Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Tem dias em que eu olho para trás e penso numa coisa meio curiosa, quase irônica, dessas que a gente conta rindo no café da tarde enquanto mexe o açúcar devagarinho. Desde pequena a vida parecia uma arena gigante, como se cada fase viesse com um teste novo, um daqueles que não dá para devolver para o professor dizendo que caiu conteúdo que ninguém explicou. E mesmo assim eu fui atravessando tudo com uma cara tranquila, quase elegante, como quem diz para o mundo que está tudo sob controle, quando na verdade por dentro existia um turbilhão inteiro discutindo filosofia com a própria sobrevivência.
Nunca contei quase nada. Não porque não existisse história, muito pelo contrário. Era tanto capítulo que dava para montar uma biblioteca inteira, daquelas silenciosas, onde só eu conheço o catálogo. E reclamar nunca foi muito meu estilo, não por heroísmo, mas porque as pessoas criaram uma versão de mim que parece feita de aço temperado. A tal mulher forte. Aquela que resolve. Aquela que aguenta. Aquela que sempre volta. E quando o mundo decide que você é forte, pronto, está oficialmente proibida de fraquejar em público, como se fosse uma regra invisível assinada numa reunião secreta da humanidade.
O curioso é que eu mesma comecei a acreditar nessa história. Não que eu nunca tenha cansado, claro que cansei. Só que eu aprendi a conversar comigo mesma como quem acende uma luz interna no meio de um apagão. Houve uma vez, só uma, que pensei em dividir o peso, abrir a caixa preta da minha história, mostrar as evidências, os fragmentos, os acontecimentos. E a resposta foi aquele silêncio estranho, ou pior, aquela frase que parece pequena mas faz eco dentro da gente por muito tempo. Não acreditam em evidências. E eu pensei, então está bem, talvez a minha prova não seja para convencer ninguém, talvez seja apenas para me manter de pé.
Engraçado como a gente descobre forças que não estavam no manual de instruções da vida. Eu fui percebendo que existe uma musculatura invisível dentro da alma. Uma espécie de academia espiritual onde cada queda vira um exercício novo. E ali, sem plateia, eu fui ficando mais resistente, não porque o mundo exigiu, mas porque alguma coisa maior sempre esteve comigo. Aquela presença silenciosa que não precisa de explicação, que aparece nos momentos mais absurdos da existência e sussurra, calma, continua.
Então eu continuo. Não enlouquecida, como alguns poderiam imaginar quando veem a quantidade de batalhas acumuladas desde a infância, mas curiosamente lúcida. Como quem atravessou tempestades suficientes para reconhecer o som da própria paz quando ela aparece. E tem uma coisa engraçada nisso tudo, quase uma ironia elegante da vida. As pessoas pensam que eu nunca precisei de ajuda. Mas na verdade eu sempre tive ajuda, só que veio de um lugar que não depende de aplauso, de aprovação ou de testemunha.
No fim das contas, eu sigo com essa mistura de força interior e fé silenciosa que me acompanhou o tempo inteiro. Como se eu estivesse caminhando por um mundo barulhento com uma bússola dentro do peito. E olha, posso te dizer uma coisa com aquela tranquilidade de quem já atravessou muita coisa. Quando a gente aprende a confiar nessa força que mora dentro da gente, o caos até tenta fazer barulho, mas já não manda mais na história. Porque a história, no fim, continua sendo minha. E eu ainda estou escrevendo.
Deus conhece o esforço que você tem feito para esperar com paciência pelo que pediu em oração. Permaneça firme, pois o Senhor fortalecerá o seu coração até que tudo se cumpra, conforme o perfeito Plano que Ele Preparou.
Pasárgada eterna
Vou embora pra Pasárgada.
Não conheço o rei. Mas, sei que lá não tem avião e ninguém precisa de tanta fé.
Tem rede com preguiça inclusa, todo dia é sexta-feira, e toda sexta-feira, pensando em sobra de feira, ela me sua.
Pasárgada tem reza. Tem cantos de oferenda. Tem axé. Tem afoxé!
É quando Deus descansa dos evangélicos.
Nietzsche proibiu pastores, em votações de assembleias.
Em Pasárgada tem rituais de Missa em Latim, e cestos de carinhos outorgados. Todos os rituais exigem tambores.
Muitos tambores.
A preguiça foi institucionalizada. A dança é democrática, e obedece a um engajamento entre pernas e quadris.
Saravá, Bahia! Saravá, Umbanda. Saravá, meus amores.
Em Pasárgada, o céu tem mais estrelas, os jarros têm mais flores. Eu preciso do endereço do Bandeira... Soube que o poeta mora no beco: o beco que ele cantou pleno de elipses mentais.
Os sertões azuis se assomam nas varandas. Paga-se bem aos professores e redes são estendidas perto da eternidade. As luas são enormes e generosas, e já trazem (inclusos) redes e conhaques.
