quando chegar esse momento sagrado
não haverá mais intrigas nem artimanhas
o amor enfim será o nosso guia
e a paz reinará nas almas mais danificadas

Então minha alma poderá voar livremente
sem medo de ser julgada ou incompreendida
e o coração feliz baterá em plena harmonia
numa eterna sinfonia de amor e vida.

Inserida por EvandoCarmo

⁠A musa que canta

Quando ela canta o mundo se encanta
Se veste de beleza o abismo do silêncio
Enquanto ela canta, sozinho eu penso,
Ela se apaixona pela música
E faz amor com ela
E os tons perfeito que saem do seu peito Suavizam o mundo tão cheio de dor.

Eu, poeta amador, não descrevo direito
O que escuto, o que ora vejo
nesta musa imortal
A canção se envaidece, e a plateia
Adormece, o céu vem ao chão
Lhe prestar homenagem.

E até Deus duvida que ela seja real
Pois quem canta assim
Dominou o segredo,
que os têm os mortais
Sabe o meio e o fim
Da celeste razão
De que somos iguais

Inserida por EvandoCarmo

⁠Não abro mão da minha solidão
Quando sou vazio metafísico
No silencioso abismo de mim
Onde criou o imponderável.

Neste instante glorioso em que "sou"
Longe do mundo e das pessoas
Eu tomo meu café amargo
E me solto das amarras dos homens

Tudo é infinito e intocável
Para tudo além de mim
Sou natureza e instinto
Não importa se sou verdade

O que crio foge às convenções
A arte de viver é ser livre
A arte de morrer é negar
Julgar é tarefa para os mortos.

Enquanto vivo penso, existo
A crença de esperar o amanhã
É fuga e medo de sonhar
Não sou poeta, apenas minto.

Inserida por EvandoCarmo

⁠SEM TER VOCÊ

Quando o vento da saudade
balançar meu coração,
vou cantar uma canção pra você.
Vem me tirar desse sofrimento,
não aguento este momento
que passa o tempo sem ter você.
O rio no peito está secando,
porque o sol da solidão está queimando.
E o frio da saudade afugenta o meu ser,
não há cobertor que esquente
a vontade de viver.
E o frio da saudade afugenta o meu ser,
não há cobertor que esquente
a vontade de viver.

Inserida por EvandoCarmo

Canto e Abismo

Me sinto perdido,
arrebatado,
quando escuto tua voz.
O som que de tua boca sai
me guia—
e sempre me lança ao abismo.
Espanto e desespero me perseguem.
O violino,
o mais metafísico dos instrumentos,
ressoa sobre uma base de piano.
Teu canto lírico, suspenso no ar,
é fôlego e esperança.
Caminho sob a sombra
de um passado que não esqueço.
Morro, adormeço,
mas não sonho.
Vivo a realidade cruel do abandono.
Ah, que cão sou eu,
esquecido na noite chuvosa!
Meu destino é árido,
minha cova, rasa.
Não há salvação para quem ama,
nem para quem perdeu
a hora da partida
e o encanto da chegada.
Ah,
minha triste figura,
minha desventura,
minha sorte desalmada.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Eu sei

Eu sei,
que você é tudo que tenho,
e não há engenho intelectual quando digo isso.

Ao acordar, quando lhe sirvo o café,
sinto que o dia só começa
quando seu olhar repousa em mim.

Ah, meu anjo,
minha sorte,
meu guia neste escuro existir.

Quis voltar ao poeta simples de outrora,
livre do peso das palavras pensadas,
mas já não sei ser sem sentir.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Aquilo que somos só se revela quando há a ameaça de perder o que temos.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Quando Deus Se Chamava Lear

Disse-se outrora que houve um rei cujo nome não era nome, mas sentença. Chamavam-no Lear — embora esse som não bastasse para contê-lo. Não era homem, nem rei apenas: era a imagem que o mundo fazia de Deus em ruína.

Governou por anos uma terra que se curvava ao gesto de sua mão. Mas, como todo soberano que envelhece, quis dividir o poder antes que a terra o dividisse a ele. Três filhas. Três mundos. Pediu amor, mas em voz alta. Pediu afeto, mas diante da corte. Queria ternura, mas com pompa. Queria certeza — o que só os deuses buscam quando estão à beira da dúvida.

