Morar
"A medicina é a arte de manter a máquina funcionando para que o fantasma tenha onde morar." (Odilon Carlos)
Chega de loucura, deixa eu dormir! Ou você vai embora de uma vez ou eu vou morar em uma clínica psiquiátrica...
"Em um mundo obcecado por dados e certezas, reconhecer que a paz pode morar no "não saber" é um ato de rebeldia gentil."
O corpo é só a casca
o que a gente quer mesmo é
morar dentro do outro.
Fiz do corpo a barganha
para receber sua atenção.
Mas você me desprezou.
Descobri que amor
não se ganha com esta exposição.
Fui apenas prazeres colhidos,
arrastados com a moral no chão.
O amor pode ser algo impossível,
mas ninguém retira dele
a beleza de ser sentido.
Isso é que é incrível...
O que me importa
se você me desprezou?
Não me quis e me deixou...
Essa fantasia, fui eu que acolhi,
que me lambuzei
nesse sentimento e emoção.
Embriaguei-me nessa divina sensação.
De que adiantou publicar o corpo?
Se o que eu queria era o seu coração.
*“Dúvida”*
Dúvida, minha dúvida,
por que você insiste em morar entre o que sinto
e o que tento esconder?
Você chega silenciosa,
bagunçando certezas
que eu jurava eternas.
Mas, às vezes,
minha dúvida inclui certezas.
A certeza do teu sorriso
invadindo meus pensamentos
nas horas mais distraídas.
A certeza do vazio
quando você demora a aparecer.
A certeza de que meu coração te reconhece
mesmo quando minha razão
finge não saber teu nome.
Talvez amar seja isso:
um encontro estranho
entre medo e esperança,
entre partir e permanecer
Porque existem sentimentos
que não sabem explicar a si mesmos, mas ainda assim…
têm absoluta certeza de existir.
Quero morar na floresta ou em uma ilha paradisíaca, entre árvores e silêncios, e nunca mais me curvar às exigências do mundo.
Morar sozinho não é exatamente sobre independência.
É sobre convivência…
só que, dessa vez, com alguém que não dá pra evitar.
“Vem morar perto de mim… e eu prometo te mostrar todos os dias, nos detalhes e no carinho, que você nunca vai precisar sentir ciúmes de mim.”
🌵UBAJARA: ANCESTRALIDA, RAIZ E CULTURA. 🚡
Ubajara é nome vivo,
terra boa de morar.
Carrega ancestralidade
na língua a eternizar.
Ubá é canoa que corta o rio,
îara, senhor firme e bravio.
Guardião das águas e do caminho,
guia destinos de quem anda sozinho.
Dizem que um cacique habitou
a gruta de pedra fechada,
onde respinga água sagrada
e fez da rocha sua morada.
Outros contam outra versão:
que ali vive a mãe d’água,
carregando força feminina
em cada energia que se propaga.
Ubajara é resistência,
é cultura que vibra
em cada quadrilha,
nos eventos que a cidade cultiva.
E no turismo tem encanto,
seu bondinho a percorrer,
mostrando a linda serra
pra quem deseja ver.
Entre lendas e tradição,
segue a coragem de remar,
guiando cada coração
pra um sentido encontrar.
-Mara Ferly
Comecei a sentir algo que eu jurava não morar em mim.
A inveja chegou mansa, sem barulho,
mas fez morada no peito.
Não é do riso fácil dos casais de agora,
nem das fotos prontas, nem do amor que parece simples.
É da história.
Do caminho inteiro.
Do que foi construído com o tempo
e não apesar dele.
Invejo mulheres que ficaram.
Que olharam as falhas de perto, os defeitos sem filtro, as limitações nuas
e mesmo assim permaneceram.
Mulheres que escolheram ficar
quando ir embora parecia mais fácil.
Que lutaram não por perfeição, mas por compromisso.
Que amaram não o homem ideal, mas o homem real.
Isso me toca fundo.
Porque revela um amor raro, o amor que decide.
Que não romantiza,
não foge,
não solta a mão quando pesa.
Essa inveja não quer o que é do outro.
Ela chora o que faltou em mim.
É a vontade de ter sido escolhido nos dias bons e principalmente,
nos dias difíceis.
No fim, não é sobre eles.
É sobre a ausência que ficou.
Sobre a falta que insiste.
Sobre o valor imenso
de quem permanece, de quem luta e não desiste na adversidade.
“Desconfie de quem tem respostas para tudo; a sabedoria costuma morar nos becos da dúvida.”
Do livro Entre a Razão e o Delírio, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“Construir um refúgio interior é aprender que nem todo caos externo merece morar dentro de nós.”
Do livro Tempestade Serena, de Nina Lee Magalhães de Sá.
