Muda que quando a Gente Muda
Quando uma mulher conhece um homem ela deixa de querer o moleque e quando uma mulher conhece uma mulher ela pode deixar de querer um homem.
Cladissa e o Silêncio das Abadias.
CAPÍTULO I
SOB O CÉU DA ÚMBRIA.
No ano de 1048, quando os sinos das pequenas igrejas rurais marcavam o ritmo da existência e o calendário era medido pelas festas litúrgicas, nasceu Cladissa numa aldeia situada entre colinas da Úmbria, território sob a órbita espiritual e política de Gregório VII. O mundo em que abriu os olhos não conhecia a noção moderna de indivíduo autônomo. Cada vida estava organicamente vinculada à terra, à paróquia e ao senhor local.
Seu pai, Matteo di Rinaldo, era pequeno proprietário agrícola. Não possuía título de nobreza, mas detinha o suficiente para cultivar trigo, cevada e algumas oliveiras. Era homem de poucas palavras, moldado pela disciplina da lavoura. Compreendia as estações como quem lê um manuscrito invisível. Sabia quando a geada seria severa e quando o vento anunciava tempestade. A terra, para ele, não era metáfora, mas substância concreta de sobrevivência.
Sua mãe, Agnese, distinguia-se pela instrução elementar adquirida junto aos monges beneditinos que administravam o pequeno mosteiro próximo. Não era erudita, mas lia passagens do saltério latino e ensinava orações com precisão. Fora educada sob a influência indireta da tradição de Bento de Núrsia, cuja Regra ainda orientava a disciplina monástica e irradiava sobriedade às comunidades vizinhas.
Cladissa cresceu entre o cheiro de azeite fresco e o murmúrio das preces. Desde cedo demonstrou atenção incomum ao entorno. Observava os trabalhadores curvados nos campos e não os via apenas como força física, mas como vidas fatigadas por uma ordem social rígida. A sociedade medieval organizava-se segundo hierarquias claras. Oratores, bellatores, laboratores. Sua família pertencia à terceira ordem. Contudo, a proximidade com o mosteiro permitia-lhe contato com a dimensão espiritual reservada aos que oravam.
A infância não foi idílica. A mortalidade infantil rondava as casas como sombra inevitável. Duas irmãs morreram antes de completar 5 anos. O luto, naquela época, não era espetáculo íntimo prolongado, mas aceitação austera. Agnese ensinou-lhe que a dor devia ser recolhida no silêncio, pois o sofrimento era compreendido como parte da pedagogia divina. Essa mentalidade, própria do século XI, forjou em Cladissa uma sobriedade precoce.
Aos 9 anos já auxiliava na preparação do pão comunitário. Aos 12 acompanhava a mãe nas visitas a enfermos. As doenças eram frequentes. Febres persistentes, infecções não nomeadas, feridas que gangrenavam sem remédio eficaz. O cuidado consistia em água fervida, ervas simples e oração constante. Nesse cenário, Cladissa começou a revelar não apenas compaixão, mas método. Organizava panos limpos, separava utensílios, instruía crianças a manter distância de contágios evidentes. Seu senso de ordem não contrariava a fé, mas a complementava.
O pároco local, padre Anselmo, homem já envelhecido, percebeu nela rara combinação de docilidade e discernimento. Não lhe ensinou teologia sistemática, pois tal instrução era reservada aos clérigos. Contudo, permitiu que assistisse à leitura dos evangelhos em latim e depois os explicava em língua vulgar. Assim, Cladissa desenvolveu uma compreensão concreta da caridade cristã, não como emoção efêmera, mas como prática diária.
Ao aproximar-se da juventude, recusou propostas de casamento que garantiriam estabilidade econômica. A decisão não foi fruto de rebeldia, mas de convicção interior. Permaneceria leiga consagrada, vinculada à paróquia, dedicando-se ao serviço comunitário. Tal escolha, embora incomum, não era impossível no contexto medieval, sobretudo em regiões influenciadas pela reforma espiritual do período.
Em 1076, rumores de enfermidade grave começaram a circular entre aldeias vizinhas. Não era ainda a grande peste que devastaria a Europa no século XIV, mas surtos epidêmicos recorrentes. Febres intensas, manchas na pele, delírios noturnos. A aldeia de Cladissa não tardou a ser atingida. O medo instalou-se antes mesmo da doença. Famílias isolavam-se. Alguns abandonavam parentes por receio de contágio.
É nesse momento que sua figura adquire densidade histórica. Não proclamou discursos. Não reivindicou autoridade. Simplesmente entrou nas casas onde outros hesitavam. Lavava corpos febris, alimentava os incapazes de erguer-se, organizava sepultamentos segundo o rito cristão quando a morte se impunha. Sua atuação não eliminava o sofrimento, mas restituía dignidade aos atingidos.