As duas primeiras disseram o que ele queria ouvir. A terceira, não disse.
E foi expulsa.

Desde então, Lear vagou por campos de vento e neblina, coroado apenas pela ausência. Aos poucos, descobriu que a coroa que pesava sobre sua fronte não era de ouro — era o silêncio.

Chorou pela primeira vez numa noite sem estrelas, onde os trovões respondiam às suas perguntas com risos. Gritou aos céus: “Sou mais pecador ou mais punido?”. O céu não respondeu.

Mas ali — no barro, na lama, no desabrigo — nasceu algo que jamais possuíra no trono: visão.
Não dos olhos, que já falhavam. Mas da alma.

Viu o mendigo e o bobo. Viu o traidor. Viu a filha fiel, que nada dissera porque tudo sentia. Viu o tempo, que não se dobra à vontade dos reis. Viu Deus, talvez — mas hesitante, escondido sob o capuz de um louco.

Quando enfim morreu, ninguém soube. Nem sinos dobraram, nem anais registraram o fim do reinado.
Mas alguns dizem que, em certos dias de tempestade, uma voz ainda ecoa pelas montanhas:

“A arte é o consolo no abismo onde o próprio Deus hesita.”

E nesse eco, dizem, está Lear — não mais rei, não mais homem,
mas lembrança.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Quando quiseres me levar, irei sorrindo.
Quando me achares digno daquele banquete onde serei o prato suculento dos vermes, fique à vontade.
Sei que poeta não deve demorar muito por aqui.
Quanto a essa ilusão que puseste no coração do homem, de ser eterno, fica no vácuo, como hiato cósmico.
Como palavra muda, impronunciável.
Que nós, por confusão mental, criamos em delírio: eternidade.

Inserida por EvandoCarmo

⁠"Quando quiseres me levar"

Ele acordou com um gosto metálico na boca e uma lucidez que parecia milenar.

Sabia. Não era intuição. Era certeza.
Hoje, a Morte viria. E ele, cansado, não a temia.

Ajeitou os papéis sobre a mesa, acendeu um cigarro que não fumava havia dez anos, e pôs uma música quase inaudível no velho toca-fitas. Era Chopin, talvez. Ou só o vento.

Deixou as janelas abertas. Queria que ela entrasse à vontade.
Morte. Senhora. Fera. Fêmea.
Ela que viesse — sem cerimônias.

No papel, começou a escrever, como quem fura o véu do mundo com uma agulha de fogo:

“Quando quiseres me levar, irei sorrindo.
Quando me achares digno daquele banquete onde serei o prato suculento dos vermes, fique à vontade.
Sei que poeta não deve demorar muito por aqui.
Quanto a essa ilusão que puseste no coração do homem, de ser eterno, fica no vácuo, como hiato cósmico.
Como palavra muda, impronunciável.
Que nós, por confusão mental, criamos em delírio: eternidade.”

Fez uma pausa. O silêncio da casa parecia escutar. A xícara de café esfriava devagar. Lá fora, o mundo seguia: os cães latiam, os pneus assobiavam no asfalto, alguém batia panela no apartamento ao lado.

Mas ele já não pertencia a isso.

Levantou-se. Pegou o espelho da infância — aquele que pertencia à mãe — e olhou-se como quem vê um estrangeiro.

“É você mesmo?”, pensou. “Ou o que restou do que chamaram de você?”

Não chorou. Apenas fechou os olhos.
Lembrou de um amor antigo.
De um poema que nunca publicou.
De uma criança que lhe sorriu na rua, semanas atrás.

Cada coisa lhe parecia uma despedida disfarçada.

Às onze e quarenta e cinco da noite, ela veio.

Não como figura. Não como caveira.
Apenas entrou no ar. Como frio.
Como verdade.

Ele sentiu.

Sorriu.

E sem mais palavras, morreu de olhos abertos, como quem enfim compreende — ou perdoa.

Na folha, sua letra deslizava até o rodapé da página.

E ali, como se deixasse ao mundo uma última gargalhada filosófica, escreveu:

"Criamos o infinito com medo do fim.
Chamamos de eternidade o que não suportamos perder."

Inserida por EvandoCarmo