Pasárgada tem campos de girassóis e broquéis contra insanos. Assistimos a luta de São Jorge contra o dragão, em tv 4k.
Em Pasárgada
Os poetas só precisam de alguns toques de imaginação.
É que a vida tem como técnicas semelhantes ao jogo de quebra-cabeças e quando ignoradas suas regras perdemos o controle temporariamente de nosso imaginar viver…
Em uma guerra, não se tem vencedor, apenas destruição. Pais, filhos, mães, esposas, maridos, namorados e colegas morrem, todos morrem e isso não é indicativo de vitória.
A pior solidão é aquela que a gente sente ao lado de quem deveria ser abrigo.
Tem mulher que não entende o peso de deixar um homem na insegurança,
é quando ela diz que ama, mas não demonstra,
promete ficar, mas vive com um pé fora da porta,
pede confiança, mas não entrega verdade.
O homem não precisa de muitosó de clareza, respeito e presença.
Quando a dúvida vira rotina, o coração vira campo de guerra.
No fim, não é sobre ciúme ou cobrança.
É sobre paz.
E paz nenhuma sobrevive onde a intenção é incerta
O maior defeito do mau caráter é acreditar que todo mundo tem o mesmo desvio que ele. A desonestidade o impede de enxergar a honestidade alheia.
O Natal chega diferente para cada um.
Tem gente rodeada de pessoas, mas com o coração vazio.
Tem gente sozinho em casa, mas lutando para não perder a fé.
Eu já vivi um Natal completamente sozinho, sem ninguém do lado.
E já vivi outros cercado de muita gente, e ainda assim me sentindo só.
Aprendi que presença não é quantidade, é conexão.
Hoje, não posso dizer que estou plenamente realizado ou que tudo está do jeito que sonhei.
Mas posso dizer algo com convicção: eu sou grato.
Grato por tudo que Deus me deu de presente nesses últimos meses.
Trabalho quando parecia não haver caminho.
Novos amigos quando pensei que caminharia só.
Uma equipe para cuidar, construir e seguir junto algo que por muito tempo foi apenas oração.
Talvez o Natal de hoje não seja perfeito.
Mas ele carrega respostas.
E às vezes, isso já é mais do que suficiente.
Se você está sozinho neste Natal, saiba Deus vê.
E o tempo d’Ele sempre chega silencioso, mas fiel.
Feliz Natal.
By Evans
Falar é fácil. Ser, nem todo mundo aguenta.
Hoje em dia, todo mundo tem um texto pronto na ponta da língua. Promessas bonitas, discursos ensaiados, frases de efeito. Mas na hora de mostrar com atitude, cadê? Sumiu.
Não me impressiono com palavras. Já vi muita gente falar de lealdade e agir com falsidade. Gente que prega respeito, mas vive julgando. Que diz “tamo junto”, mas torce contra. Quer minha distância? É simples: seja hipócrita. Porque pra mim, falar sem viver é só barulho vazio.
Atitudee é o que separa quem é de verdade de quem só representa, E eu escolho estar perto de quem vive o que diz e não de quem só sabe escrever bonito.
By Evans Araújo ✍️
Podemos estar ao lado de pessoas que têm bens, status e conquistas visíveis.
Podemos conviver com quem possui muito do que é material.
Mas nada disso impressiona quem aprendeu a valorizar o simples.
Porque ter, é algo que os olhos veem.
Mas ser, é algo que o coração sente.
De que adianta tanto por fora, se por dentro falta essência?
O verdadeiro valor não está no que se acumula,
mas no caráter, na paz, na humildade e na forma como se trata as pessoas.
Quem entende isso não se deslumbra com riqueza.
Se conecta com verdade.
Tem momentos na vida em que segurar tudo não é força… é desgaste acumulado.
A gente tenta ser firme, aguentar calado, resolver tudo no peito…
mas até quem é forte precisa de uma válvula de escape.
Não pra fugir…
mas pra não quebrar.
É ali que você respira, se reorganiza, coloca a mente no lugar e tira o peso que ninguém vê.
Seja no trabalho, no retorno, numa caminhada, no silêncio ou até numa conversa sincera…
todo mundo precisa de um ponto de alívio.
Porque resistência não é viver pressionado o tempo todo.
Resistência é saber a hora de aliviar … pra continuar de pé.
Quem nunca para, uma hora trava.
Quem nunca descarrega, uma hora explode.
Então não é fraqueza se afastar um pouco…
fraqueza é fingir que aguenta tudo até desmoronar por dentro.
Se manter firme também é saber se cuidar.
By Evans Araújo
Tem saudade que não chega fazendo barulho…
ela vem no silêncio, e fica.
Hoje eu só queria ter tido mais tempo de amizade com meu pai. Não só de pai… de amigo mesmo.
Daqueles que a gente chama pra ir à praia sem motivo, só pra sentar na areia e olhar o horizonte em silêncio, como se o mar dissesse o que a gente nunca soube falar.
Queria ter dividido mais momentos simples… uma pescaria qualquer, uma conversa jogada fora, um riso sem pressa.
Queria ter criado mais memórias leves, dessas que hoje fariam companhia nesse vazio.
Agora ele está ali… no hospital…
e o que mais dói não é só a distância, é o silêncio.
É não conseguir ouvir a voz dele. Nem aquelas palavras duras… que hoje fazem falta.
Tenso como a vida é…
até a arrogância dele, que antes pesava, hoje revela quem ele sempre foi forte.
O jeito inquebrável dele… era armadura. Era defesa de quem aprendeu a viver sem poder ser fraco.
E eu aqui… sentindo falta de tudo.
Do que foi bom, do que foi difícil… do que eu não entendi na época.
Porque no fim…
o amor entre pai e filho nem sempre vem em forma de carinho.
Às vezes vem em silêncio, em cobrança, em dureza…
mas ainda assim… é amor.
Mas dessa vez… eu não quero só lembrar.
Eu quero uma nova chance.
Quero que ele se recupere.
Quero poder olhar pra ele de novo… com outros olhos, com mais entendimento, com mais presença.
Quero viver o que ficou pra depois… sem deixar pra depois outra vez.
Se Deus permitir… ainda vamos à praia.
Ainda vamos sentar lado a lado, em silêncio… e dessa vez eu vou entender.
Ainda vamos numa pescaria qualquer… e eu vou valorizar cada segundo, cada palavra… até as duras.
Porque agora eu sei…
o tempo não espera, mas ele também pode dar uma segunda chance.
E se essa chance vier…
eu não vou perder.
Hoje, o que fica é a saudade…
mas junto dela, fica também a fé.
Fé de que isso ainda não acabou.
Fé de que ainda vamos escrever mais capítulos…
dessa vez, como pai…
e como amigos.
Quem distorce a realidade do outro…
não busca verdade, busca controle.
Tem gente que muda os fatos, gira a história, inverte papéis…
e no final ainda quer te fazer acreditar que você é o errado.
Isso tem nome: confusão emocional.
Quem vive manipulando narrativa não quer resolver…
quer vencer.
E quem quer vencer sempre… raramente é verdadeiro.
Tem gente que provoca, erra, pesa a mão…
e depois suaviza a própria culpa jogando tudo em você.
Como se o problema nunca fosse o que fez…
mas como você reagiu.
Só que maturidade é outra coisa.
É assumir, é olhar pra dentro, é não precisar distorcer nada pra se justificar.
Porque quem tem caráter não precisa reescrever a história…
fala dela como ela é.
Na real…
quem distorce a realidade dos outros por muito tempo
acaba perdendo a própria.
E quem aprende a enxergar isso…
nunca mais aceita viver dentro da versão de alguém.
By Evans Araújo
SEM MEDO
Não é porque você foi humilhado ontem
que tem o direito de baixar a cabeça hoje...
O mal e o bem fazem parte da vida,
assim como a tristeza e a alegria,
a dor e a cura...
Seja forte independente do medo da ferida
das fraquezas que te lavaram a queda
e principalmente dos riscos que sempre irão nos atormentar...
Perdar, metade da alma ou algo valioso
Faz um buraco no coração, causa uma dor
Que você não tem noção, um silêncio nebuloso
O diamante que virou pó, a flor que já murchou, o céu virou cinza
A luz que se apagou...
O vento que trás tristeza, machuca o tempo
com a solidão, me faz chorar, e minhas lágrimas, se transforma em ribeirão
A sicatris que se abriu, meu coração.
está lastrada de sangue
De dor como um furacão
Trazendo o mal e levando o bem
Me causando solidão...
Nem toda riqueza
Se compra a simplicidade
E nem todo ouro tem o preço desse chão
Sou simples e disso me orgulho
Só o amor sabe o valor, que tem o coração!
Isso aqui é meu tesouro
É onde eu chamo de lar
Humildade nunca me faltou e nunca vai faltar
Não tive muitas oportunidades
De aprender a ler e escrever
falava apenas meu nome
Outras coisas nem podia dizer
Desde criança eu trabalho
Para poder sobreviver
Sou de uma família muito pobre
Isso não tenho vergonha de dizer
Tenho orgulho de onde vivo
Tenho orgulho do sertão
Casa de barro, fogão a leinha, panela preta com feijão
Todas essas simplicidade, é que alimenta a humilde em meu coração.
Toda jóia é dada ao que se tem potencial, mas se sua conduta externa não puder sustentar sua integridade sua jóia fica a critério.