Matteo, seu pai, inicialmente resistiu. Temia perdê-la para a doença. O conflito doméstico revelou a tensão entre amor familiar e responsabilidade comunitária. Cladissa não desafiou o pai com insolência. Argumentou com serenidade que a fé professada exigia coerência prática. A coerência, naquela sociedade, tinha peso maior que a emoção. Matteo, homem de terra, compreendeu. Permitiu que continuasse.
O inverno de 1078 foi severo. A aldeia perdeu quase um terço de seus habitantes. Padre Anselmo sucumbiu à febre. Coube a Cladissa auxiliar o jovem diácono enviado do mosteiro a reorganizar a vida paroquial. Não assumiu funções sacramentais, pois não lhe competiam, mas coordenou distribuição de alimentos e cuidados aos órfãos.
Nesse período consolidou-se sua reputação como “pia mulier”, expressão latina que indicava mulher piedosa, mas também disciplinada e confiável. Sua autoridade não derivava de poder formal, e sim de constância moral.
Quando a epidemia arrefeceu, a aldeia já não era a mesma. Muitas casas vazias, campos temporariamente abandonados. Contudo, havia sobreviventes dispostos a reconstruir. Cladissa participou da reorganização agrícola, incentivando cooperação entre famílias enlutadas. Sua visão era prática. Sabia que a fé sem sustento material conduzia à miséria.
Ao final dessa década, sua presença tornara-se elemento estrutural da comunidade. Não heroína canonizada, mas consciência viva da aldeia. A história raramente registra tais figuras. Contudo, são elas que sustentam silenciosamente as sociedades.
Assim começa a trajetória de Cladissa, filha da Úmbria, formada pela disciplina da terra e pela austeridade da fé. Sua vida não brilha como a de reis ou pontífices, mas pulsa na tessitura concreta de um século em transformação. E é precisamente nessa sobriedade que reside sua grandeza.
Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não louvar, eu louvo. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não orar, eu oro. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu desistir, eu não desisto.
"Lembre-se, as pombas voarão quando o milho acabar, mas para que haja lembranças, os momentos precisam ser passageiros."
Às vezes as melhores combinações amorosas são quando um é o caos para o pensamento do outro e o outro, o veneno para o seu coração.
A gente nunca sabe. Se a hora é certa. Quando o encontro é errado. Se tudo é só uma simples hora em que é sim puro acaso. A gente não entende a razão de querer estar junto. E que pode também ser melhor ser separado. A diferença que pode fazer desencontrar para sempre por segundos ou ter a sorte de ficar junto por anos. Nunca vemos que pode até existir uma certa razão ...no que não queremos ou planejamos. Que no que insistimos por pura teimosia pode não ter sentido nenhum. A gente nunca vai certamente saber. O que vem depois. O que precisava ter vindo antes. O agora. Ou aquilo sem o que poderíamos realmente existir melhor e diferente. A gente pensa que sabe, porque só quer saber se for pra ser assim. Tudo isso faz parte de aprender a existir aqui. Confiar sem saber é que é o complicado. Mas se alguma coisa me cabe, acho que prefiro decidir que vou confiar sim. Virá sempre, na hora certa, o que for melhor pra mim.
Tem gente que passa a vida inteira colecionando tijolos e quando percebe, não construi nenhum lugarzinho para receber os amigos, em lugar disto, a pilha de tijolos transformou-se em um muro.
Quando a gente coloca o pé no chão e sente a terra tremer, é sinal de que a vida está nos chacoalhando, nos dando sinais de que é hora de acordar!A realidade requer que a gente aprenda a andar na corda bamba...Não é uma questão de habilidade, é uma questão de sobrevivência!
Diferente, é viver um sonho onde um monte de gente quer te acordar, pensando estar dormindo, quando na verdade, és um dos poucos acordado.
A gente só é capaz de valorizar a presença quando descobre como é ruim sentir falta, só valoriza o hoje quando ele já se tornou ontem, só entende a diferença entre amigos e melhores amigos quando enfrentamos alguma dificuldade e vemos quem está ao nosso lado. Nós só entendemos a importância de aproveitar cada dia ao máximo quando eles começam a ficar escassos, nós acabamos só dando valor ao que já foi. E com essa valorização do que perdemos não somos capazes de aproveitar o que temos, e, mais uma vez, nos arrependemos.
...e a gente até que leva a vida numa boa quando o coração está vazio...Mas fica aquela sensação de falta, de se querer ter alguém por perto...Não que a gente não possa ser feliz sozinho...mas ser feliz com alguém, é como ganhar da vida, felicidade em dobro!
Quando a gente gosta de alguém devemos olhar no rosto do nosso companheiro e ver nos olhos dele a vontade de querer voltar, a vontade de querer mudar, mas ninguém muda por ninguém. Temos que aprender a mudar com alguém, aquela história de fazer diferente, de viver cada segundo como no primeiro dia, aquele beijo apaixonante, àquela surpresa de ir buscar no trabalho, sem que aja um pedido prévio. Olhar nos olhos e imaginar aquele dia de casamento, as crianças brincando na rua. Esse é o verdadeiro espírito do casal. (Retirado do Texto Todos merece uma segunda chance)
