Motivos de Amar uma Mulher

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Nas desventuras comuns, reconciliam-se os ânimos e travam-se amizades.

O casamento é o egoísmo a duo.

Beleza, presente de um dia que o Céu nos oferece.

O valor que não tem por fundamento a prudência chama-se temeridade, e as façanhas dos temerários devem atribuir-se mais à sorte do que à coragem.

As dívidas são bonitas nos moços de vinte e cinco anos; mais tarde, ninguém lhas perdoa.

Nos nossos revezes, queremos antes passar por infelizes, do que por imprudentes, ou inábeis.

Condenamos por ignorantes as gerações pretéritas, e a mesma sentença nos espera nas gerações futuras.

O luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome.

Ninguém se conhece tão bem como aquele que mais desconfia de si próprio.

O melhor modo de venerar os santos é imitá-los.

Erasmo de Roterdã
"The "Adages" of Erasmus". London: Cambridge University Press, 1964.

Um empreendimento imagina-se e começa-se com facilidade; mas na maior parte das vezes sai-se dele com dificuldade.

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Lamentamos sempre aquilo que damos aos maus.

Não há pai nem mãe a quem os seus filhos pareçam feios; nos que o são do entendimento ocorre mais vezes esse engano.

Há grandeza mais verdadeira numa boa ação do que num bom poema ou numa grande vitória.

Se a pobreza é a mãe dos crimes, a falta de espírito é o seu pai.

A dissimulação algumas vezes denota prudência, mas ordinariamente fraqueza.

Os grandes, os ricos e os sábios sorriem-se: os pequenos, os pobres e os néscios dão gargalhadas.

O nosso amor-próprio é muitas vezes contrário aos nossos interesses.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental