Morna
Na vida, precisamos ter atitudes e não apenas viver de maneira fria ou morna. O que traz mudanças e transforma nossa realidade são as nossas ações e não as nossas palavras.
Um pé na safadeza,um pé na sanidade..e tá tudo bem ser morna as vezes... equilibrada ou sei lá talvez um tanto desequilibrada.. só sei que é gostoso perder o juízo as vezes...
Quem nunca? Todo mundo que se perde acha um novo caminho...
Visitei o teu corpo
Visitei o teu corpo, quando dormias.
Eu te vi assim, morna como a minha poesia.
Acariciei tua boca e me balbuciaram palavras
Senti o meu ego crescer, quando disse que me amavas.
Despi a tua pele, e com a língua quente, aqueci seu umbigo
E num contorcer de danças, brilhastes num tempo.
Onde o mundo era só teu, meu, ainda era o desejo contido
De repousar em tua entranha, o prazer de ser o seu amigo.
Desci ainda mais os olhos, a passear pelo teu corpo a desposar a dança
Minha angustia era tanta, que nem tive coragem de prosseguir.
Embrulhei meu fogo em tuas vestis, embevecido do perfume que me deixava ainda mais louco para te possuir...
TARDES DA NOITE DA MANHÃ
A tarde, caía
Quase semifria,
Com cor morna
À maneira da minha sorna,
E sempre que ela vinha assim,
Eu ficava sem forma
Ou jeito
Sem preceito,
Nem respondia por mim.
Previ coisa ruim,
Porque em meu peito,
Em frenesim,
Coisa molesta subia
E sentia então que crescia
Uma tristeza tíbia
Como se fosse coisa anfíbia
Que vive lá
E cá mora por despeito.
E quando as lágrimas
Ázimas
A brotar
Destes olhos quase a fechar,
Enchiam o globo a rebentar
Como prenhe mulher
Pela última vez a dar
Ao mundo, sem prazer,
O último filho por fazer,
Eu acordei
E olhei
O relógio
Quase meu necrológio
E vi as primeiras horas da manhã,
E no já,
Imaginei que a tarde
Já era então na manhã da noite
Sem ser preciso
O hoje ou o amanhã.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-02-2023)
Curo as feridas e as dores do meu corpo, da alma e do espírito, com a água morna e salgada que brota copiosamente dos meus tristes olhos.
Morna tristeza
Quisera eu livrar-me da morna tristeza, que chamejasse, pouca ou alguma verdade.
Há fogo, contudo, aceso na chama do desapontamento, assim, como carne e sangue.
A espera é comida fria se vem de longe, quente se vem de perto e morna quando se vai ao encontro dela.(Walter Sasso)
Há os que vão dizer,
que ela não via,
não sorria,
não falava.
Que por trás daqueles olhos,
a moça era calma,
morna,
talvez gelada.
E só ela entendia,
o que sentia por dentro.
- Ora!, ela dizia
- Não é meu o sentimento?
Ela sentia que era pouco,
e assim transbordava.
Sentia que era rasa,
enquanto a vida a afogava.
Sentia que era presa,
mas em sonhos mergulhava.
A moça sentia o mundo,
e o mundo sentia nada.
Sangue meu que percorre vivo,
A vulcanicidade dos teus costumes,
Ventos de mornas quentes,
que tocas ao coração de suas gentes,
No gingado perfeito do teu funaná,
Cachupa de emoções; Orgulho crioulo,
Nha Cretcheu, Cabo Verde.
*Poema "Raízes" de NELLANJO
