Morango Doce
Ela é pequena e brava.
Às vezes parece que dendê corre nas veias.
Em outras, é leve e doce feito mel.
Mel da cor dos olhos que dei sem perceber.
Índia pequena.
Moça maluca.
Imprevisível, difícil de decifrar.
Em outra época, eu te daria o mar e o mundo. 🌊
Hoje não.
Hoje aprendi a fazer algo mais raro:
ficar.
Observar.
Sem posse.
Sem pressa.
Sem promessa.
Um doce de vó
Minha vó morava perto do campo de futebol. Era comum, depois das brincadeiras no campo — que ficava onde hoje existe o colégio —, passarmos pela casa dela.
Certa vez, eu e um amigo encontramos uma velha bola de capotão. Estava furada, com o couro bastante desgastado, quase no fim da vida. Mas, para dois meninos, uma bola nunca estava velha demais. Demoramos um tempão para consertá-la e deixá-la em condições de voltar aos gramados.
Ou, pelo menos, ao quintal da minha vó.
A casa dela tinha um quintal bem grande, perfeito para nossas partidas. Marcamos o gol com as camisetas no chão e começamos nosso campeonato particular de “chute em gol”: cada um batia três vezes e depois trocávamos o batedor.
A brincadeira ia muito bem.
Até minha vó aparecer.
Veio caminhando em direção ao nosso campinho com uma faca na mão. Antes que pudéssemos entender o que estava acontecendo, pegou a pobre bola e, sem a menor cerimônia, deu umas dez facadas nela.
Dez!
E, como se a bola fosse a única culpada pela desordem, ainda sobraram para mim alguns cloques na cabeça, dados com aqueles dedos duros de vó.
Acabou-se a festa.
A bola, que já tinha sobrevivido sabe-se lá a quantas peladas antes de chegar às nossas mãos, dessa vez parecia definitivamente morta.
Mas não estava.
Dias depois, encontrei o cadáver debaixo do assoalho da casa da minha vó.
Resgatei aquele pobre pedaço de couro e fui atrás do meu amigo, o companheiro das cobranças de falta. Examinamos a situação e resolvemos ressuscitá-la. Só que, depois das facadas da minha vó, não havia remendo que desse jeito.
Então tivemos uma ideia.
Uma péssima ideia, naturalmente.
Fizemos um enxerto e enchemos a bola com areia.
Ela ficou pesada feito uma pedra.
Foi aí que nasceu uma nova brincadeira.
Colocávamos nossa “bola” num ponto estratégico da rua, onde costumavam aparecer outros meninos, e fingíamos estar batendo faltas. Bastava esperar.
Logo surgia algum candidato querendo mostrar suas habilidades.
— Deixa eu bater uma?
Era tudo o que queríamos.
O sujeito tomava distância, ajeitava o corpo, corria cheio de confiança e...
PÁ!
Chutava aquela bola cheia de areia.
Nós caíamos na gargalhada. Os outros meninos que já conheciam a brincadeira também. E assim a velha bola de capotão, que não servia mais para jogar futebol, encontrou uma segunda profissão: castigar os pés dos desavisados.
Até que, certo dia, apareceu um menino bem maior do que nós.
Ele também quis mostrar suas habilidades.
Tomou distância, correu e soltou o pé.
Quase torceu o tornozelo.
Dessa vez, ninguém teve muito tempo para rir.
Furioso, ele distribuiu uns tapas nos menores — eu e meu amigo incluídos — e, para completar o castigo, levou embora nossa bola cheia de areia.
Foi o fim definitivo daquele capotão.
Pensando hoje, talvez tenha sido melhor assim.
Primeiro minha vó tentou matar a bola com dez facadas. Nós a ressuscitamos, enchemos de areia e a transformamos numa armadilha. Depois apareceu alguém maior, acertou nossas contas e levou embora o corpo do delito.
E minha vó?
Minha vó nunca ficou sabendo da ressurreição.
Ainda bem.
Porque, conhecendo aqueles dedos duros, desconfio que os cloques da segunda vez teriam sido muito piores.
Ivo Terra Mattos
Num lindo dia. Conheci Ana Maria. Uma linda Princesinha, filha de uma Rainha. Seu nome é doce e belo, e o sobrenome docinho de caramelo .
A vida é uma combinação de "sabores", às vezes a vida é doce, outras vezes azeda e por vezes amarga ou salgada.
Por que não, umami ?
Uma sensação de sabor "saboroso" ou "gosto delicioso" que persiste na boca. Aquela de dar "água na boca" e na vida.
Entre as uvas da vida, encontrei em você o melhor vinho.
Intensa, leve, suave, doce, viciante…
daquelas que o tempo só melhora, que se degusta sem pressa e deixa um gosto bom na alma — impossível provar e não querer mais.
Entre as uvas da vida, encontrei em você o melhor vinho.
Intensa, leve, suave, doce, viciante...
Daquelas raridades que o tempo não estraga, apenas aperfeiçoa. Quanto mais conheço você, mais descubro novos sabores, novas razões para admirar sua essência.
Você não embriaga os sentidos, embriaga a alma.
“Naveguei por mares revoltos; caminhei por veredas escuras, até chegar no doce de teu beijo e nos braços de teu abraço.”
É um susto doce, esse.No meio do caos do mundo, onde todos corr
em atrás de likes e telas frias,eu me vi offline, imerso no que é vivo.Estive com meus filhos,vivi o toque, o riso, a herança do afeto.Abracei meus netos — esses pequenos pontos de luz que carregam o meu DNA e o futuro nos olhos.E, de repente, o clique:enquanto o mundo busca o 'extraordinário',percebi que sou a elite do bem-estar.Minha conta bancária emocional transbordou.Sou, sem exagero e com toda a paz do agora,mais rico e mais feliz que 90% do planeta.Não é sorte, é conexão.É o luxo de ser amado por quem a gente ama.
A vida é uma via torta, doce e amarga ao mesmo tempo,
E eu, tonta sonhadora, caminho na corda bamba do tempo.
Tento me equilibrar entre sabores e amores,
Mas se a corda arrebenta, não luto contra tombos, nem com as consequentes dores.
Fico, respiro, repouso em silêncio profundo,
Não estou nem aí para o mundo com seu peso tão imundo.
Não sou fantoche nas mãos do imprevisto,
Nem marionete no palco dos conflitos.
Não sou equilibrista buscando um fim incerto,
Nem sigo um novelo enovelado em nós (des)inosados.
Sou só eu, simples, entre tropeços e calmaria,
Deixo a vida ser feita de alma leve e poesia.
Quebrar os laços da luta incessante,
Permitir que o descanso seja o instante.
Pois na rotina do dia a dia, quando tudo cansa,
Ser tonta é talvez a mais doce esperança... o maior consolo pra deixar continuar a bater o próprio coração.
desnudou-se a tarde mostrando o seu esplendor mais íntimo...deixa-nos com a doce cadência da brisa, e o sol se escapa por entre os eucaliptos...e o ar vai sustendo os aromas.
natalia nuno
Quimera
Amada, tu és meu anelo,
Meu amargo, doce mel;
O amor que se desfez de mim,
Ó, meu pedacinho de céu.
Limerência é o que sinto;
Tu és meu mais belo tormento.
Quimera eterna...
Como um sonho que não desperta.
— Kaiane Macedo
